quarta-feira, 29 de maio de 2019

A Perícope da Mulher Adúltera - The Pericope of Adulterous Woman





                                                                                                                     Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                                           Cri, por isso falei

                                          

No meio acadêmico, há divergências no que diz respeito à conhecida narrativa da mulher achada em adultério.

De um lado, há os que defendem que a narrativa foi acrescentada por um copista no processo de transmissão, ou seja, é uma narrativa tardia, João não a escreveu, já que não consta em alguns documentos antigos de grande importância para a reconstrução do texto original. Dentre esses, citamos aqui cristãos, membros de igrejas não ortodoxas, como, por exemplo, o adventista Paroschi[1], e aqueles que duvidam da Fidelidade de todo o Novo Testamento como o ex-cristão e pesquisador do assunto, Bart D. Ehrman[2].

Do outro lado, há os que defendem que a história, além de verdadeira, foi registrada por João no processo de inspiração, pois consta em alguns documentos antigos.

A seguir mostraremos o que temos a respeito do tema e qual a melhor conclusão a ser abraçada.


Manuscritos que “pulam” de Jo 7:52 para 8.12:
Séc III  ➜ Papiro-66 e Papiro-75.
Séc IV ➜ Códices Sinaítico e Vaticano.
Séc V  ➜ Códice Washingtoniano.

Manuscritos que omitem todo o capítulo 7 e 8:
Séc V  ➜ Códices Alexandrino e Efraimita.

Manuscrito que contém a narrativa da mulher adúltera:
Séc V  ➜ Códice Bezae[3].


Nos séculos sexto e sétimo a narrativa é inexistente. Todavia ela volta a aparecer no códice Basiliense do séc VIII. Vejamos a exposição de um Aparato Crítico sobre a passagem tratada:







Pais da Igreja

De acordo com o falecido presbiteriano e crítico textual, Bruce Metzger, há manuscritos e versões antigas do Oriente as quais não contêm a narrativa, a saber, a siríaca, a saídica, a subacmímica e boaírica. Também, segundo ele, há ausência em versões georgianas, na gótica e em muitos manuscritos da Antiga Latina. De acordo ainda com Metzger, além de serem os responsáveis por apresentarem a história da mulher adúltera e, de forma consciente a sinalizarem como uma passagem que não constava no original, os copistas a colocaram após (Jo 7:36), (Jo 7:44), (Jo 21:25) e até (Lc 21.38)[4]. Isto é, a ideia é que não havia consenso entre os copistas quanto à localidade no Texto.

No que diz respeito aos doutores da Igreja, como, por exemplo, Orígenes (187d. C), João Crisóstomo (347d.C) Cirilo de Alexandria (378d.C), os quais comentaram o Evangelho, há omissão do relato. Aliás, Metzger chegou a dizer que nenhum dos pais da Igreja grega fez qualquer menção até Eutímio (séc XII) quando este afirmou não haver a narrativa nas cópias corretas de João[5].

Já entre os doutores latinos, como, Paciano de Barcelona (310 d.C), Ambrósio de Milão (340d.C), Agostinho (354d.C) e Jerônimo  (347d.C), há inclusão do relato[6].

Todavia, no Fragmento de Papias (70-140 d.C)[7], o qual o historiador Eusébio de Cesaréia (265 d.C) teve conhecimento, contém uma narrativa acerca de uma certa mulher acusada de pecados diante de Jesus:

O mesmo escritor utiliza testemunhos tomados da primeira carta de João, e igualmente da de Pedro, e expõe também outro relato de uma mulher acusada de muitos pecados ante o Senhor, que está contida no Evangelho dos hebreus. Que conste também isto, além do que já havia exposto[8].

Seguindo ou aparentando seguir a mesma linha histórica de Papias, o admirador de Orígines, Dídimo, o Cego (313d.C), que era da mesma região de Cirilo de Alexandria, que não tratou da narrativa, disse o seguinte em seu comentário sobre Eclesiastes:

 Encontramos em certos evangelhos que uma mulher, diz, foi condenada pelos judeus por um pecado e estava sendo enviada para ser apedrejada no lugar onde era costume ser feito. O salvador, diz, quando a viu e observou que eles estavam preparados para apedrejá-la, para aqueles que pretendiam lançar as pedras sobre ela, disse: ' Aquele que não pecou, levante uma pedra e lance-a'. … 'Se alguém pensa que não pecou, pegue uma pedra e feri-la'. E ninguém se atreveu, pois eles entendiam entre si e sabiam que eles mesmos também eram culpados em algumas coisas, de modo que não ousaram atacá-la ”.    .[9]


Até o momento a situação é a seguinte:

No século II há uma citação via um pai apostólico a qual é conhecida no século III sobre uma pecadora.

Em manuscritos bíblicos do século III ao IV há omissão do episódio da mulher adúltera.

Dos 4 manuscritos bíblicos do século V apenas 1 contém o episódio.

Nos escritos dos pais da Igreja do século IV há uma considerável divergência sobretudo na mesma região, como no caso de Dídimo e Cirilo os quais eram de Alexandria.


Analisando os pontos altos e baixos:

Bem, não é possível, apenas com o que temos, dizer que Papias e Dídimo estão categoricamente falando da história clássica da mulher adultera. Mas algumas questões podem ser levantas aqui:


1-      Papias diz que a história da mulher estava num evangelho aos hebreus. Hipoteticamente ele pode ter se referido ao Evangelho de João o qual foi, de fato, também escrito para hebreus ou judeus de fala grega;


2-      Dídimo diz que a história de uma mulher pecadora estava em certos evangelhos e, além disso, que a mulher foi levada para ser morta num lugar que era próprio para execução. Isso pode não corroborar com a narrativa clássica, pois, Jesus, estava no Templo (Jo 8:1-4) e, os apedrejamentos, ocorriam distante dos “puros” (Lv 24:14; Nm 15:32-36; At 7:58). Por outro lado, não podemos exigir muito de alguém que era cego desde criança[10]. Contar uma história com todos os detalhes apenas a ouvido é muito mais difícil do que a lendo ou a vivendo; basta a gente lembrar das muitas vezes as quais não conseguimos citar um só versículo da Bíblia sem que fosse necessário olhar nEla. Hipoteticamente, Dídimo poderia ter se referido às cópias do Evangelho de João, já que não há a história da mulher adúltera em outros evangelhos.


Não podemos negar que há um rastro pela história da Igreja onde uma ou umas mulheres estiveram em situações semelhantes a da mulher adúltera. Rastro esse que, além de ser muito coincidente, antecede os papiros mais antigos anteriormente citados os quais omitem o testemunho, já que Papias era de (70 d.C) principalmente quando o somamos a uma outra antiga citação contida na Didascalia, obra esta escrita por volta do início do século III (o que nos faz depreender que o relato, assim como o de Pápias, estava no e antes do século II). O texto diz:


Se, porém, não receberes o que se arrepende, porque és sem misericórdia, pecarás contra o Senhor Deus; porque não obedeces ao nosso Salvador e ao nosso Deus, para fazermos como também fez com a que pecou, a quem os anciãos puseram diante dele, e deixando o juízo em suas mãos, partiram. Mas Ele, aquele que busca os corações, perguntou-lhe e disse-lhe: Os anciãos condenaram-te, minha filha? Ela disse a ele: Não, Senhor. E ele lhe disse: Vai, e eu não te condeno[11].


Contudo, o caso inda carece de conclusão, pois ainda nos falta mostrar a evidência interna que, ao nosso olhar, nos dá uma luz esclarecedora.            

O estudioso brasileiro, Wilbur Norman Pickering, mais conhecido por Gilberto Pickering, faz um comentário de fácil entendimento e acolhimento. Pikcering diz:


A evidência contra o Texto Majoritário é, aqui, menos fraca do que em qualquer dos exemplos prévios. Mas, assumindo (somente para efeito de raciocínio) que a passagem é espúria, como poderia jamais ter sido introduzida aqui, e de modo tal que é atestada por uns 85% dos MSS? Tentemos ler a passagem maior sem estes versos—temos que ir diretamente de 7:52 para 8:12. Revendo o contexto, os principais sacerdotes e fariseus tinham enviado guardas para prenderem Jesus, sem proveito; uma “discussão” resulta; Nicodemus faz uma colocação, ao que os fariseus respondem: (7:52) “És tu também da Galiléia?  Examina, e verás que da Galiléia nenhum profeta surgiu.” (8:12) “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: ‘Eu sou a luz do mundo.’ ..."  Qual é o antecedente de "lhes", e qual é o  significado de “outra vez" ? Pelas regras normais da gramática, se 7:53-8:11 estão faltando, então "lhes” tem que referir aos "fariseus" e "outra vez" significa que, [nesta conversação], Jesus já lhes dirigira a palavra ao menos uma vez. Mas 7:45 deixa claro que Jesus  não estava lá com os fariseus. Assim, a UBS introduz uma aberração. Mesmo assim, Metzger alega que a passagem (7:53-8:11) "interrompe a sucessão de 7.52 e 8.12ss" (pag. 220)! Procurar pelos antecedentes de 8:12 em 7:37-39 não somente afronta a sintaxe mas também colide contra 8:13 – “os fariseus” respondem à reivindicação que Jesus fez no verso 12, mas "os fariseus" estão em outro lugar, 7:45-52 (se 7:53-8:11 está ausente)[12].
De uma forma mais detalhada Pickering está dizendo o seguinte:


Quando no Evangelho de João é dito que Jesus novamente respondeu-lhes (8:12), faz referência aos fariseus que levaram a mulher a Ele em (8:3), e não aos fariseus de (7:32), como pensam alguns, pois, estes, de acordo com o próprio versículo, em momento algum receberam qualquer palavra ou resposta da parte de Jesus. Ademais, quando o verso (32) é lido com o verso (45), além de mostrarem que os fariseus só tiveram conhecimento do que Jesus falava porque o povo dizia, mostram também que os fariseus não estavam nem próximo ao local da pregação de Jesus uma vez que é dito: “Voltaram, pois, os guardas à presença dos principais sacerdotes e fariseus...” (7:45 ).
            No que diz respeito à objeção de o texto de (8:12) em diante ser  uma continuidade de (7:37-39) nada mais é do que uma falta de atenção na leitura bíblica. Leiamos a forma sugerida e percebamos a incoerência:  

 No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba.
 Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
 Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado. (Jo 7:37-39 ARA)
De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.
Então, lhe objetaram os fariseus: Tu dás testemunho de ti mesmo; logo, o teu testemunho não é verdadeiro. (Joh 8:12-13 ARA)


Ora, para que (8:12) em diante pudesse ser uma continuidade de (7:37-39), os fariseus citados (8:13) precisariam terem ouvido a pregação de Jesus antes; porém, conforme já expusemos, eles não estavam e só ficaram sabendo do que o Mestre falou porque o povo dizia abertamente. 

Isto é, se lermos a história sem os versículos omitidos nos manuscritos e nas citações dos pais, não há qualquer coerência textual, ou seja, ao invés de esclarecer o tema, os que entendem que a história da mulher adúltera não foi escrita por João, só dificulta as coisas sobretudo para eles mesmos. Eles não podem fugir desta fortaleza inexpugnável.

Sim, nós sabemos que não podemos provar de forma cabal que a história constava no Evangelho de João por meio de uma cópia mais antiga do que as disponíveis. No entanto, as evidências externas e internas, seja histórica ou gramatical, favorecem mais a ideia de que João a escreveu do que o oposto.

Ademais, não é porque uma coisa ainda não foi encontrada que ela pode ser taxada como inexistente. Os manuscritos achados um dia foram procurados. Como disse alguém: “A ausência de evidência não é evidência para ausência”.

Diante do exposto, defendemos que Jesus, de fato, perdoou a mulher adúltera.


                       νῦν μηκέτι ἁμάρτανε - agora não peques mais.
                                                                                                      
Por Cristo, Itard Víctor


*Se você gostou das informações, compartilhe com seus amigos*.





[1] Origem e Transmissão do Texto do Novo Testamento. P. 222-231.SBB.
[2] Link de um debate entre Bart D Ehrman e Craig A Evans. Disponível em:< https://www.youtube.com/watch?v=ihU93BTBFDQ&t=6s>. Acesso em 27 de janeiro de 2019.
[3] Com exceção do códice Efraimita o qual conferimos aqui:< http://www.csntm.org/Manuscript/View/GA_04>, os demais citados foram verificados no software Bibleworks9.
[4] A textual Commentary on the Greek New Testament. P. 187-189. Fourth Revised Edition.
[5] Ibidem.
[6] CHAMPLIN, R. Norman. Volume 2. P. 513. HAGNOS.
[7] Coleção Padres Apostólicos. p. 321.  PULUS.
[8] História Eclesiástica. Livro XXX. Capítulo XXXIX.  NOVO SÉCULO.
[9] Disponível em:<http://textualcriticism.scienceontheweb.net/FATHERS/Didymus.html>. Acesso em 28 de janeiro de 2019. Tradução de Antonio Reis.  
[10] Veja a história de Dídimo disponível em:< https://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%ADdimo,_o_Cego>. Acesso em 28 de janeiro de 2018.
[11] Didáscala. Cap 7. Disponível em:< http://www.earlychristianwritings.com/text/didascalia.html>. Acesso em 28 de janeiro de 2019. Tradução de Antônio Reis.
[12] Qual o Texto Original do Novo Testamento. P. 271.

Davi. Rei, mas humilde






                                                                                                              Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                                   Cri, por isso falei




Certa vez, um homem, cujo nome era Ornã ou Araúna, a pedido do rei Davi o qual seguia ordens de um anjo do Senhor, se comprometeu em ceder um terreno juntamente com animais e lenha para o holocausto ao Senhor Todo-Poderoso.

No entanto, Davi não aceita fazer uso daquela terra sem antes pagar um bom preço por ela.

Assim, Davi retirou do seu tesouro 600 ciclos de puro ouro e remunerou o jebuseu Ornã, pois entendia que apenas dessa forma o seu sacrifício teria valor pra Deus. (2 Sm 1 Cr 21: 18-27).

Que lição aprendemos nesse episódio?

Aprendemos que, assim como Davi, podemos investir dinheiro no reino para que haja um valor especial naquilo que queremos oferecer a Ele. O Reino não se mantém apenas com orações e pregação verbal, antes requer, também, investimento financeiro.

Davi, como autoridade máxima naquela ocasião, sobretudo com o aval de um anjo do Senhor, poderia ter tomado por força aquela propriedade, antes, porém, voluntariamente honrou Ornã e a glória de Deus se manifestou em seguida. O que culminou no "embainhar" da espada do anjo o qual o estava destruindo o povo de Israel.

Por Cristo, Itard Víctor.

*Se você gostou das informações, compartilhe com seus amigos*.


A Divindade de Jesus nos Pais Apostólicos





                                                                                                       Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα
                                                                                                            Cri, por isso falei

Hoje, navegando pela internet, nos deparamos com um site cujo número de seguidores é pra se considerar. Não citaremos o nome dele aqui para não fazermos publicidade, além de tudo gratuita, do seu conteúdo o qual ataca de forma impiedosa a Santíssima Doutrina da Trindade. Mas podemos informar aos nossos amados leitores que nele é dito que a doutrina da Divindade do Senhor Jesus não foi e nem é ensonada tanto pelas Escrituras quanto entre os pais da igreja os quais tiveram contato com os apóstolos ou com quem os conheceu, mas ela, a doutrina, veio a partir de um pai da igreja tardio, a saber, Tertuliano (séc II).  

Neste texto não nos preocuparemos em apresentar os textos bíblicos os quais com a clareza do sol ensinam e mostram a Divindade de Cristo, pois neste singelo blog já tratamos disso. Porém, Postaremos confissões a respeito da Divindade de Jesus justamente vindas de alguns dos chamados Pais Apostólicos (séc I), isto é, dos que antecederam Tertuliano.  

 Utilizamos apenas as citações em grego. Não as traduzimos de forma interlinear, mas dinâmica, pois pinçamos expressões com fontes para aos que desejarem conferir; algo que incentivamos a ser feito com base no modelo bereano (At 13:11).  Vamos às confissões.

Inácio aos Efésios

Ιησοῦ Χριστοῦ τοῦ θεοῦ ἡμῶν 1:1
Jesus Cristo nosso Deus

Inácio aos Romanos

Ἰησοῦ Χριστοῦ τοῦ θεοῦ ἡμῶν  1:1
Jesus Cristo nosso Deus

Inácio aos Tralianos

θεοῦ Ἰησοῦ Χριστου 7:1
Jesus Cristo Deus.

Inácio a Policarpo

θεῷ ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστῷ  8:3
Nosso Deus Jesus Cristo.

Clemente aos Coríntios

τοῦ κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ  1:1
Nosso Senhor Jesus Cristo.

τοῦ κυρίου Ἰησοῦ 13:1
Senhor Jesus.

ὁ κύριος Ἰησοῦς Χριστός  16:2
Senhor Jesus Cristo.

τοῦ κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ 20:11
Nosso Senhor Jesus Cristo.

τὸν κύριον Ἰησοῦν Χριστόν 21:6
Senhor Jesus Cristo.

τὸν κύριον Ἰησοῦν Χριστὸν 24:1
Senhor Jesus Cristo.

ὁ κύριος Ἰησοῦς   32:2
Senhor Jesus.

τοῦ κυρίου Ἰησοῦ Χριστου  42:1
Senhor Jesus Cristo.

ὁ κύριος Ἰησοῦς Χριστὸς 58:2
Senhor Jesus Cristo.

τὸν κύριον Ἰησοῦν Χριστὸν  64:1
Senhor Jesus Cristo.

τοῦ κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ 65:2
Nosso Senhor Jesus Cristo.

Policarpo aos Filipenses

τῷ κυρίῳ ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστω 1:1
Nosso Senhor Jesus Cristo.

Martírio de Policarpo

κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστου 1:1
Nosso Senhor Jesus Cristo.

τὸν κύριον ἡμῶν Ἰησοῦν Χριστόν 19:2
Nosso Senhor Jesus Cristo.

ὁ κύριος Ἰησοῦς Χριστὸς (Mpo 22:3 APF)
Senhor Jesus Cristo.

Epístola de Barnabé

τοῦ κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ 2:6
Nosso Senhor Jesus Cristo.

κυρίου Ἰησοῦ  14:5
Senhor Jesus

E finalizamos com a citação contida na Didaché, feita primariamente pelo apóstolo Mateus (28:19), pela qual demonstra Jesus é pé de igualdade com Deus Pai e com Deus Espírito Santo quanto à autoridade no batismo, pois é Divino:


Περὶ δὲ τοῦ βαπτίσματος οὕτω βαπτίσατε ταῦτα πάντα προειπόντες βαπτίσατε εἰς τὸ ὄνομα τοῦ πατρὸς καὶ τοῦ υἱοῦ καὶ τοῦ ἁγίου πνεύματος ἐν ὕδατι ζῶντι (Did 7:1)



Há também declarações que podem ser lidas noutros idiomas, como, por exemplo, Policarpo aos Filipenses em Latim: “domini nostri Iesu Christi” e “dominum nostrum Iesum Christum”  (Nosso Senhor Jesus Cristo 12:2), as quais julgamos desnecessárias para o objetivo presente, uma vez que as em gregos são suficientes.

Por Cristo, Itard Víctor

*Se você gostou das informações, compartilhe com seus amigos*.




sexta-feira, 24 de maio de 2019

O Adventismo em Xeque?











        Hoje, conversando com amigos capazes acerca do capítulo 10 do livro do profeta Daniel, tivemos a curiosidade de procurar saber o que a literatura teológica diz a respeito do ser o qual apareceu a Daniel entre os versículos 5 e 10.

Quanto às opiniões, como de costume entre estudiosos, há divergências. Os estudiosos do A. Testamento, Keil e Delitzh, por, exemplo, entendem que era Jesus: “o אִישׁ (homem) visto por Daniel não era um anjo-príncipe comum, mas uma manifestação de Jeová, isto é, o Logos[1]”. Eles enxergam, sem dúvidas, semelhanças em alguns detalhes contidos no ser, que a maioria dos cristãos entendem que era Jesus em (Ap 1:13:18) e no visto por Daniel. O que de fato há:

“E levantei os meus olhos, e olhei, e eis um homem vestido de linho, e os seus lombos cingidos com ouro fino de Ufaz; E o seu corpo era como berilo, e o seu rosto parecia um relâmpago, e os seus olhos como tochas de fogo, e os seus braços e os seus pés brilhavam como bronze polido; e a voz das suas palavras era como a voz de uma multidão. [...] Fiquei, pois, eu só e vi esta grande visão, e não ficou força em mim; e transmudou-se em mim a minha formosura em desmaio, e não retive força alguma. Contudo, ouvi a voz das suas palavras; e, ouvindo a voz das suas palavras, eu caí com o meu rosto em terra, profundamente adormecido. E eis que uma mão me tocou e fez que me movesse sobre os meus joelhos e sobre as palmas das minhas mãos. (Dan 10:5-10 ARC)

“E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro. E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo; E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas. E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece. E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último; E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno”. (Ap 1:13-18 ACF)

Contrariando keil e Delitzh , Norman Champlin entendeu que era um anjo comum:
Encontramos descrições similares sobre Cristo em Ap 1.13-16, mas isso não justifica a interpretação como visão do Cristo pré-encarnado. Não se poderia dizer que Cristo estava impedido por um príncipe da Pércia (ver Dn 10.13) ou por alguma entidade angelical ou demoníaca [2].

Seguindo o mesmo raciocínio de Keil e Delitzh, a profetisa adventista, Ellen G White, tida como infalível quanto a tudo quanto escreveu[3], tem uma declaração pela qual pode decepcionar qualquer um dos seus defensores, pois, de acordo com o seu comentário sobre (Dn 10:5-6), Jesus, o Filho de Deus, foi quem apareceu ao profeta Daniel.  Ademais, para White, o personagem que revela a Daniel que lutou contra um ser do mal durante 21 dias era o anjo Gabriel, algo que corrobora com a ideia de que o ser que aparece na primeira visão era de Jesus. 

Assim sendo, sistematicamente e com a clareza da luz solar, Ellen Gould White disse que Jesus apareceu num momento, Gabriel noutro e Miguel noutro, negando assim a possibilidade de Jesus ser o arcanjo Miguel. Vejamos o que ela disse:

Ninguém menos que o Filho de Deus apareceu a Daniel. Sua descrição é semelhante àquela apresentada por João quando Cristo lhe apareceu na ilha de Patmos. Nosso Senhor vem agora com outro mensageiro celestial para mostrar a Daniel o que ocorreria nos últimos dias. Esse conhecimento foi dado a Daniel e registrado por inspiração para nós, sobre quem os fins dos séculos têm chegado (VA, 144; Review and Herald, 8 de fevereiro de 1881).[4]

12, 13. Boas sugestões versus más sugestões.  Através disso vemos que os agentes celestiais têm de lutar contra obstáculos para que o propósito de Deus seja cumprido no devido tempo. O rei da Pérsia era controlado pelo mais elevado de todos os anjos maus. Como o faraó, ele recusava obedecer à palavra do Senhor. Gabriel declarou: Ele "me resistiu por vinte e um dias" [Dn 10:13] por suas representações contra os judeus. Porém, Miguel veio em sua ajuda, e então ele permaneceu junto aos reis da Pérsia, restringindo os poderes, dando boas sugestões em oposição às más. (Carta 201, 1899 apud Comentários de Ellen G. White Isaías-Malaquias).[5] 

Nosso Senhor vem agora com outro mensageiro celestial para mostrar a Daniel o que ocorreria nos últimos dias. — The Review and Herald, 8 de Fevereiro de 1881.[6]

Daniel... não conseguiu olhar o rosto do anjo, e já não possuía forças. Estas haviam desaparecido. Portanto, o anjo veio até ele e o colocou de joelhos. Ainda assim não conseguiu contemplar o anjo. Este apresentou-se então com aparência humana. Assim o profeta conseguiu suportar a visão. - Manuscript Releases 2:348.[7]

[Ciro], o rei [persa], resistira durante vinte e um dias às impressões do Espírito de Deus, enquanto Daniel jejuava e orava. Entretanto, o Príncipe do Céu, o arcanjo Miguel, foi enviado para modificar o coração do obstinado rei, de modo a tomar uma decisão que respondesse à oração de Daniel. — The Review and Herald, 8 de Fevereiro de 1881.[8]

Para Ellen White a sequência de Dn 10 é sistematizado assim:

a)      Jesus aparece a Daniel no versículo 5;

b)      Gabriel no verso 10;

c)      Miguel na narrativa do verso 13.

Logo, Se a mulher de maior autoridade na Igreja Adventista do Sétimo Dia, Ellen Gould White, explicou várias vezes que no 10º capítulo do livro de Daniel 3 seres espirituais do bem, mas distintos, apareceram atuando em favor do profeta, a crença de que o Senhor Jesus, Criador do anjos (Jo 1:1-3; Cl 1:17; Ap 1:8,21:6,22:13) é o anjo Miguel,  entrou assombrosamente em Xeque!




[1] Comentário do Antigo Testamento: < https://www.studylight.org/commentaries/kdo/daniel-10.html>. Acesso em 24 de maio de 2019.

[2] O Antigo Testamento Interpretado. Vol. 4. HAGNOS

[3] “Os testemunhos orais ou escritos da Sra. White preenchem plenamente este requisito, no fundo e na forma. Tudo quanto disse e escreve foi puro, elevado, cientificamente correto e profeticamente exato”. (CHRISTIANINI, Arnaldo B. Subtilezas Do Erro. p. 35. 1965. CPB).

[4] 
<https://m.egwwritings.org/pt/book/1944.804?hl=Ningu%C3%A9m+menos+que+o+Filho+de+Deus+apareceu+a+Daniel&ss=eyJ0b3RhbCI6MSwicGFyYW1zIjp7InF1ZXJ5IjoiTmluZ3XDqW0gbWVub3MgcXVlIG8gRmlsaG8gZGUgRGV1cyBhcGFyZWNldSBhIERhbmllbCIsInR5cGUiOiJiYXNpYyIsImxhbmciOiJwdCIsImxpbWl0IjoyMH0sImluZGV4IjowfQ%3D%3D#807>. Acesso em 24 de maio de 2019.

[5] 
<http://arquivosadventistas.org/arquivos/Manuais%20e%20Livros/Livros/Comentario%20Biblico%20Adventista/Antigo%20Testamento/0%20-%20Comentarios%20EGW%20-%20Isaias%20a%20Malaquias.pdf?fbclid=IwAR1b78Kae1EI4UhVnscgYVpg-bhQwLF5rHxTEySo-ESuj6PEFbc5Y6opeU0>. Acesso em 24 de maio de 2019.

[6] 
<https://m.egwwritings.org/pt/search?query=Nosso+Senhor+vem+agora+com+outro+mensageiro&type=basic&limit=20&index=0>. Acesso em 24 de maio de 2019.

<https://m.egwwritings.org/pt/book/1944.804?hl=o+anjo+veio+at%C3%A9+ele++&ss=eyJ0b3RhbCI6NSwicGFyYW1zIjp7InF1ZXJ5IjoibyBhbmpvIHZlaW8gYXTDqSBlbGUgICIsInR5cGUiOiJiYXNpYyIsImxhbmciOiJwdCIsImxpbWl0IjoyMH0sImluZGV4IjozfQ%3D%3D#809>. Acesso em 24 de maio de 2019.

<https://m.egwwritings.org/pt/book/1944.804?hl=Miguel+&ss=eyJ0b3RhbCI6NjQsInBhcmFtcyI6eyJxdWVyeSI6Ik1pZ3VlbCAiLCJ0eXBlIjoiYmFzaWMiLCJsYW5nIjoicHQiLCJsaW1pdCI6IjIwIn0sImluZGV4IjoyMX0%3D#806>.  Acesso em 24 de maio de 2019.


        

Por Cristo, Itard Víctor

*Se você gostou das informações, compartilhe com seus amigos*.

terça-feira, 21 de maio de 2019

5 legítimos ou 5 ilegítimos?






Relendo o episódio neotestamentário o qual envolveu uma mulher samaritana e Jesus, tivemos nossa atenção voltada para os 5 maridos os quais são mencionados via revelação divina; algo que nos levou a um questionamento:

A mulher samaritana havia tido 5 casamentos legítimos ou 5 ilegítimos?

Alguns, que parecem ter tido a mesma curiosidade que a nossa, interpretaram que esses 5 maridos, na verdade, eram 5 maridos espirituais ou deuses, já que os samaritanos tinham outros deuses além de Javé[1]. Mas, seria essa a interpretação histórica e gramatical do episódio em Sicar?
Bem, se usarmos as ferramentas de interpretação textual, a saber, hermenêutica e exegese, é possível termos uma outra interpretação.

De acordo com a narrativa de (Jo 4), Jesus pede para a samaritana chamar o seu marido. Observem que ao dizer que não tinha marido, Jesus disse que ela respondeu bem, pois havia tido 5. Os 5 homens conectados à resposta da mulher, textualmente, refere-se aos 5 maridos os quais a samaritana havia tido, já que o pedido foi para ela chamar o marido. Ademais, as 5 ocorrências da palavra marido no texto são traduzidas de ἄνδρα (andra) que vem de ἀνήρ (anēr); esta, por sua vez, usada por Paulo ao tratar de casamento (Rm 7; 1Co7). Otrossim, a palavra anēr, com base no TDNT[2] : “...denota a espécie humana como distinto de monstros fabulosos ou deuses...”.  Logo, a ideia de maridos deuses parece ser desconexa.

Se eram homens, é preciso ainda esclarecer se os tais viveram ao lado da samaritana de forma legítima ou ilegítima.

Bom, Jesus não entrou em detalhes quanto à legitimidade dos relacionamentos da mulher, senão a do que ela estava vivendo por último (Jo 4:18).

Todavia, quando levamos em conta que nas civilizações antigas era normal mulheres ficarem viúvas se casadas fossem com militares os quais quase sempre morriam em combates, ou com homens mais velhos os quais estavam mais aptos a ter doenças, não é ilógico pensar que a samaritana fosse viúva de 5 maridos legítimos. No Brasil, por exemplo, há casos de mulheres que estão na 2ª e na 3ª viuvez[3].

Mas não poderia ser 5 casamentos ilegítimos ou adúlteros? O contexto da época, não mostra uma mulher - hexa-adúltera - podendo viver tranquilamente sendo reincidente no crime de adultério o qual tinha pena capital (Lv 20:10). Embora houvesse uma discórdia entre judeus e samaritanos, ambos criam no que determinou Moisés via Lei, inclusive na vinda do Messias (Jo 4: 25-29). Aliás, há até o Pentateuco Samaritano. Havia samaritanos que tinham mais testemunhos de vida do que os judeus “zelosos” da Lei, basta lembrarmos do leproso samaritano que foi agradecer a Jesus pela cura (Lc 17:11-19) e do bom samaritano da parábola (Lc 10:30-37). Assim, não enxergamos a possibilidade de 5 casamentos ilegítimos.

Outra possibilidade é que a samaritana tivesse recebido 5 cartas de divórcios as quais eram permitidas pela Lei de Moisés (Dt 24:1-4).

E, por fim, não podemos descartar também a possibilidade duma mesclagem na vida da samaritana, isto é,  ter sido tanto viúva como repudiada com carta de divórcio, por exemplo: 3 viuvez e 2 divórcio.  

Assim sendo, a possibilidade de 5 relacionamentos legítimos e 1 ilegítimo parece ser o melhor entendimento no Texto.


Por Cristo, Itard Víctor

*Se você gostou das informações, compartilhe com seus amigos*.



[1] <http://www.abiblia.org/ver.php?id=2185>. Acesso em 21 de maio de 2019.
<file:///C:/Users/Cliente/Downloads/OS_CINCO_MARIDOS_DA_MULHER_SAMARITANA_-.pdf>. Acesso em 21 de maio de 2019.
<https://estudodedeus.com.br/quem-sao-os-cinco-maridos-da-mulher-samaritana/>. Acesso em 21 de maio de 2019.
[2] Dicionário Teológico do Novo Testamento.
[3] < https://www.somostodosum.com.br/clube/artigos/autoconhecimento/viuva-3-vezes-40957.html>. Acesso em 21 de maio de 2019.



domingo, 12 de maio de 2019

O que dizem alguns respeitáveis intérpretes sobre Febe?

. 




John Wesley

Recomendo-te Febe, nossa irmã, que é serva da igreja que está em Cencréia; recomendo-te Febe - O portador desta carta. Uma serva - A palavra grega é um diácono.
Da igreja em Cencréia - Na era apostólica, algumas mulheres sérias e piedosas eram apontadas como diaconisas em todas as igrejas. Era o ofício delas, não ensinar publicamente, mas visitar os enfermos, em particular as mulheres, e ministrar a ambos em suas necessidades temporais e espirituais. (Wesley's Explanatory Notes)

Archibald Thomas Robertson

Recomendo (συνιστημι - sunistēmi). A palavra regular para cartas de recomendação como em 2 Coríntios 3: 1 (συστατικων επιστολων - sustatikōn epistolōn). Veja também Romanos 3: 5. Então aqui Romanos 16: 1, Romanos 16: 2 constitui a recomendação de Paulo a Febe, a portadora da epístola. Nada mais se sabe dela, embora seu nome (Ποιβη - Phoibē) signifique brilhante ou radiante. Irmã (αδελπην - adelphēn). Em Cristo, não na carne.

Quem é um servo da igreja (ουσαν διακονον της εκκλησιας - ousan diakonon tēs ekklēsias). A etimologia de διακονος - diakonos nós tivemos repetidamente. A única questão aqui é se ela é usada em um sentido geral ou em um sentido técnico, como em Filemom 1: 1; 1 Timóteo 3: 8-13. Em favor do sentido técnico de "diácono" ou "diaconisa" é a adição de "της εκκλησιας - tēs ekklēsias" (da igreja). De certo modo, Phoebe era serva ou ministra da igreja em Cencréia. Além disso, bem no meio da discussão em 1 Timóteo 3: 8-13, Paulo tem uma discussão sobre γυναικας - gunaikas (1 Timóteo 3:11) ou como mulheres como diaconisas ou como esposas de diáconos (menos provável, embora possível). As Constituições Apostólicas têm inúmeras alusões às diaconisas. A estrita separação entre os sexos tornava as diaconisas necessárias para o batismo, visitando as mulheres, etc. Cenchreae, como o porto oriental de Corinto, exigia muitos serviços desse tipo. Se as diaconisas eram uma organização separada, a par dos diáconos, não sabemos nem se eram as viúvas aludidas em 1 Timóteo 5: 9. (Robertson's Word Pictures in the New Testament).

João Calvino 

Ele primeiro elogia a Phoebe, a quem ele deu esta epístola a ser trazida a eles; e, em primeiro lugar, ele a elogia por causa de seu ofício, pois desempenhou a função mais honrada e santíssima da Igreja; e então ele acrescenta outra razão pela qual eles deveriam recebê-la e mostrar-lhe toda bondade, pois ela sempre foi uma auxiliadora para todos os piedosos. Como então ela era assistente da Igreja Cenchrean, ele pede que por causa disso ela seja recebida no Senhor; e adicionando como é o encontro para os santos, ele insinua que seria impróprio os servos de Cristo não mostrar sua honra e bondade. [...] Mas este serviço, do qual ele fala sobre o que era, ele nos ensina em outro lugar, em 1 Timóteo 5: 9, pois assim como os pobres eram apoiados do tesouro público da Igreja, assim eles foram cuidados por aqueles em cargos públicos, e por essa acusação foram escolhidas viúvas, que, estando livres de preocupações domésticas, e não sendo incomodadas por nenhum filho, desejavam se consagrar totalmente a Deus por deveres religiosos, portanto, eram recebidas neste ofício como aquelas que haviam desistido completamente. (Calvin's Commentary on the Bible).

Adam Clarke 

Phoebe é aqui chamada de serva, διακονον, uma diaconisa da Igreja em Cenchrea. Havia diáconas na Igreja primitiva, cujo negócio era atender às mulheres convertidas no batismo; instruir os catecúmenos, ou pessoas que foram candidatas ao batismo; visitar os enfermos e os que estavam na prisão e, em suma, realizar os ofícios religiosos para a parte feminina da Igreja que, com propriedade, não poderiam ser realizados pelos homens. Elas eram escolhidos em geral dentre os mais experientes da Igreja, e eram normalmente viúvas, que tinham filhos. Algumas constituições antigas exigiam que elas fossem quarenta, outros cinquenta e outros sessenta anos de idade. É evidente que elas foram ordenadas ao seu ofício pela imposição das mãos do bispo; e a forma de oração usada na ocasião é existente nas constituições apostólicas. No décimo ou décimo primeiro século, a ordem tornou-se extinta na Igreja latina, mas continuou na Igreja grega até o final do século XII. (Adam Clarke Commentary).

Jamieson, Fausset e Brown seguem a mesma linha dos anteriores citados.

Recomende-vos a Phoebe nossa irmã, que é uma serva - ou "diaconisa" da igreja que está em Cenchrea - A palavra é "Cenchreae", a parte oriental de Corinto (Atos 18:18). Que nas igrejas mais antigas havia diaconisas, para atender às necessidades dos membros femininos, não há boas razões para duvidar. Tão cedo pelo menos como o reinado de Trajano, aprendemos com a célebre carta de Plínio a esse imperador - a.d. 110, ou 111 - que existiam nas igrejas orientais. De fato, a partir da relação em que os sexos se colocavam entre si, algo desse tipo parece ter sido uma necessidade. Tentativas modernas, no entanto, de reviver esse ofício, raramente encontraram favor; ou do estado alterado da sociedade, ou do abuso do cargo, ou ambos. (Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible).

Charles John Ellicott

Phebe. - Como a Igreja Romana é especialmente exortada a receber Phebe, infere-se que ela foi uma das partes a quem São Paulo confiou sua Epístola, se não a própria portadora dela. Nossa irmã - ou seja, em um sentido espiritual - um companheiro cristão.
Servo.- Pelo contrário, uma diaconisa, mantendo o termo técnico. Os diáconos foram originalmente designados para atender às necessidades dos membros mais pobres da Igreja. Esta é a primeira menção de mulheres-diáconos, em relação a quem as instruções são dadas a Timóteo (1 Timóteo 3:11). A necessidade de uma ordem de diaconisas gradualmente se faria sentir onde as mulheres eram mantidas em uma reclusão mais rigorosa, como na Grécia e em algumas partes do Oriente. Cenchrea. - O porto de Corinto, à frente do Golfo Oriental ou Sarónico, a cerca de nove quilômetros da cidade. (Ellicott's Commentary for English Readers).

William Robertson Nicoll

Agora, primeiro, ele não deve esquecer a mulher piedosa que é - assim certamente podemos assumir - tomar conta deste inestimável pacote e entregá-lo em Roma. Não sabemos nada de Phoebe, mas desta breve menção. Não podemos, talvez, estar formalmente certos de que ela é aqui descrita como uma funcionária da Igreja, uma "diaconisa" no sentido daquela palavra familiar em desenvolvimentos posteriores da ordem da Igreja - uma mulher separada pela imposição de mãos, designada para investigar e aliviar a angústia temporal e ser a professora de inquiridoras femininas na missão. Mas há pelo menos uma grande probabilidade de que algo assim fosse sua posição; pois ela não era apenas uma cristã ativa, ela era "ministra da Igreja". (Expositor's Bible Commentary)

Philip Schaff

Fosse nossa irmã; um crente cristão; esse é o motivo geral para recebê-la. Quem é uma diaconisa, etc.
Esta é a razão especial, em vista da fidelidade com que ela cumpriu seu dever (Romanos 16: 2). Está implícito que ela ocupou essa posição na época em que Paulo escreveu. A palavra aqui usada pode significar "servo", mas é improvável que este seja o sentido, uma vez que havia diaconisas na igreja cristã durante o primeiro século, sendo seu dever cuidar dos doentes e dos pobres, e de estranhos, no porção feminina das igrejas. A separação rígida dos sexos tornou isso mais necessário. O costume continuou por séculos na igreja grega. Na igreja protestante, o ofício de diaconisa foi recentemente revivido. A Igreja Católica Romana tem, como é bem sabido, ordens especiais de mulheres celibatárias para desempenhar os deveres pertencentes a este ofício. O termo aqui usado pode ser masculino ou feminino. Alguns consideram as "viúvas" mencionadas em 1 Timóteo 5: 3-16 como diaconisas, uma nova oposição de Neandro; veja essa passagem, e Schaff, igreja apostólica, p. 535, onde a identidade é defendida, Phebe era o portador da carta, senão nenhuma menção especial teria sido necessária. Da maneira independente de seus movimentos, infere-se que ela era viúva. (Schaff's Popular Commentary on the New Testament).


Marvin Vincent

Febe. O portador da epístola. A palavra significa brilhante. No grego clássico, um epíteto de Artemis (Diana), a irmã de Phoebus Apollo.
Servo (διάκονον)

A palavra pode ser masculina ou feminina. Comumente explicado como diaconisa. O termo διακόνισσα deaconessis encontrado apenas no grego eclesiástico. As “Constituições Apostólicas” distinguem diaconisas de viúvas e virgens, prescrevem seus deveres e uma forma para sua ordenação. Plínio, o mais novo, sobre a.d. 104, parece referir-se a eles em sua carta a Trajano, na qual ele fala da tortura de duas empregadas que eram chamadas de minestrae (ministras do sexo feminino). O escritório parece ter sido confinado principalmente a viúvas, embora as virgens não fossem absolutamente excluídas. Seus deveres eram cuidar dos doentes e dos pobres, ministrar aos mártires e confessores na prisão, instruir os catecúmenos, auxiliar no batismo das mulheres e exercer uma supervisão geral sobre as mulheres membros da igreja. Tryphaena, Trifosa e Persis (Romanos 16:12) podem ter pertencido a essa classe. Veja 1 Timóteo 5: 3-16. Conybeare ("Vida e Epístolas de São Paulo") assume que Phoebe era viúva, alegando que ela não podia, segundo os costumes gregos, ter sido mencionada como agindo da maneira independente descrita, ou se o marido vivia, ou ela não era casada. Renan diz: “Phoebe carregava sob as dobras de seu manto todo o futuro da teologia cristã”. (Vincent's Word Studies)


Por Cristo, Itard Víctor

*Se você gostou das informações, compartilhe com seus amigos*.


Fonte dos comentários: <https://www.studylight.org/commentaries>. Acesso em 12 de maio de 2019.