quarta-feira, 29 de maio de 2019

O Sumo Sacerdote e a Lenda da corda





                                                                                               
                                                                                                                   Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα
                                                                                                                        Cri, por isso falei




Você, na denominação onde congrega, deve ter ouvido uma história a respeito do sumo sacerdote o qual, no Dia da Expiação, usava uma corda amarrada na cintura para fins de remoção do seu corpo, caso adentrasse no Lugar Santo e viesse a morrer por ter ousado fazer o sacrifício em um nível mais intenso de pecado. Pois bem, essa história, além de modificada, vem do Zohar, um escrito judaico o qual surgiu na Espanha por volta do século XIII, cujo conteúdo é extremamente MÍSTICO. Nele está escrito assim:

Uma corrente foi amarrada aos pés do Sumo Sacerdote quando ele entrou no Santo dos Santos, de modo que, se ele morrer lá, eles o tirarão, pois é proibido entrar lá. Como eles sabiam se ele estava vivo ou não? Por uma tira de cor carmesim. Se sua cor não se tornasse branca, era conhecido naquele tempo que o padre estava lá em pecado. E se ele saísse em paz, era conhecido e reconhecido pela cinta carmesim que ficava branca… Se não… todos sabiam que a oração deles não era aceita. Emor 102a[1]

Todavia, a tal fonte vai totalmente na contramão do Texto Bíblico pelo qual somos informados com todos os detalhes quais objetos o sumo sacerdote teria que usar no ritual do perdão (Ex 28 e Lv 16). Ademais, o grande comentarista do judaísmo, Flávio Josefo (37-103 d.C), não fala nada a respeito da prática do livro místico, mesmo tendo sido sacerdote em Jerusalém[2].
Contudo, ainda que algum historiador ou comentarista, inclusive o respeitável Josefo, tivesse corroborado com o Zohar, tal fonte não deveria ter qualquer credibilidade da parte da Igreja, pois, as Escrituras, são claras como o sol quando dizem que o sumo sacerdote, antes de adentrar no Santo dos santos para fazer expiação pelos pecadores, se purificava (Lv 16:4), quer dizer, garantia sua entrada em estado de “pureza” para depois fazer sua expiação diante de Deus, o que já descarta totalmente a tal entrada em pecado. 
Mas se em caso de mal súbito (um infarto) como ele seria retirado do Lugar Santíssimo se era permitido apenas ao sumo sacerdote estar na Tenda, conforme (Lv 16:17)? É uma pergunta lógica que deve ser respondida também com uma resposta lógica. A resposta está no próprio versículo e na lógica do ritual:
Nenhum homem estará na tenda da congregação quando ele entrar para fazer propiciação no santuário, até que ele saia depois de feita a expiação por si mesmo, e pela sua casa, e por toda a congregação de Israel.
O texto diz: “até que ele saia”. Se os hebreus percebessem que o sumo sacerdote havia ultrapassado o tempo normal do ritual, poderiam verificar o que poderia ter ocorrido para atrasar ou interromper o ritual. Se a causa para o atraso fosse a morte do sumo, outro sacerdote poderia tomar o seu lugar e em seguida dar continuidade à obra (Ex 29:29-30), pois, O Dia da Expiação, não poderia ficar para o dia seguinte, haja vista ter data certa para acontecer (Lv 23:27).
Assim sendo, fiquemos com as Escrituras e desprezemos os ensinos sectários que adentram no seio da Igreja os quais tem o poder de nos levar além das escrituras (1Co 4:6).
                                                                 
Por Cristo, Itard Víctor

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[1] Disponível em:<https://news.ag.org/features/the-myth-of-the-high-priests-rope>.
[2] No início do livro, História dos Hebreus, Josefo diz: “Meu pai chamava-se Matatias. Meu nome é Josefo, e sou hebreu de nascimento, sacerdote em Jerusalém”.

A Perícope da Mulher Adúltera - The Pericope of Adulterous Woman





                                                                                                                     Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                                           Cri, por isso falei

                                          

No meio acadêmico, há divergências no que diz respeito à conhecida narrativa da mulher achada em adultério.

De um lado, há os que defendem que a narrativa foi acrescentada por um copista no processo de transmissão, ou seja, é uma narrativa tardia, João não a escreveu, já que não consta em alguns documentos antigos de grande importância para a reconstrução do texto original. Dentre esses, citamos aqui cristãos, membros de igrejas não ortodoxas, como, por exemplo, o adventista Paroschi[1], e aqueles que duvidam da Fidelidade de todo o Novo Testamento como o ex-cristão e pesquisador do assunto, Bart D. Ehrman[2].

Do outro lado, há os que defendem que a história, além de verdadeira, foi registrada por João no processo de inspiração, pois consta em alguns documentos antigos.

A seguir mostraremos o que temos a respeito do tema e qual a melhor conclusão a ser abraçada.


Manuscritos que “pulam” de Jo 7:52 para 8.12:
Séc III  ➜ Papiro-66 e Papiro-75.
Séc IV ➜ Códices Sinaítico e Vaticano.
Séc V  ➜ Códice Washingtoniano.

Manuscritos que omitem todo o capítulo 7 e 8:
Séc V  ➜ Códices Alexandrino e Efraimita.

Manuscrito que contém a narrativa da mulher adúltera:
Séc V  ➜ Códice Bezae[3].


Nos séculos sexto e sétimo a narrativa é inexistente. Todavia ela volta a aparecer no códice Basiliense do séc VIII. Vejamos a exposição de um Aparato Crítico sobre a passagem tratada:







Pais da Igreja

De acordo com o falecido presbiteriano e crítico textual, Bruce Metzger, há manuscritos e versões antigas do Oriente as quais não contêm a narrativa, a saber, a siríaca, a saídica, a subacmímica e boaírica. Também, segundo ele, há ausência em versões georgianas, na gótica e em muitos manuscritos da Antiga Latina. De acordo ainda com Metzger, além de serem os responsáveis por apresentarem a história da mulher adúltera e, de forma consciente a sinalizarem como uma passagem que não constava no original, os copistas a colocaram após (Jo 7:36), (Jo 7:44), (Jo 21:25) e até (Lc 21.38)[4]. Isto é, a ideia é que não havia consenso entre os copistas quanto à localidade no Texto.

No que diz respeito aos doutores da Igreja, como, por exemplo, Orígenes (187d. C), João Crisóstomo (347d.C) Cirilo de Alexandria (378d.C), os quais comentaram o Evangelho, há omissão do relato. Aliás, Metzger chegou a dizer que nenhum dos pais da Igreja grega fez qualquer menção até Eutímio (séc XII) quando este afirmou não haver a narrativa nas cópias corretas de João[5].

Já entre os doutores latinos, como, Paciano de Barcelona (310 d.C), Ambrósio de Milão (340d.C), Agostinho (354d.C) e Jerônimo  (347d.C), há inclusão do relato[6].

Todavia, no Fragmento de Papias (70-140 d.C)[7], o qual o historiador Eusébio de Cesaréia (265 d.C) teve conhecimento, contém uma narrativa acerca de uma certa mulher acusada de pecados diante de Jesus:

O mesmo escritor utiliza testemunhos tomados da primeira carta de João, e igualmente da de Pedro, e expõe também outro relato de uma mulher acusada de muitos pecados ante o Senhor, que está contida no Evangelho dos hebreus. Que conste também isto, além do que já havia exposto[8].

Seguindo ou aparentando seguir a mesma linha histórica de Papias, o admirador de Orígines, Dídimo, o Cego (313d.C), que era da mesma região de Cirilo de Alexandria, que não tratou da narrativa, disse o seguinte em seu comentário sobre Eclesiastes:

 Encontramos em certos evangelhos que uma mulher, diz, foi condenada pelos judeus por um pecado e estava sendo enviada para ser apedrejada no lugar onde era costume ser feito. O salvador, diz, quando a viu e observou que eles estavam preparados para apedrejá-la, para aqueles que pretendiam lançar as pedras sobre ela, disse: ' Aquele que não pecou, levante uma pedra e lance-a'. … 'Se alguém pensa que não pecou, pegue uma pedra e feri-la'. E ninguém se atreveu, pois eles entendiam entre si e sabiam que eles mesmos também eram culpados em algumas coisas, de modo que não ousaram atacá-la ”.    .[9]


Até o momento a situação é a seguinte:

No século II há uma citação via um pai apostólico a qual é conhecida no século III sobre uma pecadora.

Em manuscritos bíblicos do século III ao IV há omissão do episódio da mulher adúltera.

Dos 4 manuscritos bíblicos do século V apenas 1 contém o episódio.

Nos escritos dos pais da Igreja do século IV há uma considerável divergência sobretudo na mesma região, como no caso de Dídimo e Cirilo os quais eram de Alexandria.


Analisando os pontos altos e baixos:

Bem, não é possível, apenas com o que temos, dizer que Papias e Dídimo estão categoricamente falando da história clássica da mulher adultera. Mas algumas questões podem ser levantas aqui:


1-      Papias diz que a história da mulher estava num evangelho aos hebreus. Hipoteticamente ele pode ter se referido ao Evangelho de João o qual foi, de fato, também escrito para hebreus ou judeus de fala grega;


2-      Dídimo diz que a história de uma mulher pecadora estava em certos evangelhos e, além disso, que a mulher foi levada para ser morta num lugar que era próprio para execução. Isso pode não corroborar com a narrativa clássica, pois, Jesus, estava no Templo (Jo 8:1-4) e, os apedrejamentos, ocorriam distante dos “puros” (Lv 24:14; Nm 15:32-36; At 7:58). Por outro lado, não podemos exigir muito de alguém que era cego desde criança[10]. Contar uma história com todos os detalhes apenas a ouvido é muito mais difícil do que a lendo ou a vivendo; basta a gente lembrar das muitas vezes as quais não conseguimos citar um só versículo da Bíblia sem que fosse necessário olhar nEla. Hipoteticamente, Dídimo poderia ter se referido às cópias do Evangelho de João, já que não há a história da mulher adúltera em outros evangelhos.


Não podemos negar que há um rastro pela história da Igreja onde uma ou umas mulheres estiveram em situações semelhantes a da mulher adúltera. Rastro esse que, além de ser muito coincidente, antecede os papiros mais antigos anteriormente citados os quais omitem o testemunho, já que Papias era de (70 d.C) principalmente quando o somamos a uma outra antiga citação contida na Didascalia, obra esta escrita por volta do início do século III (o que nos faz depreender que o relato, assim como o de Pápias, estava no e antes do século II). O texto diz:


Se, porém, não receberes o que se arrepende, porque és sem misericórdia, pecarás contra o Senhor Deus; porque não obedeces ao nosso Salvador e ao nosso Deus, para fazermos como também fez com a que pecou, a quem os anciãos puseram diante dele, e deixando o juízo em suas mãos, partiram. Mas Ele, aquele que busca os corações, perguntou-lhe e disse-lhe: Os anciãos condenaram-te, minha filha? Ela disse a ele: Não, Senhor. E ele lhe disse: Vai, e eu não te condeno[11].


Contudo, o caso inda carece de conclusão, pois ainda nos falta mostrar a evidência interna que, ao nosso olhar, nos dá uma luz esclarecedora.            

O estudioso brasileiro, Wilbur Norman Pickering, mais conhecido por Gilberto Pickering, faz um comentário de fácil entendimento e acolhimento. Pikcering diz:


A evidência contra o Texto Majoritário é, aqui, menos fraca do que em qualquer dos exemplos prévios. Mas, assumindo (somente para efeito de raciocínio) que a passagem é espúria, como poderia jamais ter sido introduzida aqui, e de modo tal que é atestada por uns 85% dos MSS? Tentemos ler a passagem maior sem estes versos—temos que ir diretamente de 7:52 para 8:12. Revendo o contexto, os principais sacerdotes e fariseus tinham enviado guardas para prenderem Jesus, sem proveito; uma “discussão” resulta; Nicodemus faz uma colocação, ao que os fariseus respondem: (7:52) “És tu também da Galiléia?  Examina, e verás que da Galiléia nenhum profeta surgiu.” (8:12) “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: ‘Eu sou a luz do mundo.’ ..."  Qual é o antecedente de "lhes", e qual é o  significado de “outra vez" ? Pelas regras normais da gramática, se 7:53-8:11 estão faltando, então "lhes” tem que referir aos "fariseus" e "outra vez" significa que, [nesta conversação], Jesus já lhes dirigira a palavra ao menos uma vez. Mas 7:45 deixa claro que Jesus  não estava lá com os fariseus. Assim, a UBS introduz uma aberração. Mesmo assim, Metzger alega que a passagem (7:53-8:11) "interrompe a sucessão de 7.52 e 8.12ss" (pag. 220)! Procurar pelos antecedentes de 8:12 em 7:37-39 não somente afronta a sintaxe mas também colide contra 8:13 – “os fariseus” respondem à reivindicação que Jesus fez no verso 12, mas "os fariseus" estão em outro lugar, 7:45-52 (se 7:53-8:11 está ausente)[12].
De uma forma mais detalhada Pickering está dizendo o seguinte:


Quando no Evangelho de João é dito que Jesus novamente respondeu-lhes (8:12), faz referência aos fariseus que levaram a mulher a Ele em (8:3), e não aos fariseus de (7:32), como pensam alguns, pois, estes, de acordo com o próprio versículo, em momento algum receberam qualquer palavra ou resposta da parte de Jesus. Ademais, quando o verso (32) é lido com o verso (45), além de mostrarem que os fariseus só tiveram conhecimento do que Jesus falava porque o povo dizia, mostram também que os fariseus não estavam nem próximo ao local da pregação de Jesus uma vez que é dito: “Voltaram, pois, os guardas à presença dos principais sacerdotes e fariseus...” (7:45 ).
            No que diz respeito à objeção de o texto de (8:12) em diante ser  uma continuidade de (7:37-39) nada mais é do que uma falta de atenção na leitura bíblica. Leiamos a forma sugerida e percebamos a incoerência:  

 No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba.
 Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
 Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado. (Jo 7:37-39 ARA)
De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.
Então, lhe objetaram os fariseus: Tu dás testemunho de ti mesmo; logo, o teu testemunho não é verdadeiro. (Joh 8:12-13 ARA)


Ora, para que (8:12) em diante pudesse ser uma continuidade de (7:37-39), os fariseus citados (8:13) precisariam terem ouvido a pregação de Jesus antes; porém, conforme já expusemos, eles não estavam e só ficaram sabendo do que o Mestre falou porque o povo dizia abertamente. 

Isto é, se lermos a história sem os versículos omitidos nos manuscritos e nas citações dos pais, não há qualquer coerência textual, ou seja, ao invés de esclarecer o tema, os que entendem que a história da mulher adúltera não foi escrita por João, só dificulta as coisas sobretudo para eles mesmos. Eles não podem fugir desta fortaleza inexpugnável.

Sim, nós sabemos que não podemos provar de forma cabal que a história constava no Evangelho de João por meio de uma cópia mais antiga do que as disponíveis. No entanto, as evidências externas e internas, seja histórica ou gramatical, favorecem mais a ideia de que João a escreveu do que o oposto.

Ademais, não é porque uma coisa ainda não foi encontrada que ela pode ser taxada como inexistente. Os manuscritos achados um dia foram procurados. Como disse alguém: “A ausência de evidência não é evidência para ausência”.

Diante do exposto, defendemos que Jesus, de fato, perdoou a mulher adúltera.


                       νῦν μηκέτι ἁμάρτανε - agora não peques mais.
                                                                                                      
Por Cristo, Itard Víctor


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[1] Origem e Transmissão do Texto do Novo Testamento. P. 222-231.SBB.
[2] Link de um debate entre Bart D Ehrman e Craig A Evans. Disponível em:< https://www.youtube.com/watch?v=ihU93BTBFDQ&t=6s>. Acesso em 27 de janeiro de 2019.
[3] Com exceção do códice Efraimita o qual conferimos aqui:< http://www.csntm.org/Manuscript/View/GA_04>, os demais citados foram verificados no software Bibleworks9.
[4] A textual Commentary on the Greek New Testament. P. 187-189. Fourth Revised Edition.
[5] Ibidem.
[6] CHAMPLIN, R. Norman. Volume 2. P. 513. HAGNOS.
[7] Coleção Padres Apostólicos. p. 321.  PULUS.
[8] História Eclesiástica. Livro XXX. Capítulo XXXIX.  NOVO SÉCULO.
[9] Disponível em:<http://textualcriticism.scienceontheweb.net/FATHERS/Didymus.html>. Acesso em 28 de janeiro de 2019. Tradução de Antonio Reis.  
[10] Veja a história de Dídimo disponível em:< https://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%ADdimo,_o_Cego>. Acesso em 28 de janeiro de 2018.
[11] Didáscala. Cap 7. Disponível em:< http://www.earlychristianwritings.com/text/didascalia.html>. Acesso em 28 de janeiro de 2019. Tradução de Antônio Reis.
[12] Qual o Texto Original do Novo Testamento. P. 271.

Davi. Rei, mas humilde






                                                                                                              Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                                   Cri, por isso falei




Certa vez, um homem, cujo nome era Ornã ou Araúna, a pedido do rei Davi o qual seguia ordens de um anjo do Senhor, se comprometeu em ceder um terreno juntamente com animais e lenha para o holocausto ao Senhor Todo-Poderoso.

No entanto, Davi não aceita fazer uso daquela terra sem antes pagar um bom preço por ela.

Assim, Davi retirou do seu tesouro 600 ciclos de puro ouro e remunerou o jebuseu Ornã, pois entendia que apenas dessa forma o seu sacrifício teria valor pra Deus. (2 Sm 1 Cr 21: 18-27).

Que lição aprendemos nesse episódio?

Aprendemos que, assim como Davi, podemos investir dinheiro no reino para que haja um valor especial naquilo que queremos oferecer a Ele. O Reino não se mantém apenas com orações e pregação verbal, antes requer, também, investimento financeiro.

Davi, como autoridade máxima naquela ocasião, sobretudo com o aval de um anjo do Senhor, poderia ter tomado por força aquela propriedade, antes, porém, voluntariamente honrou Ornã e a glória de Deus se manifestou em seguida. O que culminou no "embainhar" da espada do anjo o qual o estava destruindo o povo de Israel.

Por Cristo, Itard Víctor.

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A Divindade de Jesus nos Pais Apostólicos





                                                                                                       Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα
                                                                                                            Cri, por isso falei

Hoje, navegando pela internet, nos deparamos com um site cujo número de seguidores é pra se considerar. Não citaremos o nome dele aqui para não fazermos publicidade, além de tudo gratuita, do seu conteúdo o qual ataca de forma impiedosa a Santíssima Doutrina da Trindade. Mas podemos informar aos nossos amados leitores que nele é dito que a doutrina da Divindade do Senhor Jesus não foi e nem é ensonada tanto pelas Escrituras quanto entre os pais da igreja os quais tiveram contato com os apóstolos ou com quem os conheceu, mas ela, a doutrina, veio a partir de um pai da igreja tardio, a saber, Tertuliano (séc II).  

Neste texto não nos preocuparemos em apresentar os textos bíblicos os quais com a clareza do sol ensinam e mostram a Divindade de Cristo, pois neste singelo blog já tratamos disso. Porém, Postaremos confissões a respeito da Divindade de Jesus justamente vindas de alguns dos chamados Pais Apostólicos (séc I), isto é, dos que antecederam Tertuliano.  

 Utilizamos apenas as citações em grego. Não as traduzimos de forma interlinear, mas dinâmica, pois pinçamos expressões com fontes para aos que desejarem conferir; algo que incentivamos a ser feito com base no modelo bereano (At 13:11).  Vamos às confissões.

Inácio aos Efésios

Ιησοῦ Χριστοῦ τοῦ θεοῦ ἡμῶν 1:1
Jesus Cristo nosso Deus

Inácio aos Romanos

Ἰησοῦ Χριστοῦ τοῦ θεοῦ ἡμῶν  1:1
Jesus Cristo nosso Deus

Inácio aos Tralianos

θεοῦ Ἰησοῦ Χριστου 7:1
Jesus Cristo Deus.

Inácio a Policarpo

θεῷ ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστῷ  8:3
Nosso Deus Jesus Cristo.

Clemente aos Coríntios

τοῦ κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ  1:1
Nosso Senhor Jesus Cristo.

τοῦ κυρίου Ἰησοῦ 13:1
Senhor Jesus.

ὁ κύριος Ἰησοῦς Χριστός  16:2
Senhor Jesus Cristo.

τοῦ κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ 20:11
Nosso Senhor Jesus Cristo.

τὸν κύριον Ἰησοῦν Χριστόν 21:6
Senhor Jesus Cristo.

τὸν κύριον Ἰησοῦν Χριστὸν 24:1
Senhor Jesus Cristo.

ὁ κύριος Ἰησοῦς   32:2
Senhor Jesus.

τοῦ κυρίου Ἰησοῦ Χριστου  42:1
Senhor Jesus Cristo.

ὁ κύριος Ἰησοῦς Χριστὸς 58:2
Senhor Jesus Cristo.

τὸν κύριον Ἰησοῦν Χριστὸν  64:1
Senhor Jesus Cristo.

τοῦ κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ 65:2
Nosso Senhor Jesus Cristo.

Policarpo aos Filipenses

τῷ κυρίῳ ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστω 1:1
Nosso Senhor Jesus Cristo.

Martírio de Policarpo

κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστου 1:1
Nosso Senhor Jesus Cristo.

τὸν κύριον ἡμῶν Ἰησοῦν Χριστόν 19:2
Nosso Senhor Jesus Cristo.

ὁ κύριος Ἰησοῦς Χριστὸς (Mpo 22:3 APF)
Senhor Jesus Cristo.

Epístola de Barnabé

τοῦ κυρίου ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ 2:6
Nosso Senhor Jesus Cristo.

κυρίου Ἰησοῦ  14:5
Senhor Jesus

E finalizamos com a citação contida na Didaché, feita primariamente pelo apóstolo Mateus (28:19), pela qual demonstra Jesus é pé de igualdade com Deus Pai e com Deus Espírito Santo quanto à autoridade no batismo, pois é Divino:


Περὶ δὲ τοῦ βαπτίσματος οὕτω βαπτίσατε ταῦτα πάντα προειπόντες βαπτίσατε εἰς τὸ ὄνομα τοῦ πατρὸς καὶ τοῦ υἱοῦ καὶ τοῦ ἁγίου πνεύματος ἐν ὕδατι ζῶντι (Did 7:1)



Há também declarações que podem ser lidas noutros idiomas, como, por exemplo, Policarpo aos Filipenses em Latim: “domini nostri Iesu Christi” e “dominum nostrum Iesum Christum”  (Nosso Senhor Jesus Cristo 12:2), as quais julgamos desnecessárias para o objetivo presente, uma vez que as em gregos são suficientes.

Por Cristo, Itard Víctor

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