quinta-feira, 30 de maio de 2019

Minha Tese com Evidências em Lucas 23:43 My Thesis with Evidence in Luke 23:43. Did the Coptic of the Vatican Codex know the Greek grammar?






          My Thesis with Evidence in Luke 23:43. Did the Coptic of the Vatican Codex know the Greek grammar?




                                                                                                                     Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα
                                                                                                                          Cri, por isso falei


Quando o referido texto lucano é lido no Códice Vaticano, que é uma das cópias mais antigas e completas do Novo Testamento, é possível notar que há uma mancha de tinta depois da palavra hoje e, por causa dela, alguns não descartam a possibilidade do copista do manuscrito a ter colocado de forma proposital como referência de que ele acreditava que Jesus não iria levar o ex-ladrão ao Paraíso no dia em que prometeu, mas num futuro bem distante. Então, para esses, o texto deve ter a seguinte leitura:


Em verdade te digo hoje, estarás comigo no Paraíso.
Ou ainda:
Em verdade te digo hoje: estarás comigo no Paraíso.

O Dr. Wilson Paroschi, um membro e pesquisador brasileiro do grego bíblico da Igreja Adventista do Sétimo Dia, disse o seguinte sobre o que é comentado:

A promessa de Jesus ao “bom” ladrão na cruz - “'Em verdade vos digo , hoje estarás comigo no paraíso'” (NVI) - é muitas vezes tomada como prova importante da imortalidade da alma; isto é, a crença de que o espírito ou alma dos mortos fiéis tem existência consciente no céu antes da ressurreição. No entanto, nem todos estão convencidos de que Jesus realmente disse ao criminoso penitente que eles estariam juntos no Paraíso naquele mesmo dia.

Nos primeiros séculos cristãos, manuscritos do Novo Testamento (NT) foram escritos sem separação entre palavras e sentenças; pouca ou nenhuma pontuação foi usada para indicar como o texto deveria ser lido. A vírgula, por exemplo, foi introduzida no final do século IX; antes disso, as pausas curtas eram às vezes indicadas por meio de um ponto na linha (.), enquanto as paradas completas eram indicadas por um ponto alto (˙). Embora nenhum autógrafo NT tenha sobrevivido, muito provavelmente originalmente Lucas 23:43 não tinha pontuação de nenhum tipo, como Papiro Bodmer XIV-XV (ou simplesmente P75) parece demonstrar. Escrita no início do terceiro século, P 75 é a nossa cópia mais antiga de Lucas e não tem sentido antes ou depois de Sēmeron em nossa passagem, embora alguns sinais possam ser encontrados aqui e ali.

Os sinais de pontuação, portanto, não são parte integrante do texto canônico. De fato, eles revelam apenas como o texto foi lido e entendido por aqueles que o copiaram. Então, quando Lucas 23:43 foi pontuado, a vírgula foi colocada antes de sēmeron  não por razões gramaticais, mas pela convicção teológica prevalecente no momento em que a recompensa final dos fiéis que morrem vem imediatamente após a morte. Às vezes, os copistas também reformulavam o texto para tornar seu significado supostamente mais claro. É assim que a palavra que (hoti ) se tornou parte da declaração de Jesus. “Isso” não estava no original, mas foi adicionado antes do advérbio (“Em verdade vos digo que hoje ...”), sob a suposição de que isso é o que Jesus queria dizer; Essa adição aparece em vários manuscritos gregos medievais, bem como em várias traduções antigas e modernas .

Achamos interessante, no entanto, que o Codex Vaticanus do século IV, “um dos mais valiosos de todos os manuscritos da Bíblia grega” e um parente próximo de P 75 textualmente falando, tenha um ponto na linha logo após não antes, do advérbio sēmeron. Como o manuscrito também tem alguns pontos escassos ou manchas de tinta, esse pode ser o caso do ponto em nossa passagem; mas o fato de que o ponto está bem na linha e equidistante das duas palavras adjacentes reduz muito as chances de um acidente. No entanto, achamos difícil saber se esse ponto remonta ao escriba original ou se foi adicionado mais tarde, o que parece mais provável. De qualquer forma, o Codex Vaticanus tem um ponto depois de sēmeron, e o manuscrito não mostra nenhuma tentativa de removê-lo ou corrigi-lo por algum de seus leitores.[1]

Como nosso propósito aqui não é uma análise teológica, nem gramatical, através de algumas imagens do Códice Vaticano, tentaremos apresentar outra opção contrária à hipótese do copista ter pontuado o manuscrito de forma proposital.  

Bem, não achamos que o ponto de tinta na linha de baixo de Lc 23:43 seja uma boa razão para a hipótese já externada anteriormente, uma vez que há outros pontos também na linha de baixo noutros versículos do mesmo evangelista os quais iremos apresentá-los.  

Antes, porém, queremos corroborar com o Dr. Paroschi a respeito da falta de espaços e pontuações entre as letras no P. 75 postando sua imagem:
                                                                                                




Parte 1                          
                                                            
Vamos ao Códice Vaticano:


                                                               Lucas 23:43




Lucas 23:45




Em Lc 23:45, texto extremamente próximo ao da promessa de Jesus ao ex-ladrão, há um ponto na linha de baixo entre as palavras ναοῦ  (santuário) e μέσον (meio), algo muito semelhante ao ocorrido entre o advérbio σήμερον (hoje) e a preposição μετ (com) de Lc 23:43. Porém, nenhuma das melhores traduções ou das edições do grego neotestamentário, como, a Nestle-Aland, colocam uma vírgula entre palavras santuário e templo, algo que já nos faz imaginar um certo vício do copista quando usava seu instrumento de escrita, o κάλαμος (pena). 


                                                              Lucas 23:49





                          Entre o σ e υ em συνακολουθοῦσαι (os quais tinham seguido)

            
                                                                     Lucas 23:55




Em 23:55, semelhantemente, há outro ponto na linha de baixo entre as letras γ e υ em γυναῖκες (mulheres), indicada pela seta à esquerda acima. A segunda seta à direita, indica outro ponto entre as letras α e ἵ do pronome αἵτινες (as que).

Se levarmos em conta que o ponto poderia ser uma tentativa de pontuação, teríamos que assumir que o copista não sabia nem ler o que copiava, pois a palavra mulheres de forma alguma era lida assim: γ, υναῖκες. Da mesma forma o pronome: α,ἵτινες. E, se o copista não sabia ler, como poderia entender de pontuação? 

                                   
                                                                     Lucas 23:56


                 
                E segue o copista com seu círculo vicioso na linha de baixo. Agora entre as letras α e τ de ἀρώματα (aromas).


                                                                  Lucas 24: 5, 24:6 



            Dessa vez temos pontos na linha e baixo no final dum capítulo e no início de outro. Temos entre o ρ e o ῶ em νεκρῶν (mortos) e entre os dois λ em ἀλλὰ (mas). 


                                                                       Mateus 17:12




Tanto a penúltima como a última setas estão apontando para uma mancha que está entre as letas tau e ômega do pronome αὐτῷ (ele), e da mesma forma no advérbio οὕτως (assim ASSIM). Se tomássemos como vírgulas ficaria assim:
λέγω δὲ ὑμῖν ὅτι Ἠλίας ἤδη ἦλθεν, καὶ οὐκ ἐπέγνωσαν αὐτὸν ἀλλὰ ἐποίησαν ἐν αὐτ,ῷ ὅσα ἠθέλησαν· οὕτ,ως καὶ ὁ υἱὸς τοῦ ἀνθρώπου μέλλει πάσχειν ὑπ᾽ αὐτῶν.


Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram; antes, fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim também o Filho do Homem há de padecer nas mãos deles. (ARA)

                                                                   Atos 13:45




                    Aqui temos o ponto entre ὄχλους (multidões) e ἐπλήσθησαν  (ficaram cheios).


                                                                    Romanos 2:7



                                                  Entre  ἀγαθοῦ (boa) e δόξαν  (glória)

             No entanto, embora não tenhamos examinado todo o manuscrito, percebemos um possível tipo de pontuação que o copista tinha. Ela usou espaços entre as palavras. A seta de cima apontando para o espaço indica o fim de Lucas 24:18 e o início do verso 19. Este espaço representa o ponto final o qual há, de fato, nas melhores edições e traduções. A segunda seta representa um ponto e vírgula (;) colocados também nas melhores obras do grego logo após a palavra  ποῖα;[2]
           
                                                                       Lucas 24:18








          Seguindo a sequência dos números em vermelho temos os seguintes espaços nos textos:

1 entre Mt 19:2 e 19:3   2 entre Mt 19:3 e 19:4 
3 entre 19:10 e 19:11     4 entre Mt 19:12 e 19:13


          Ao nosso olhar, as referências apresentadas já são suficientes para desconfiarmos duma suposta pontuação consciente em Lc 23:43. Todavia, há bem mais pontos e espaços seguindo a regra aqui externada.

Parte 2

            O Dr. Paroschi ainda comenta que, embora a pontuação em Lc 23:43 seja inconclusiva, o que demonstra cautela em sua análise, ele cita outros manuscritos posteriores e anteriores ao Vaticano (séc IV):

Não obstante, mesmo que essa evidência seja inconclusiva, não há dúvida de que segmentos importantes da igreja cristã leem o advérbio “hoje” com o verbo anterior (“digo”). Outro exemplo é o minúsculo manuscrito grego 339, do século XIII, que não só tem um ponto depois de sēmeron, mas também deixou espaço suficiente antes da próxima palavra, de modo a tornar a tese de um acidente virtualmente impossível. Além disso, há vários outros manuscritos medievais pontuados que simplesmente deixam essa passagem como ela é, sem nenhum sinal de pontuação, embora a regra fosse colocar um ponto ou uma vírgula antes do advérbio. A leitura alternativa ("Em verdade, eu lhes digo hoje ...") também é encontrada no siríaco curetoniano, uma das primeiras traduções do NT cujo texto remonta ao século II.[3]

Bem, os espaços citados por Paroschi  anteriormente, foram utilizados centenas de anos depois da confecção do Vaticano, o que em nada apoia a hipótese duma pontuação provocada conscientemente pelo copista desse Códice, haja vista termos leituras ainda do século V as quais contrapõe a dos séculos posteriores, conforme nos informa John Gill:

Alguns poderiam remover a pausa, e colocá-la depois de "hoje", e ler as palavras assim: "Eu te digo hoje"; como se Cristo só estivesse se referindo ao momento em que ele disse isso, e não quando o ladrão deveria estar com ele no paraíso; que, além de ser sem sentido, e impertinente, e só inventado. [...] Além disso, em um dos exemplares de Beza se lê: "Eu te digo οτι σημερον que hoje tu estarás comigo ", & c. e assim as versões Persa e Etíope parecem ler, que destrói essa crítica boba.[4]


Contudo, não deixamos passar a informação a qual diz: “A leitura alternativa ("Em verdade, eu lhes digo hoje ...") também é encontrada no siríaco curetoniano, uma das primeiras traduções do NT cujo texto remonta ao século II”.

É! Um manuscrito do século II, realmente, tem muito peso histórico em relação a um do século IV e V.
             Entretanto, de acordo com Agnes Smith Lewis[5], no manuscrito o qual ela descobriu, conhecido como Siríaco Sinaítico, o qual os renomados Críticos Textuais, Kurt Aland e Barbara Aland [6], disseram ser mais antigo do que o Curetoniano apresentado pelo Dr. Paroschi, há a leitura aceita pela maioria dos gramáticos, como, por exemplo, Archibald Thomas Robertson  [7].

 Lewis assim traduziu do Siríaco para o Inglês:



                 







                            Em verdade te digo, hoje estarás comigo no Paraíso.



Outro comentarista diz:


Com relação ao siríaco curetoniano, é verdade que ele coloca "hoje" com "Amém, eu lhes digo", mas é problemático usar esse fato para apoiar uma compreensão correta do texto original grego. Os antigos Evangelhos Sírios estão preservados em dois manuscritos: O Sinaítico e o Curetoniano. Ambos contêm Lucas 23:43. O Sinaítico provavelmente antecede o curetoniano em cerca de 100 anos. Burkitt postula que o Sinaitico representa um texto siríaco mais preciso, enquanto o curetoniano foi corrigido de um texto grego posterior (um contendo um número de passagens espúrias).  [8].



O falecido crítico textual, Bruce Metzger, corrobora com Burkitt ao dizer que a leitura do Curetoniano foi mudada ou rearranjada [9], isto é, algum copista posterior alterou o texto optando por uma leitura nova em relação à Sinaítica, a mais antiga. 

 Paroschi, então, apresentando outras fontes, finaliza sua análise histórica-textual dizendo: 

Entre os escritores da igreja, essa leitura também foi atestada por Efraim, o sírio, do século IV, e também por Cassiano e Hesíquio, do quinto século. Embora Cassiano e Hesíquio preferissem vincular “hoje” ao verbo “ser”, eles se referem explicitamente àqueles que costumavam ler o advérbio com o verbo “dizer” como hereges. Finalmente, a leitura alternativa também é encontrada em dois trabalhos apócrifos independentes, provavelmente a partir do século IV, se não antes - os Atos de Pilatos e a Descida de Cristo ao Inferno . Essas obras, conhecidas em três versões ligeiramente diferentes, em grego e latim, foram unidas em torno do quinto século e, a partir do século XIII, às vezes foram chamadas de Evangelho de Nicodemos.


       Postaremos, por ocasião pertinente, os comentários de Hesíquio como também de Teofilato e do Evangelho de Nicodemus,  já que algumas distorções são feitas sobre seus escritos como indicação que eles criam como o Dr. Paroschi que é Adventista do Sétimo Dia e não crê na ida consciente do ex-ladrão arrependo ao céu no dia da crucifixão. 

Vejamos a citação completa de Teofilato:

Mas outros pressionam sobre a expressão, colocando um sinal de pontuação depois de ‘hoje’, de modo que seria dito assim: ‘Em verdade vos digo hoje’, e, em seguida, eles acrescentam a expressão: ‘Você estará comigo no Paraíso. [10]

Quando o ex-blasfemador reconheceu por esta voz que Jesus era realmente um rei, ele repreendeu o outro ladrão, e disse a Jesus: “Lembra te de mim no teu reino.” Como o Senhor respondeu? “Hoje tu estarás comigo no Paraíso” (Semeron met' emou ese en to paradeiso). Como homem, Ele estava na cruz, mas como Deus, Ele está em toda parte, tanto na Cruz e no paraíso, preenchendo todas as coisas, e em nenhum lugar ausente[11].


Vejamos agora Hesíquio:

Alguns, de fato, ensinam: ‘Em verdade te digo hoje’ - e uma vírgula - em seguida, acrescentam: “Comigo você estará no paraíso.” Como se dissesse: ‘Em verdade vos digo hoje, embora você esteja na cruz, estará comigo no Paraíso’. Mas, se a [difícil] leitura é correta, não há contradição; uma vez que divindade de nosso Salvador é ilimitada, Ele não foi apenas no Hades, mas também para o paraíso com o ladrão, e do Hades, e com o Pai, e no túmulo, na medida em que Ele preenche todas as coisas [12]. 


O Evangelho de Nicodemus:

E um daqueles ladrões que haviam sido dependurados disse-lhe assim:  "Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo e a nós". Mas Dimas, em resposta, repreendeu-o dizendo: "Tu não temes a Deus, ainda que estejas na mesma condenação? E a nós, certamente, ela nos cabe bem, pois recebemos a recompensa justa pelas nossas obras; mas este não fez nada de mal". E dizia: "Senhor, lembra-te de mim no teu reino". E Jesus disse-lhe: "Em verdade, em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. [13]



Conhecidos pais da igreja.

 Aqui damos destaque para Atanásio e Crisóstomo os quais falavam o grego de Lucas: 



Atanásio 296 d.C:


“...o Paraíso foi aberto ao ladrão, Hades se encolheu, as tumbas foram abertas e os mortos ressuscitados, os portões do Céu foram levantados para esperar por Ele que "vem de Edom".  (On Luke X. 22 (Matt. XI. 27). Illud Ominia).


Agostinho 360 d.C:


“... Cristo na cruz, Cristo socorrendo algumas almas no inferno; e no mesmo dia Cristo no paraíso com o ladrão que confessou...”.  (Sermons on Selected  Lessons os The new Testament : On the Words  os The Gospel , Mat ix 25).

“...Tu tens agora Cristo, mas tu o terás sempre; porque quando tiveres partido, chegarás àquele que disse ao ladrão: "Hoje estarás comigo no paraíso". (Lecture or tratactes on the Gospel to st. John: Chapter XI. 55-57; XII).


João Cassiano 360 d.C


“Mas se você se importa também em entender as palavras ditas ao ladrão: “Hoje estarás comigo no Paraíso”, o que eles mostram claramente, mas que não apenas sua inteligência anterior continua com as almas, mas também que em sua mudança condiciona-os a participar de algum estado que corresponda a suas ações e desertos? Pois o Senhor certamente nunca teria prometido isso a ele, se Ele soubesse que sua alma, depois de ter sido separada da carne, teria sido privada de percepção ou ter sido transformada em nada. Pois não era sua carne, mas sua alma que devia entrar no Paraíso com Cristo. Pelo menos devemos evitar, e evitar com o maior horror, a má pontuação dos hereges, que, por não acreditarem que Cristo poderia ser encontrado no Paraíso no mesmo dia em que Ele desceu ao inferno, assim pontuam: “Verdadeiramente, Eu digo a vocês hoje, ”e fazendo uma parada,“ você estará comigo no Paraíso”, de tal maneira que eles imaginem que esta promessa não foi cumprida imediatamente depois que ele partiu desta vida, mas que isto será ser cumprido após a ressurreição...”  (The Conferences XIV).


João Crisóstomo 407 d.C:


“Para isso foi que colocou o publicano diante do fariseu; enquanto que, orgulho eu quero dizer e um espírito arrogante, superou até mesmo um poder incorpóreo, o do diabo; enquanto a humildade da mente e o reconhecimento dos próprios pecados cometidos trouxeram o ladrão ao Paraíso antes dos Apóstolos.” (Homilia Conceming lowliness of mind).

“E para que não possamos buscar nosso exemplo a partir de qualquer base, vamos examinar essa mesma afirmação em sua aplicação a Cristo, e então veremos a força do que foi dito. Porque nosso Senhor Jesus Cristo foi cuspido e açoitado com varas por escravos misericordiosos; e não apenas Ele não considerou isso uma falta de graça, mas Ele mesmo exultou e chamou a coisa de glória; e trazendo consigo um ladrão e assassino antes do resto para o paraíso...” (Homilies First Corinthians XXXIII).

“Porque esta geração procura um sinal: e nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal de Jonas"; e novamente Paulo diz: "pois os judeus pedem um sinal e os gregos procuram sabedoria, mas pregamos a Cristo crucificado".  A cruz abriu o Paraíso, trouxe o ladrão, conduziu ao reino dos céus a raça do homem que estava para perecer e não era digna nem da terra. (Homily on the Passage (Matt xxvi.19) ‘Father if it Possible let This Cup Pass From Me).

“Se alguém vos disser alguma coisa, direis: O Senhor precisa dele". (Marcos xi. 3.) "Hoje estarás comigo no Paraíso." (Homilies on the Gospel of St John.  XXIV. John 2. 23).

"Honra a teu pai e a tua mãe", acrescentou: "Pois assim viverás muito sobre a terra". E Ele mesmo ao ladrão novamente: "Hoje estarás comigo no Paraíso." (Homilies on the Gospel of Matthew V.1.2).


Edições Críticas:


Tischendorf 8 ª Edição 1869-1872

καὶ εἶπεν αὐτῷ · ἀμήν σοι λέγω, σήμερον μετ 'ἐμοῦ ἔσῃ ἐν τῷ παραδείσῳ.

Westcott e Hort 1881

καὶ εἶπεν αὐτῷ Ἀμήν σοι λέγω, σήμερον μετ 'ἐμοῦ ἔσῃ ἐν τῷ παραδείσῳ.

Nestle-Aland 1904

καὶ εἶπεν αὐτῷ Ἀμήν σοι λέγω, σήμερον μετ 'ἐμοῦ ἔσῃ ἐν τῷ Παραδείσῳ.

Von Sonden 1913

καὶ εἶπεν αὐτῷ· ἀμήν σοι λέγω, σήμερον μετ᾽ ἐμοῦ ἔσῃ ἐν τῷ παραδείσῳ.

O Novo Testamento Grego 5ª edição revisada 2014

καὶ εἶπεν αὐτῷ, ἀμήν σοι λέγω, σήμερον μετ᾽ ἐμοῦ ἔσῃ ἐν τῷ παραδείσῳ.
Conclusão:


Diante das evidências apresentadas, pensamos ser preferível acreditar que o copista colocou os muitos pontos no texto grego por questões acidentais ou ainda por mero cacoete. Quer dizer: vez por outra, após escrever uma certa quantidade de linhas, o escriba tocava no pergaminho com seu pincel/pena.
Do contrário, se o copista, realmente, estava pontuando o manuscrito, não nos resta outra alternativa senão defendermos que ele não sabia ler. E, se estivermos certos quanto a isto, como poderia hoje um leigo ter credibilidade para servir como base para uma hipotética pontuação lúcida, quando quase não conseguia ao menos escrever um substantivo sem “pontuar” errado, conforme exemplificamos?

Porém, fica a critério dos amados leitores decidir quais evidências apresentam a melhor solução para os pontos em B.

Por Cristo, Itard Víctor


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________________________ 

 [1] PAROSCHI, Wilson. The Significance of a Comma: Analysis of Luke 23:43. Ministry. International Journal For pastors. June 2013. Os grifos são nossos. Paroschi traz um comentário semelhante na nota de rodapé em Origem e Transmissão do Texto do Novo Testamento p. 26. 2012. SBB. 

[2] O Novo Testamento Grego. Quinta Edição Revisada com Aparato Crítico. 2018. SBB.

[3] Ibidem. 

[4] John Gill's Exposition of the Whole Bible. Disponível em: <https://www.studylight.org/commentaries/geb/luke-23.html>. Acesso em 30 de maio de 2019. 


[5] LEWIS, Agnes Smith. A Translation of the Four Gospel From The Syriac Of The Sinaitic Palimpsest. 1894.

O arqueólogo adventista, Rodrigo P. Silva, tem conhecimento dessa tradução. Análise Linguística em Lucas, 23:43. P. 99. 

[6] “É possível que o Sirc seja uma recensão de Sirs, que é mais antigo”. ALDAND, Kurt & ALDAND Barbara. The Text of the New Testament. 1989. second edition. P. 193. 

[7] Comentário de Lucas.2013. CPAD.


[8]Burkitt, Crawford, Evangelion Da-Mepharreshe, Vol 2, Górgias Press, 2003. Temos ainda: "A Peshitta siríaca concorda com o texto sinaítico, contra o curetoniano, assim como o diatessaron siríaco , o copta sahídico e vários manuscritos do latim antigo. Efraim, um comentarista do século 4 sobre os Evangelhos do Síria, cita este versículo três vezes, cada vez omitindo "hoje". No entanto, ele diz: "Nosso Senhor encurtou Suas liberdades distantes e deu uma promessa próxima, Hoje e não no fim ... Assim, através de um ladrão, o Paraíso foi aberto"
 Disponível em
:< http://www.forananswer.org/Luke/Luke23_43.htm#The Curetonian Syriac>. Acesso em 30 de maio de 2019.

[9] METZGER, Bruce M. Um Comentario Textual Al Nuevo Testamento Grieco. P. 155. 2006. 

[10] Teofilato, Patrologia Graeca, Vol. 123, coluna 1104. 

[11] Stade, Christopher, trans., The Explanation by Blessed Theophylact of The Holy Gospels, vol 3 (House Springs, MO: Chrysostom Press), p. 310. 

[12] Migne, PG, 93, 1432 -1433. Os grifos são nossos. 

[13] Evangelho de Nicodemus – Atos de Pilatos. Cap 10. 2. 2004. Novo Século.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Já ouviram falar em Βούρρου (Burru)?






                                                                                                                  Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                                       Cri, por isso falei



Embora o nome - Burru possa soar um pouco pejorativo, Burru foi um diácono enviado pela igreja de Éfeso e Esmirna o qual trabalhou com Inácio de Antioquia do séc I. Inácio, Bispo piedoso, o cita 4 vezes em suas cartas e evidencia suas qualidades desejando que sigam seu exemplo de vida.


Por Cristo, Itard Víctor.

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Semelhança entre o Pregador e o Militar




                                                                                                               Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα
                                                                                                                       Cri, por isso falei


Alguns pregadores podem ser comparados aos Snipers.

Os snipers geralmente não são vistos por muitos, estão ladeados por no máximo 1 ou 2 combatentes e teem a obrigação de manejar muito bem a sua arma. Contudo, geralmente acertam o alvo desejado com precisão.

Por outro lado, há os chamados fuzileiros ou os da linha de frente.

Esses sempre estão em número maior, são vistos e identificados por muitos pelo fato de usarem meios que chamam a atenção (metralhadoras, canhões e os veículos motorizados). Porém, além de fazerem muito barulho, gastam muita munição e nem sempre acertam o alvo desejado.

Por Cristo, Itard Víctor

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O Sumo Sacerdote e a Lenda da corda





                                                                                               
                                                                                                                   Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα
                                                                                                                        Cri, por isso falei




Você, na denominação onde congrega, deve ter ouvido uma história a respeito do sumo sacerdote o qual, no Dia da Expiação, usava uma corda amarrada na cintura para fins de remoção do seu corpo, caso adentrasse no Lugar Santo e viesse a morrer por ter ousado fazer o sacrifício em um nível mais intenso de pecado. Pois bem, essa história, além de modificada, vem do Zohar, um escrito judaico o qual surgiu na Espanha por volta do século XIII, cujo conteúdo é extremamente MÍSTICO. Nele está escrito assim:

Uma corrente foi amarrada aos pés do Sumo Sacerdote quando ele entrou no Santo dos Santos, de modo que, se ele morrer lá, eles o tirarão, pois é proibido entrar lá. Como eles sabiam se ele estava vivo ou não? Por uma tira de cor carmesim. Se sua cor não se tornasse branca, era conhecido naquele tempo que o padre estava lá em pecado. E se ele saísse em paz, era conhecido e reconhecido pela cinta carmesim que ficava branca… Se não… todos sabiam que a oração deles não era aceita. Emor 102a[1]

Todavia, a tal fonte vai totalmente na contramão do Texto Bíblico pelo qual somos informados com todos os detalhes quais objetos o sumo sacerdote teria que usar no ritual do perdão (Ex 28 e Lv 16). Ademais, o grande comentarista do judaísmo, Flávio Josefo (37-103 d.C), não fala nada a respeito da prática do livro místico, mesmo tendo sido sacerdote em Jerusalém[2].
Contudo, ainda que algum historiador ou comentarista, inclusive o respeitável Josefo, tivesse corroborado com o Zohar, tal fonte não deveria ter qualquer credibilidade da parte da Igreja, pois, as Escrituras, são claras como o sol quando dizem que o sumo sacerdote, antes de adentrar no Santo dos santos para fazer expiação pelos pecadores, se purificava (Lv 16:4), quer dizer, garantia sua entrada em estado de “pureza” para depois fazer sua expiação diante de Deus, o que já descarta totalmente a tal entrada em pecado. 
Mas se em caso de mal súbito (um infarto) como ele seria retirado do Lugar Santíssimo se era permitido apenas ao sumo sacerdote estar na Tenda, conforme (Lv 16:17)? É uma pergunta lógica que deve ser respondida também com uma resposta lógica. A resposta está no próprio versículo e na lógica do ritual:
Nenhum homem estará na tenda da congregação quando ele entrar para fazer propiciação no santuário, até que ele saia depois de feita a expiação por si mesmo, e pela sua casa, e por toda a congregação de Israel.
O texto diz: “até que ele saia”. Se os hebreus percebessem que o sumo sacerdote havia ultrapassado o tempo normal do ritual, poderiam verificar o que poderia ter ocorrido para atrasar ou interromper o ritual. Se a causa para o atraso fosse a morte do sumo, outro sacerdote poderia tomar o seu lugar e em seguida dar continuidade à obra (Ex 29:29-30), pois, O Dia da Expiação, não poderia ficar para o dia seguinte, haja vista ter data certa para acontecer (Lv 23:27).
Assim sendo, fiquemos com as Escrituras e desprezemos os ensinos sectários que adentram no seio da Igreja os quais tem o poder de nos levar além das escrituras (1Co 4:6).
                                                                 
Por Cristo, Itard Víctor

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[1] Disponível em:<https://news.ag.org/features/the-myth-of-the-high-priests-rope>.
[2] No início do livro, História dos Hebreus, Josefo diz: “Meu pai chamava-se Matatias. Meu nome é Josefo, e sou hebreu de nascimento, sacerdote em Jerusalém”.

A Perícope da Mulher Adúltera - The Pericope of Adulterous Woman





                                                                                                                     Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                                           Cri, por isso falei

                                          

No meio acadêmico, há divergências no que diz respeito à conhecida narrativa da mulher achada em adultério.

De um lado, há os que defendem que a narrativa foi acrescentada por um copista no processo de transmissão, ou seja, é uma narrativa tardia, João não a escreveu, já que não consta em alguns documentos antigos de grande importância para a reconstrução do texto original. Dentre esses, citamos aqui cristãos, membros de igrejas não ortodoxas, como, por exemplo, o adventista Paroschi[1], e aqueles que duvidam da Fidelidade de todo o Novo Testamento como o ex-cristão e pesquisador do assunto, Bart D. Ehrman[2].

Do outro lado, há os que defendem que a história, além de verdadeira, foi registrada por João no processo de inspiração, pois consta em alguns documentos antigos.

A seguir mostraremos o que temos a respeito do tema e qual a melhor conclusão a ser abraçada.


Manuscritos que “pulam” de Jo 7:52 para 8.12:
Séc III  ➜ Papiro-66 e Papiro-75.
Séc IV ➜ Códices Sinaítico e Vaticano.
Séc V  ➜ Códice Washingtoniano.

Manuscritos que omitem todo o capítulo 7 e 8:
Séc V  ➜ Códices Alexandrino e Efraimita.

Manuscrito que contém a narrativa da mulher adúltera:
Séc V  ➜ Códice Bezae[3].


Nos séculos sexto e sétimo a narrativa é inexistente. Todavia ela volta a aparecer no códice Basiliense do séc VIII. Vejamos a exposição de um Aparato Crítico sobre a passagem tratada:







Pais da Igreja

De acordo com o falecido presbiteriano e crítico textual, Bruce Metzger, há manuscritos e versões antigas do Oriente as quais não contêm a narrativa, a saber, a siríaca, a saídica, a subacmímica e boaírica. Também, segundo ele, há ausência em versões georgianas, na gótica e em muitos manuscritos da Antiga Latina. De acordo ainda com Metzger, além de serem os responsáveis por apresentarem a história da mulher adúltera e, de forma consciente a sinalizarem como uma passagem que não constava no original, os copistas a colocaram após (Jo 7:36), (Jo 7:44), (Jo 21:25) e até (Lc 21.38)[4]. Isto é, a ideia é que não havia consenso entre os copistas quanto à localidade no Texto.

No que diz respeito aos doutores da Igreja, como, por exemplo, Orígenes (187d. C), João Crisóstomo (347d.C) Cirilo de Alexandria (378d.C), os quais comentaram o Evangelho, há omissão do relato. Aliás, Metzger chegou a dizer que nenhum dos pais da Igreja grega fez qualquer menção até Eutímio (séc XII) quando este afirmou não haver a narrativa nas cópias corretas de João[5].

Já entre os doutores latinos, como, Paciano de Barcelona (310 d.C), Ambrósio de Milão (340d.C), Agostinho (354d.C) e Jerônimo  (347d.C), há inclusão do relato[6].

Todavia, no Fragmento de Papias (70-140 d.C)[7], o qual o historiador Eusébio de Cesaréia (265 d.C) teve conhecimento, contém uma narrativa acerca de uma certa mulher acusada de pecados diante de Jesus:

O mesmo escritor utiliza testemunhos tomados da primeira carta de João, e igualmente da de Pedro, e expõe também outro relato de uma mulher acusada de muitos pecados ante o Senhor, que está contida no Evangelho dos hebreus. Que conste também isto, além do que já havia exposto[8].

Seguindo ou aparentando seguir a mesma linha histórica de Papias, o admirador de Orígines, Dídimo, o Cego (313d.C), que era da mesma região de Cirilo de Alexandria, que não tratou da narrativa, disse o seguinte em seu comentário sobre Eclesiastes:

 Encontramos em certos evangelhos que uma mulher, diz, foi condenada pelos judeus por um pecado e estava sendo enviada para ser apedrejada no lugar onde era costume ser feito. O salvador, diz, quando a viu e observou que eles estavam preparados para apedrejá-la, para aqueles que pretendiam lançar as pedras sobre ela, disse: ' Aquele que não pecou, levante uma pedra e lance-a'. … 'Se alguém pensa que não pecou, pegue uma pedra e feri-la'. E ninguém se atreveu, pois eles entendiam entre si e sabiam que eles mesmos também eram culpados em algumas coisas, de modo que não ousaram atacá-la ”.    .[9]


Até o momento a situação é a seguinte:

No século II há uma citação via um pai apostólico a qual é conhecida no século III sobre uma pecadora.

Em manuscritos bíblicos do século III ao IV há omissão do episódio da mulher adúltera.

Dos 4 manuscritos bíblicos do século V apenas 1 contém o episódio.

Nos escritos dos pais da Igreja do século IV há uma considerável divergência sobretudo na mesma região, como no caso de Dídimo e Cirilo os quais eram de Alexandria.


Analisando os pontos altos e baixos:

Bem, não é possível, apenas com o que temos, dizer que Papias e Dídimo estão categoricamente falando da história clássica da mulher adultera. Mas algumas questões podem ser levantas aqui:


1-      Papias diz que a história da mulher estava num evangelho aos hebreus. Hipoteticamente ele pode ter se referido ao Evangelho de João o qual foi, de fato, também escrito para hebreus ou judeus de fala grega;


2-      Dídimo diz que a história de uma mulher pecadora estava em certos evangelhos e, além disso, que a mulher foi levada para ser morta num lugar que era próprio para execução. Isso pode não corroborar com a narrativa clássica, pois, Jesus, estava no Templo (Jo 8:1-4) e, os apedrejamentos, ocorriam distante dos “puros” (Lv 24:14; Nm 15:32-36; At 7:58). Por outro lado, não podemos exigir muito de alguém que era cego desde criança[10]. Contar uma história com todos os detalhes apenas a ouvido é muito mais difícil do que a lendo ou a vivendo; basta a gente lembrar das muitas vezes as quais não conseguimos citar um só versículo da Bíblia sem que fosse necessário olhar nEla. Hipoteticamente, Dídimo poderia ter se referido às cópias do Evangelho de João, já que não há a história da mulher adúltera em outros evangelhos.


Não podemos negar que há um rastro pela história da Igreja onde uma ou umas mulheres estiveram em situações semelhantes a da mulher adúltera. Rastro esse que, além de ser muito coincidente, antecede os papiros mais antigos anteriormente citados os quais omitem o testemunho, já que Papias era de (70 d.C) principalmente quando o somamos a uma outra antiga citação contida na Didascalia, obra esta escrita por volta do início do século III (o que nos faz depreender que o relato, assim como o de Pápias, estava no e antes do século II). O texto diz:


Se, porém, não receberes o que se arrepende, porque és sem misericórdia, pecarás contra o Senhor Deus; porque não obedeces ao nosso Salvador e ao nosso Deus, para fazermos como também fez com a que pecou, a quem os anciãos puseram diante dele, e deixando o juízo em suas mãos, partiram. Mas Ele, aquele que busca os corações, perguntou-lhe e disse-lhe: Os anciãos condenaram-te, minha filha? Ela disse a ele: Não, Senhor. E ele lhe disse: Vai, e eu não te condeno[11].


Contudo, o caso inda carece de conclusão, pois ainda nos falta mostrar a evidência interna que, ao nosso olhar, nos dá uma luz esclarecedora.            

O estudioso brasileiro, Wilbur Norman Pickering, mais conhecido por Gilberto Pickering, faz um comentário de fácil entendimento e acolhimento. Pikcering diz:


A evidência contra o Texto Majoritário é, aqui, menos fraca do que em qualquer dos exemplos prévios. Mas, assumindo (somente para efeito de raciocínio) que a passagem é espúria, como poderia jamais ter sido introduzida aqui, e de modo tal que é atestada por uns 85% dos MSS? Tentemos ler a passagem maior sem estes versos—temos que ir diretamente de 7:52 para 8:12. Revendo o contexto, os principais sacerdotes e fariseus tinham enviado guardas para prenderem Jesus, sem proveito; uma “discussão” resulta; Nicodemus faz uma colocação, ao que os fariseus respondem: (7:52) “És tu também da Galiléia?  Examina, e verás que da Galiléia nenhum profeta surgiu.” (8:12) “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: ‘Eu sou a luz do mundo.’ ..."  Qual é o antecedente de "lhes", e qual é o  significado de “outra vez" ? Pelas regras normais da gramática, se 7:53-8:11 estão faltando, então "lhes” tem que referir aos "fariseus" e "outra vez" significa que, [nesta conversação], Jesus já lhes dirigira a palavra ao menos uma vez. Mas 7:45 deixa claro que Jesus  não estava lá com os fariseus. Assim, a UBS introduz uma aberração. Mesmo assim, Metzger alega que a passagem (7:53-8:11) "interrompe a sucessão de 7.52 e 8.12ss" (pag. 220)! Procurar pelos antecedentes de 8:12 em 7:37-39 não somente afronta a sintaxe mas também colide contra 8:13 – “os fariseus” respondem à reivindicação que Jesus fez no verso 12, mas "os fariseus" estão em outro lugar, 7:45-52 (se 7:53-8:11 está ausente)[12].
De uma forma mais detalhada Pickering está dizendo o seguinte:


Quando no Evangelho de João é dito que Jesus novamente respondeu-lhes (8:12), faz referência aos fariseus que levaram a mulher a Ele em (8:3), e não aos fariseus de (7:32), como pensam alguns, pois, estes, de acordo com o próprio versículo, em momento algum receberam qualquer palavra ou resposta da parte de Jesus. Ademais, quando o verso (32) é lido com o verso (45), além de mostrarem que os fariseus só tiveram conhecimento do que Jesus falava porque o povo dizia, mostram também que os fariseus não estavam nem próximo ao local da pregação de Jesus uma vez que é dito: “Voltaram, pois, os guardas à presença dos principais sacerdotes e fariseus...” (7:45 ).
            No que diz respeito à objeção de o texto de (8:12) em diante ser  uma continuidade de (7:37-39) nada mais é do que uma falta de atenção na leitura bíblica. Leiamos a forma sugerida e percebamos a incoerência:  

 No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba.
 Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
 Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado. (Jo 7:37-39 ARA)
De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.
Então, lhe objetaram os fariseus: Tu dás testemunho de ti mesmo; logo, o teu testemunho não é verdadeiro. (Joh 8:12-13 ARA)


Ora, para que (8:12) em diante pudesse ser uma continuidade de (7:37-39), os fariseus citados (8:13) precisariam terem ouvido a pregação de Jesus antes; porém, conforme já expusemos, eles não estavam e só ficaram sabendo do que o Mestre falou porque o povo dizia abertamente. 

Isto é, se lermos a história sem os versículos omitidos nos manuscritos e nas citações dos pais, não há qualquer coerência textual, ou seja, ao invés de esclarecer o tema, os que entendem que a história da mulher adúltera não foi escrita por João, só dificulta as coisas sobretudo para eles mesmos. Eles não podem fugir desta fortaleza inexpugnável.

Sim, nós sabemos que não podemos provar de forma cabal que a história constava no Evangelho de João por meio de uma cópia mais antiga do que as disponíveis. No entanto, as evidências externas e internas, seja histórica ou gramatical, favorecem mais a ideia de que João a escreveu do que o oposto.

Ademais, não é porque uma coisa ainda não foi encontrada que ela pode ser taxada como inexistente. Os manuscritos achados um dia foram procurados. Como disse alguém: “A ausência de evidência não é evidência para ausência”.

Diante do exposto, defendemos que Jesus, de fato, perdoou a mulher adúltera.


                       νῦν μηκέτι ἁμάρτανε - agora não peques mais.
                                                                                                      
Por Cristo, Itard Víctor


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[1] Origem e Transmissão do Texto do Novo Testamento. P. 222-231.SBB.
[2] Link de um debate entre Bart D Ehrman e Craig A Evans. Disponível em:< https://www.youtube.com/watch?v=ihU93BTBFDQ&t=6s>. Acesso em 27 de janeiro de 2019.
[3] Com exceção do códice Efraimita o qual conferimos aqui:< http://www.csntm.org/Manuscript/View/GA_04>, os demais citados foram verificados no software Bibleworks9.
[4] A textual Commentary on the Greek New Testament. P. 187-189. Fourth Revised Edition.
[5] Ibidem.
[6] CHAMPLIN, R. Norman. Volume 2. P. 513. HAGNOS.
[7] Coleção Padres Apostólicos. p. 321.  PULUS.
[8] História Eclesiástica. Livro XXX. Capítulo XXXIX.  NOVO SÉCULO.
[9] Disponível em:<http://textualcriticism.scienceontheweb.net/FATHERS/Didymus.html>. Acesso em 28 de janeiro de 2019. Tradução de Antonio Reis.  
[10] Veja a história de Dídimo disponível em:< https://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%ADdimo,_o_Cego>. Acesso em 28 de janeiro de 2018.
[11] Didáscala. Cap 7. Disponível em:< http://www.earlychristianwritings.com/text/didascalia.html>. Acesso em 28 de janeiro de 2019. Tradução de Antônio Reis.
[12] Qual o Texto Original do Novo Testamento. P. 271.

Davi. Rei, mas humilde






                                                                                                              Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                                   Cri, por isso falei




Certa vez, um homem, cujo nome era Ornã ou Araúna, a pedido do rei Davi o qual seguia ordens de um anjo do Senhor, se comprometeu em ceder um terreno juntamente com animais e lenha para o holocausto ao Senhor Todo-Poderoso.

No entanto, Davi não aceita fazer uso daquela terra sem antes pagar um bom preço por ela.

Assim, Davi retirou do seu tesouro 600 ciclos de puro ouro e remunerou o jebuseu Ornã, pois entendia que apenas dessa forma o seu sacrifício teria valor pra Deus. (2 Sm 1 Cr 21: 18-27).

Que lição aprendemos nesse episódio?

Aprendemos que, assim como Davi, podemos investir dinheiro no reino para que haja um valor especial naquilo que queremos oferecer a Ele. O Reino não se mantém apenas com orações e pregação verbal, antes requer, também, investimento financeiro.

Davi, como autoridade máxima naquela ocasião, sobretudo com o aval de um anjo do Senhor, poderia ter tomado por força aquela propriedade, antes, porém, voluntariamente honrou Ornã e a glória de Deus se manifestou em seguida. O que culminou no "embainhar" da espada do anjo o qual o estava destruindo o povo de Israel.

Por Cristo, Itard Víctor.

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