Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα
Cri,
por isso falei
A presente leitura tem como intuito trazer um genérico esclarecimento
a respeito duma palavra que tem ganhado notoriedade neste século, Ansiedade.
Essa palavra tem levado escritores de variadas áreas a separar parte do seu
tempo para discorrer sobre.
Se levarmos em conta o que dizem a Ciência e a Bíblia, podemos
afirmar que, no mínimo, há três tipos de
ansiedades. Sendo elas: ansiedade vital, patológica e a ansiedade da fé
.
Ansiedade
Vital: Também chamada de ansiedade
benéfica, ela é quem está por trás dos nossos planos de: entrar numa
universidade; casar e termos filhos; comprarmos ou construirmos uma casa; passarmos
em um concurso. Ela nos conduz aos objetivos reais e necessários da vida, sem
nos causar sofrimento.
Ansiedade Patológica: Diferente
da Vital, esta é a causadora de muitos males mentais e físicos. Assim como a
Depressão que, diga-se de passagem, andam de mãos dadas em alguns transtornos
mentais e físicos, essa patologia pode ser desencadeada por fatores genéticos e/ou
sociais.
Quanto à área genética, o indivíduo pode nascer com predisposição
caso nasça com alterações químicas no cérebro como uma diminuição dos neurotransmissores
Serotonina, Dopamina, Noradrenalina os quais estão relacionados ao equilíbrio do
nosso humor.
Quanto à área social, o uso excessivo do smartphone, do videogame, da
televisão; as muitas horas paradas nos engarrafamentos; o complexo de
inferioridade e superioridade; o egocentrismo/egolatrismo; a autocobrança; o excesso
de cobranças no trabalho, na universidade, no relacionamento conjugal, na
instituição religiosa; a obsessão por ganhar dinheiro, por exemplo, torna a
pessoa uma candidata com chances fortes e claras à eleição dum quadro de transtorno
mental. O sistema mundial está a 1000km/h.
Atualmente, mais de 3 bilhões de pessoas poderão desenvolver algum
transtorno psiquiátrico no decorrer de suas vidas,
sobretudo Ansiedade Patológica.
Pessoas que portam essa patologia, não sofrem por uma simples
impaciência ou por desejarem algo para o agora. Não se trata de imediatismo.
Quem é vítima dessa doença têm preocupações desequilibradas e excessivas com o
futuro. Apresentam sintomas do tipo: insônia; tensão muscular; sensação de
sufocamento; nó na garganta; respiração ofegante; sudorese; tremores; dor no
peito; batimentos cardíacos acelerados; falta de desejo sexual; muita ou
nenhuma vontade de se alimentar; alterações no intestino e estômago como
gastrite, refluxo, úlcera; dificuldades com pessoas lentas, calvice; medos irracionais de fracassar, sobretudo medos
relacionados a câncer e infarto. Tais sintomas, podem se manifestar sempre em
situações de estresse. É por isso que
algumas pessoas têm comportamentos diferentes diante dos momentos conflitantes.
Em suma, esta patologia nada mais é do que o sofrimento presente pelo
futuro inexistente. (o pleonasmo foi intencional).
No entanto, com relação às preocupações da enfermidade em foco, 90%
delas não se tornam reais; as equivalentes aos 10% que restaram se tornam
reais; mas com uma roupagem diferente da que temos “certeza” que virão vestidas.
Um exemplo muito comum dentro dos 90%:
uma pessoa sente algumas pontadas no lado esquerdo do peito e imediatamente
é atacada por uma excessiva preocupação ladeada por uma “certeza” de que
está infartando quando, na verdade, após ir à urgência dum hospital, descobre
que o incômodo foi causado tão somente por gases produzidos por uma má digestão.
É oportuno ainda acrescentar que medos excessivos e irracionais também
podem ser diagnosticados em pessoas que têm os denominados Transtornos de Ansiedade,
a saber, Síndrome do Pânico; Transtorno Obsessivo Compulsivo; Transtorno
Pós-Traumático. Na Esquizofrenia também ocorrem medos sem fundamentos.
Não
obstante, para essa doença há tratamento eficaz. Porém, nem sempre é aceitável
pelo público teísta e ateu. Por quê?
Porque há um tabu quando o assunto é a procura por um profissional
da saúde da mente devido à abundância de desinformação e preconceito,
principalmente entre muitos dos que professam algum tipo de fé, uma vez que não
aceitam a ideia de estarem doentes ou de ter que tomar medicação pelo resto da
vida, mesmo isto não sendo uma regra aplicada a todos os pacientes.
Lembro-me de ter lido num livro o relato de um líder espiritual que
muito sofreu por ter sido acometido por um transtorno mental e resistido
durante meses à ideia de procurar ajuda profissional, pois temia ser
substituído ainda que temporariamente da denominação a qual cuidava com
dedicação. Ele usou todo tipo de saída que lhe estava à disposição com intuito
de se livrar do tormento: orava em casa e no monte, jejuava vários dias no mês,
determinava em nome de Jesus a cura sobre si, mas a doença só crescia e a cada
dia lhe amassava como se amassa um copo descartável. Chegou um momento, graças
a Deus, que o líder se rendeu e humildemente decidiu procurar ajuda médica e consequentemente a doença o deixou.
Em oposição à parte negligente da história relatada, afirmamos que é dever nosso aceitar
que adoecer, seja de qual parte do corpo for, infelizmente, faz parte da vida
do ser humano, já que a humanidade está sujeita, incluindo os que tem Fé em Deus,
conforme podemos ver nos relatos sobre, Paulo, homem de fé, o qual orou para Deus
levantar um paralítico (At 14:10), o que ocorreu; e noutra oportunidade deixou Trófimo, seu amigo,
doente em Mileto (2Tm 4:20). E, ainda noutro momento, recomendou medicação ao
hipoteticamente ansioso, Timóteo, para, provavelmente, tratar duma úlcera
estomacal, gastrite ou esofagite (1Tm 5:23). Se o líder anteriormente citado tivesse entendido o que Timóteo entendeu, no aparecer dos primeiros sintomas, teria evitado o
agravo do seu transtorno.
Não negamos que a cura duma doença pode vir, sem dúvidas, pelas
mãos divinas de Deus. Mas é irrefragável que a cura também vem pelas mãos e
mentes humanas de um médico ou de um Psicólogo os quais são instrumentos dEle,
conforme bem escreveu o médico,
historiador e escritor do Novo Testamento, Lucas, ao narrar as palavras de
Jesus Cristo :
“Os que têm saúde não
precisam de médico, mas sim os doentes” (5.31).
Qualquer pessoa que sente desconforto nos rins, coração, ossos,
procura, sem hesitar, um Nefrologista; Cardiologista. Do mesmo modo, quem tem
Ansiedade Patológica deve procurar um Psiquiatra, um Psicólogo e um Nutricionista,
já que os alimentos têm papéis importantíssimos quanto à melhora dos transtornos. Assim, todo preconceito sobre se tratar profissionalmente
deve ser aniquilado.
A respeito da hipotética certeza de tomar medicação por longo ou
indefinido período, não deveria ser tabu, pois, há pessoas hipertensas e
diabéticas que precisam fazer uso contínuo de remédios, não por serem pessoas
fracas mentalmente (sentido pejorativo) ou porque o médico quis deixá-las
“dependente”, mas porque essa é, cientificamente, a melhor e confiável forma de
trazer a estes pacientes a melhora dos sintomas que antes os incomodava e os
ameaçava à vida. Desse modo, não procurar ajuda profissional é desprezar a
orientação de Cristo e trazer uma piora do quadro e
acarretar mais sintomas pelo restante do corpo (Pv 17.22).
Ansiedade
da Fé: Esta ansiedade, embora não seja desencadeada por doença, pode causar
alterações negativas no humor por causa da falta de confiança naquilo que Deus
garantiu à Sua Igreja. Vejamos o que o Novo Testamento fala a sobre Ansiedade.
Mas, antes, por que afirmamos que essa ansiedade não
é a vital nem a patológica, se ela causa preocupação e negatividade? Porque,
conforme veremos, Deus não repreende quem está no centro da sua vontade nem quem
adoece, sobretudo por questões genéticas, haja vista conhecer as mentes dos
homens (1Cr 28.9; Sl 103. 14; Is 55.8; Hb 4.15).
Bem, o substantivo geralmente traduzido no
Novo Testamento por Ansiedade deriva de μέριμνα (gr. merimna). Ele
tem o sentido de expectação, dedicação, preocupação, (Mt 6. 25; Lc 10.41, 12.26; 1Co 7.34 ; 2Co 11:28; Fp 4.6; 1Pe 5.7). Dentre os versos extraídos destacamos (Mt 6.25; Fp 4.6; 1Pe 5.7) os quais indicam
repreensão aos que não estavam confiando em Deus como deveriam. Certa feita
Jesus advertiu pessoas as quais estavam muito preocupadas com o que havia de
comer e vestir. Seguindo a mesma ideia, Paulo exortou os filipenses a não se
preocupar com coisa alguma e, quando desejasse algo, pedisse a Deus em oração e
com ações de graça. E Pedro, por fim, recomendou lançar toda preocupação
desnecessária sobre o Senhor.
É bem verdade que os textos vetero/neotestamentários
não são empecilhos para que possamos tomar decisões para suprir as necessidades
do presente e do futuro (Pv 6. 6; 2Ts 3.10), pois, como já expomos, eles reprovam a preocupação
desenfreada a qual revela a falta de fé no cuidado Paternal de Deus (Gn 22. 8-13; Sl 104. 14-15; Is 49.16; Mt 28.20). Cabe-nos aqui, porém, orientarmos o cristão que a sua confiança em Deus
deve ser moderada ou à Luz da Bíblia, pois muitos abandonaram a fé por terem
depositado em Deus uma confiança com fins de bençãos materiais as quais o
Senhor não as garantiu dar, principalmente quando e como esses as exigiram. O Senhor
nos orienta a pedir, mas só nos dá o que estiver no centro da Sua vontade (Mt 21.22; Lc 11.9; Tg 4.3; 1Jo 5.14). Não devemos nos aproximar
primariamente de Deus por aquilo que Ele dá, mas pelo o que já deu, quero dizer,
a salvação da alma e a oportunidade de sermos moradores da Cidade Celestial (Mt 6.33; Jo 3.16; 6.26-27).
Por Cristo, Itard Víctor