domingo, 26 de julho de 2020

Vale a pena acreditar em Ellen G. White?



 

                                                                               Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                         Cri, por isso falei

Como é do conhecimento dos que estudam Heresiologia, os adventistas têm a profetisa, Ellen Gould White, como uma mulher que recebeu revelações da parte de Deus e que escreveu sob inspiração Divina. Assim eles já declararam:

Os testemunhos orais ou escritos da Sra. White preenchem plenamente este requisito, no fundo e na forma. Tudo quanto disse e escreve foi puro, elevado, cientificamente correto e profeticamente exato.[..] A Sra. White é uma mulher de mentalidade singularmente bem equilibrada. Predominam em seus traços a benevolência, a espiritualidade, a conscienciosidade e o idealismo.[1]

Somos gratos a Deus por nos conceder não somente as Santas Escrituras, mas também a manifestação do dom de profecia para os últimos dias na vida e obra de Ellen G. White.[2]

 

Contudo, a profetisa escreveu algo que muito nos chamou a atenção.

Ela escreveu que, o Senhor Jesus, aos prantos, rejeitou o pedido de perdão da parte do diabo que havia se rebelado.  Segundo White, Jesus fez isso depois de Deus ter dado várias oportunidades de arrependimento a satanás e por temer que o Reino Celestial fosse contaminado. Assim ela escreveu:

Satanás treme ao contemplar sua obra. Ele está sozinho, meditando sobre o passado, o presente e o futuro de seus planos. Sua poderosa estrutura vacila como numa tempestade. Um anjo do Céu está passando. Ele o chama e suplica uma entrevista com Cristo. Isto lhe é concedido. Então, relata ao Filho de Deus que está arrependido de sua rebelião e deseja voltar ao favor divino. Está disposto a tomar o lugar que previamente Deus lhe designara e sujeitar-se a Seu sábio comando. Cristo chorou ante o infortúnio de Satanás mas disse-lhe, como pensamento de Deus, que ele jamais poderia ser recebido no Céu. O Céu não devia ser colocado em perigo. Se fosse recebido de volta, todo o Céu seria manchado pelo pecado e rebelião originados com ele. […] A lei de Deus podia condenar mas não podia perdoar.

Deus, em Sua grande misericórdia, suportou longamente a Satanás. Este não foi imediatamente degradado de sua posição elevada, quando a princípio condescendeu com o espírito de descontentamento, nem mesmo quando começou a apresentar suas falsas pretensões diante dos anjos fiéis. Muito tempo foi ele conservado no Céu. Reiteradas vezes lhe foi oferecido o perdão, sob a condição de que se arrependesse e submetesse.[3]

 

Com base nisso, deixarei duas questões para reflexão:

1ª- Foi observado que White disse que Deus ofereceu várias oportunidades de arrependimento ao diabo, mas que ao mesmo tempo temia que o céu fosse contaminado com sua presença. Afinal, Deus desejava ou temia que o diabo retornasse ao seu lugar de posição original? Deus É Presciente?

2.ª- Essa revelação pode ser corroborada pela Bíblia? 


Por Cristo, Itard Víctor


[1] CHRISTIANINI, Arnaldo B. Subtilezas do Erro. 2ª edição Revista e Ampliada.

[2] Tratado de Teologia Adventista.p. 703.

[3] (História da Redenção, p. 26, grifo nosso). (O Grande Conflito, p. 495-496, grifo nosso). Disponível em: < http://www.ellenwhitebooks.com/> . Acesso em 26/07. 2020.


quarta-feira, 22 de julho de 2020

Onde estava Daniel quando os três jovens foram lançados na fornalha?




Segundo conta a história bíblica, Nabucodonosor ergueu uma estátua para que todos se encurvassem a ela. Todo aquele que não procedesse desta maneira seria severamente punido, e foi o que aconteceu com Hananias, Misael e Azarias. Pela própria Bíblia nós sabemos que Daniel não foi lançado na fornalha. E com base nesta afirmação somos levados a fazer ainda dois questionamentos antes de apresentarmos a resposta: o fato de Daniel não ter sido lançado na fornalha significa que ele não estava no dia em que a estátua foi consagrada? Ou, já que o profeta não foi para a fornalha, significa que ele se prostrou perante o ídolo?  

Resposta:

Bem, a Bíblia nos fornece algumas razões para que cheguemos à conclusão de que Daniel estava presente no dia da inauguração da estátua de Nabucodonosor. Vejamos:

Em primeiro lugar, devemos ter em mente que o simples fato de a Bíblia não dizer de forma ipsis litteris que Daniel estava ou não estava na consagração da imagem, não é o melhor argumento para negar sua presença no referido evento.  

Em segundo lugar, a informação contida em (Dn 2:48), diz que Daniel ocupou o cargo de governador de toda a província de Babilônia e de chefe supremo de todos os sábios de Babilônia. Dessa forma, Daniel teria que estar no dia da inauguração da estátua, pois todas as demais autoridades que haviam sido convocadas pelo rei, não só estavam no local, mas estavam diante da imensa imagem de acordo com (Dn 3:1-3).

Em terceiro lugar, o fato de Daniel estar no evento pagão não fazia com que ele fosse ordenado a se prostrar perante o ídolo. Com relação à última observação, é possível que você, amado leitor, esteja fazendo a seguinte indagação: se o rei havia prometido punir quem não se prostrasse perante a estátua (Dn 3:6), por que Daniel estaria isento desse momento? Acerca dessa questão, o Pastor Elias Soares traz um comentário que nos ajuda a entender que Daniel embora estivesse perante a estátua, não a adorou:   

Que ele não se curvou é possível afirmarmos pelo simples fato de conhecermos, biblicamente, a sua conduta e caráter como homem e profeta de Deus. [...] Quando ainda jovem rejeitou os manjares da mesa do rei porque sabia que eram alimentos consagrados às divindades babilônicas. Em outra ocasião, quando os 120 presidentes, através de um plano macabro, fizeram o rei aprovar um decreto para punir Daniel, homem de oração, com a pena de ser lançado na cova dos leões, ele preferiu ser lançado aos leões a deixar de orar três vezes ao dia ao seu Deus.  [...] Diferente de todos os demais governadores, Daniel era visto de maneira muito diferente por Nabucodonosor. Antes do episódio da consagração da imagem o rei teve um sonho o qual foi esquecido por ele. E, em todo o império, é importante lembrarmos de que Daniel foi o único que pode desvendar o sonho e o seu significado para o rei. Após haver interpretado o sonho e apresentar o significado do mesmo a Nabucodonosor este se curvou perante Daniel, o adorou e lhe ofereceu sacrifícios (Dn 2:46).[1]  

Isto é, Daniel era uma pessoa que tinha um testemunho de um verdadeiro servo de Deus. Com base em tudo o que foi exposto, podemos concluir que Daniel estava no local do culto pagão. E tudo ainda nos leva a pensar que Daniel tinha uma espécie de “imunidade parlamentar” dada por Nabucodonosor que o isentava de se prostrar perante o ídolo do império babilônico, haja vista o respeito que o rei tinha por ele.

________________________________

[1] Perguntas Difíceis de Responder. Vol 3. p. 263-267.


sábado, 11 de julho de 2020

João Calvino e sua estranha correlação de Deus com Queda do homem.








                                                                      Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                       Cri, por isso falei  



“Deus não só viu de antemão a queda do primeiro homem e nela a ruína de sua posteridade, mas também por seu próprio prazer a ordenou.”[1]

“Embora sua perdição de tal maneira dependa da predestinação divina, a causa e a substância dela (perdição) estão ambas neles (homens) […]. Portanto, o homem cai porque assim o ordenou a providência de Deus; no entanto, cai por falha sua.”[2]

Por outro lado, o teólogo holandês, Jacó Armínio, especialista no assunto, contra argumentou  concluindo:

"Mas a culpa desse pecado não pode, de modo algum, ser transferida para Deus, seja como uma causa eficiente, seja como uma causa deficiente. (1) Não como uma causa eficiente. Porque ele não perpetrou esse crime através do homem, nem empregou contra o homem qualquer ação, interna ou externa, pela qual Ele poderia incitá-lo a pecar (Sl 5.5; Tg 1.13). (2) Não como uma causa eficiente. Porque não negou nem retirou qualquer coisa que fosse necessária para evitar esse pecado e cumprir a lei, mas Ele o havia dotado suficientemente com todas as coisas necessárias para esse propósito, e o preservou depois que foi assim revestido”.[3]

"Adão não caiu pelo decreto de Deus, nem por ter sido ordenado a cair, nem por deserção, mas pela mera permissão de Deus, que é colocada na subordinação a nenhuma predestinação, seja à salvação ou à morte, mas que cabe à providência, na medida em que ela é distinguida como oposição à predestinação".[4]

"Uma teoria pela qual Deus é considerado, necessariamente, o autor do pecado deve ser repudiada por todos os cristãos e, na verdade, por todos os homens, pois nenhum homem pensa que o ser a quem considera divino é mau- no entanto, segundo a teoria de Calvino e Beza, Deus é, necessariamente, considerado o autor do pecado- portanto, essa teoria deve ser repudiada ". [5]

 Por Cristo,
 Itard Víctor



[1] Institutas da Religião Cristã. Livro III, Cap. XXIII, Seção VII. grifo nosso.
[2] Ibid Seção VIII.
[3] Obras. Vol 1. P. 436.
[4] Obras. Vol. 2. P. 424. grifo nosso.
[5] Obras. Vol. 3. P. 96-97. grifo nosso.

Quantos gigantes Davi matou, um ou cinco?








                                                                         Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                       Cri, por isso falei  


Sem qualquer sombra de dúvidas Davi matou o gigante Golias. Contudo, de acordo com  (2Sm 21:22), outros gigantes morreram também pela mão de Davi:

“Estes quatro nasceram dos gigantes em Gate; e caíram pela mão de Davi e pela mão de seus homens.” (ARA)

Resposta:

Se lermos os versículos anteriores, fica claro que, além de Golias, outros gigantes foram mortos: Lami (1Cr 20:5), Isbi-Benobe (2Sm 21:16), Safe ou Sipai (2Sm 21:18; 1Cr 20:4) e um outro cujo nome não foi mencionado (2Sm21:20-21;1Cr.20:6-8). Dessa forma, respondemos que cinco gigantes foram mortos, um diretamente por Davi, e quatro sob a sua liderança.


Por Cristo,
Itard Víctor

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Como conciliar (At 9:7) com (At 22:9)?







                                                                   Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                       Cri, por isso falei  


Na primeira narrativa, o autor nos mostra os acompanhantes de Saulo ouvindo a voz do Senhor Jesus, a qual perguntava por que ele o perseguia: 

“E os varões, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém.” (At 9:7ARC)

Na segunda, é-nos dito que eles não ouviram a voz:

“E os que estavam comigo viram, em verdade, a luz, e se atemorizaram muito; mas não ouviram a voz daquele que falava comigo.”  (At 22:9 ARC)

Resposta:
A resposta está relacionada ao tipo de tradução em que lemos, pois, ao lermos o último texto citado anteriormente, em outra versão, a questão é elucidada:

“Os que me acompanhavam viram a luz, mas não entenderam a voz daquele que falava comigo.” (At 22:9 NVI).

Isto é, em (At 9:7), os companheiros de Saulo ouviram apenas o som ou o barulho da voz de Jesus, mas não tiveram compreensão alguma do que era dito por Ele.[1]


Por Cristo, 
Itard Víctor





[1]A NVI segue a mesma linha de raciocínio: At 9:7 lê "eles ouviram o som, mas não viram ninguém"; 22:9 "meus companheiros vira a luz, mas não entenderam a voz.” Na gramática de Wallace temos o seguinte: "O campo de significado para ambos ἀκούω (ouvir, entender) e φωνή (som, voz), conjugado com a mudança de casos (gen., acus.), pode ser apelado para harmonizar estas duas narrativas. (Gramática Grega. p. 133. EBR). Ver também o significado do verbo ouvir - ἀκούω - na nota 32.1 do Léxico Grego-Português do Novo Testamento baseado em domínios semânticos. SBB).


quinta-feira, 14 de maio de 2020

Será que ele vai matar-se?






                                                                      Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                       Cri, por isso falei  

  
Qual localidade veio às mentes dos judeus ao ouvirem Jesus dizer que iria para um lugar no qual eles não poderiam ir, a ponto de pensarem que Cristo cometeria suicídio, na passagem de (Jo 8.22)?

Não é difícil elucidar esta pergunta se levarmos em conta que, para o judaísmo do séc I, cometer suicídio era ganhar uma passagem para o Hades. Isto é, para os judeus, em especial os fariseus os quais se consideravam hiper santos (Lc 18.8-14) só havia um lugar para o qual não poderiam ir senão via suicídio, o Hades.

O sacerdote, Flávio Josefo, procurando convencer os soldados judeus a se entregarem ao romanos, no afã de dissuadi-los do suicídio em massa programado por estes, disse o seguinte: 

Agora, o suicídio é um crime mais distante da natureza comum de todos os animais e um exemplo de impiedade contra Deus, nosso Criado [...] Os corpos dos homens são mortais, pois são feitos de uma matéria frágil e corruptível; mas nossas almas são imortais e participam de algum modo da natureza de Deus. [...] E se alguém quiser fazê-lo, poderá se iludir em ocultar aos olhos de Deus a ofensa que lhe faz? Todos estão de acordo em que é justo castigar um escravo que foge de seu senhor, embora esse senhor seja mau e nós julgaremos poder sem crime abandonar a Deus que não somente é nosso senhor, mas um senhor soberanamente bom? Não sabeis que Ele difunde suas bênçãos sobre a posteridade daqueles, que depois de ter chamado para junto de si, entregaram em suas mãos, a vida, que, segundo as leis da natureza, Ele lhes deu e que suas almas voam puras para o céu, para lá viverem felizes e voltar, no correr dos séculos, a animar corpos que sejam puros como elas e que, ao contrário, as almas dos ímpios, que por uma loucura criminosa dão a morte a si mesmos são precipitadas nas trevas do Hades? E que Deus, o Pai de todos os homens, vinga as ofensas dos pais nos filhos? Foi por isso que o nosso sábio legislador, conhecendo o horror de tal crime, determinou que os corpos dos que se matam, voluntariamente, fiquem sem sepultura até o pôr-do-sol, embora seja permitido enterrar antes os que foram mortos na guerra. Há nações que cortam as mãos dos assassinos que se mataram a si mesmos, porque julgam justo separá-las de seus corpos, como estão separados seus corpos de suas almas.[1]

            Ademais, a crença daqueles judeus também poderia estar baseada no “Não Matarás” ou no “Não Assassinarás” contido na Torah ou Lei (Ex 20.13) entendendo o suicídio como um auto homicídio que, uma vez praticado, deixaria o agente da ação impossibilitado de se arrepender, obviamente por estar morto, sobrando-lhe apenas a condenação eterna. Talvez por isto o judeu/espanhol, Rambam/Maimônides, disse que o suicida é culpado de assassinato, será responsabilizado na Corte Celestial e não terá participação no mundo vindouro.[2]
           
                                                                                                                                    Itard Víctor


[1] Wars of the Jews 3: 369-378. Tradução nossa.
[2] <https://www.chabad.org/library/article_cdo/aid/4372311/jewish/Suicide-in-Judaism.htm>.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

O Cristão e a Ansiedade







                                                                          Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα
                                                                                                       Cri, por isso falei   


A presente leitura tem como intuito trazer um genérico esclarecimento a respeito duma palavra que tem ganhado notoriedade neste século, Ansiedade. Essa palavra tem levado escritores de variadas áreas a separar parte do seu tempo para discorrer sobre.

Se levarmos em conta o que dizem a Ciência e a Bíblia, podemos afirmar que,  no mínimo, há três tipos de ansiedades. Sendo elas: ansiedade vital, patológica e a ansiedade da fé
.
Ansiedade Vital: Também chamada de ansiedade benéfica, ela é quem está por trás dos nossos planos de: entrar numa universidade; casar e termos filhos; comprarmos ou construirmos uma casa; passarmos em um concurso. Ela nos conduz aos objetivos reais e necessários da vida, sem nos causar sofrimento.

Ansiedade Patológica: Diferente da Vital, esta é a causadora de muitos males mentais e físicos. Assim como a Depressão que, diga-se de passagem, andam de mãos dadas em alguns transtornos mentais e físicos, essa patologia pode ser desencadeada por fatores genéticos e/ou sociais.
Quanto à área genética, o indivíduo pode nascer com predisposição caso nasça com alterações químicas no cérebro como uma diminuição dos neurotransmissores Serotonina, Dopamina, Noradrenalina os quais estão relacionados ao equilíbrio do nosso humor[1].

Quanto à área social, o uso excessivo do smartphone, do videogame, da televisão; as muitas horas paradas nos engarrafamentos; o complexo de inferioridade e superioridade; o egocentrismo/egolatrismo; a autocobrança; o excesso de cobranças no trabalho, na universidade, no relacionamento conjugal, na instituição religiosa; a obsessão por ganhar dinheiro, por exemplo, torna a pessoa uma candidata com chances fortes e claras à eleição dum quadro de transtorno mental. O sistema mundial está a 1000km/h.

Atualmente, mais de 3 bilhões de pessoas poderão desenvolver algum transtorno psiquiátrico no decorrer de suas vidas[2], sobretudo Ansiedade Patológica.

Pessoas que portam essa patologia, não sofrem por uma simples impaciência ou por desejarem algo para o agora. Não se trata de imediatismo. Quem é vítima dessa doença têm preocupações desequilibradas e excessivas com o futuro. Apresentam sintomas do tipo: insônia; tensão muscular; sensação de sufocamento; nó na garganta; respiração ofegante; sudorese; tremores; dor no peito; batimentos cardíacos acelerados; falta de desejo sexual; muita ou nenhuma vontade de se alimentar; alterações no intestino e estômago como gastrite, refluxo, úlcera; dificuldades com pessoas lentas, calvice; medos irracionais de fracassar, sobretudo medos relacionados a câncer e infarto. Tais sintomas, podem se manifestar sempre em situações de estresse.  É por isso que algumas pessoas têm comportamentos diferentes diante dos momentos conflitantes. Em suma, esta patologia nada mais é do que o sofrimento presente pelo futuro inexistente. (o pleonasmo foi intencional).

No entanto, com relação às preocupações da enfermidade em foco, 90% delas não se tornam reais; as equivalentes aos 10% que restaram se tornam reais; mas com uma roupagem diferente da que temos “certeza” que virão vestidas[3]. Um exemplo muito comum dentro dos 90%:

uma pessoa sente algumas pontadas no lado esquerdo do peito e imediatamente é atacada por uma excessiva preocupação ladeada por uma “certeza” de que está infartando quando, na verdade, após ir à urgência dum hospital, descobre que o incômodo foi causado tão somente por gases produzidos por uma má digestão.

É oportuno ainda acrescentar que medos excessivos e irracionais também podem ser diagnosticados em pessoas que têm os denominados Transtornos de Ansiedade, a saber, Síndrome do Pânico; Transtorno Obsessivo Compulsivo; Transtorno Pós-Traumático. Na Esquizofrenia também ocorrem medos sem fundamentos. 

            Não obstante, para essa doença há tratamento eficaz. Porém, nem sempre é aceitável pelo público teísta e ateu. Por quê?
Porque há um tabu quando o assunto é a procura por um profissional da saúde da mente devido à abundância de desinformação e preconceito, principalmente entre muitos dos que professam algum tipo de fé, uma vez que não aceitam a ideia de estarem doentes ou de ter que tomar medicação pelo resto da vida, mesmo isto não sendo uma regra aplicada a todos os pacientes.

Lembro-me de ter lido num livro o relato de um líder espiritual que muito sofreu por ter sido acometido por um transtorno mental e resistido durante meses à ideia de procurar ajuda profissional, pois temia ser substituído ainda que temporariamente da denominação a qual cuidava com dedicação. Ele usou todo tipo de saída que lhe estava à disposição com intuito de se livrar do tormento: orava em casa e no monte, jejuava vários dias no mês, determinava em nome de Jesus a cura sobre si, mas a doença só crescia e a cada dia lhe amassava como se amassa um copo descartável. Chegou um momento, graças a Deus, que o líder se rendeu e humildemente decidiu procurar ajuda médica e consequentemente a doença o deixou.

Em oposição à parte negligente da história relatada, afirmamos que é dever nosso aceitar que adoecer, seja de qual parte do corpo for, infelizmente, faz parte da vida do ser humano, já que a humanidade está sujeita, incluindo os que tem Fé em Deus, conforme podemos ver nos relatos sobre, Paulo, homem de fé, o qual orou para Deus levantar um paralítico (At 14:10), o que ocorreu; e noutra oportunidade deixou Trófimo, seu amigo, doente em Mileto (2Tm 4:20). E, ainda noutro momento, recomendou medicação ao hipoteticamente ansioso, Timóteo, para, provavelmente, tratar duma úlcera estomacal, gastrite ou esofagite (1Tm 5:23). Se o líder anteriormente citado tivesse entendido o que Timóteo entendeu, no aparecer dos primeiros sintomas, teria evitado o agravo do seu transtorno.

Não negamos que a cura duma doença pode vir, sem dúvidas, pelas mãos divinas de Deus. Mas é irrefragável que a cura também vem pelas mãos e mentes humanas de um médico ou de um Psicólogo os quais são instrumentos dEle, conforme bem escreveu o   médico, historiador e escritor do Novo Testamento, Lucas, ao narrar as palavras de Jesus Cristo :

                           “Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes” (5.31).

Qualquer pessoa que sente desconforto nos rins, coração, ossos, procura, sem hesitar, um Nefrologista; Cardiologista. Do mesmo modo, quem tem Ansiedade Patológica deve procurar um Psiquiatra, um Psicólogo e um Nutricionista, já que os alimentos têm papéis importantíssimos quanto à melhora dos transtornos[4].  Assim, todo preconceito sobre se tratar profissionalmente deve ser aniquilado.
A respeito da hipotética certeza de tomar medicação por longo ou indefinido período, não deveria ser tabu, pois, há pessoas hipertensas e diabéticas que precisam fazer uso contínuo de remédios, não por serem pessoas fracas mentalmente (sentido pejorativo) ou porque o médico quis deixá-las “dependente”, mas porque essa é, cientificamente, a melhor e confiável forma de trazer a estes pacientes a melhora dos sintomas que antes os incomodava e os ameaçava à vida. Desse modo, não procurar ajuda profissional é desprezar a orientação de Cristo e trazer uma piora do quadro e acarretar mais sintomas pelo restante do corpo (Pv 17.22).

Ansiedade da Fé: Esta ansiedade, embora não seja desencadeada por doença, pode causar alterações negativas no humor por causa da falta de confiança naquilo que Deus garantiu à Sua Igreja. Vejamos o que o Novo Testamento fala a sobre Ansiedade.

Mas, antes, por que afirmamos que essa ansiedade não é a vital nem a patológica, se ela causa preocupação e negatividade? Porque, conforme veremos, Deus não repreende quem está no centro da sua vontade nem quem adoece, sobretudo por questões genéticas, haja vista conhecer as mentes dos homens (1Cr 28.9; Sl 103. 14; Is 55.8; Hb 4.15).

Bem, o substantivo geralmente traduzido no Novo Testamento por Ansiedade deriva de μέριμνα (gr. merimna)[5]. Ele tem o sentido de expectação, dedicação, preocupação, (Mt 6. 25; Lc 10.41, 12.26; 1Co 7.34 ; 2Co 11:28; Fp 4.6; 1Pe 5.7). Dentre os versos extraídos destacamos (Mt 6.25; Fp 4.6; 1Pe 5.7) os quais indicam repreensão aos que não estavam confiando em Deus como deveriam. Certa feita Jesus advertiu pessoas as quais estavam muito preocupadas com o que havia de comer e vestir. Seguindo a mesma ideia, Paulo exortou os filipenses a não se preocupar com coisa alguma e, quando desejasse algo, pedisse a Deus em oração e com ações de graça. E Pedro, por fim, recomendou lançar toda preocupação desnecessária sobre o Senhor.

É bem verdade que os textos vetero/neotestamentários não são empecilhos para que possamos tomar decisões para suprir as necessidades do presente e do futuro (Pv 6. 6; 2Ts 3.10), pois, como já expomos, eles reprovam a preocupação desenfreada a qual revela a falta de fé no cuidado Paternal de Deus (Gn 22. 8-13; Sl 104. 14-15; Is 49.16; Mt 28.20). Cabe-nos aqui, porém, orientarmos o cristão que a sua confiança em Deus deve ser moderada ou à Luz da Bíblia, pois muitos abandonaram a fé por terem depositado em Deus uma confiança com fins de bençãos materiais as quais o Senhor não as garantiu dar, principalmente quando e como esses as exigiram. O Senhor nos orienta a pedir, mas só nos dá o que estiver no centro da Sua vontade (Mt 21.22; Lc 11.9; Tg 4.3; 1Jo 5.14).  Não devemos nos aproximar primariamente de Deus por aquilo que Ele dá, mas pelo o que já deu, quero dizer, a salvação da alma e a oportunidade de sermos moradores da Cidade Celestial (Mt 6.33; Jo 3.16; 6.26-27).
Por Cristo, Itard Víctor




[1] De acordo com o Psiquiatra Marcos Abud. Em:< https://www.youtube.com/watch?v=tn0zqVKo0CM> . Acesso em 24 de fevereiro de 2020.
[2] CURY, Augusto. Ansiedade 2. 2018. p.102. BENVIRÁ.
[3] CURY, Augusto. Ansiedade. p. 135. SARAIVA.
[4] SAVIOLI, Gisela. Estresse, Ansiedade e Depressão. Como prevenir e tratar através da nutrição. 2019. CANÇÃO NOVA.
[5] LOUW, Johanes, NIDA, Eugene. Lexical semantics of the Greek New Testament.
KITTEL, Gerhard. Theological Dictionary of the New Testament (TDNT).
BAUER, Walter; DANKER, Frederick; ARNDT, William F; GINGRICH, F. Wilbur, A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG).