segunda-feira, 27 de julho de 2020

Tradução do Novo Mundo diz que Jesus é Jeová!



 

Aproveitando a Quarentena e/ou o Isolamento social neste período da Pandemia do Coronavírus, optamos por ler algumas literaturas não evangélicas, as das Testemunhas de Jeová. Nelas, pudemos observar que é dito que Jesus é Jeová; apesar das referidas testemunhas ensinarem o oposto, isto é, ensinarem que Jesus foi criado.

 Por exemplo, na Tradução do Novo Mundo das Testemunhas de Jeová (TNM), uma versão da Bíblia Sagrada traduzida pelos estudiosos da Sociedade Torre de Vigia, quando lemos o texto de (João 1:1) vemos que Jesus é apontado como “um deus” qualquer:

    No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com o Deus, e a Palavra era [um] deus.”.[1]

Numa obra destinada ao evangelismo jeovista cujo título é, Você Pode Entender a Bíblia, distribuída em lugares públicos pelos Pioneiros/Publicadores, é explicado detalhadamente que o Senhor Jesus teve um começo:

Jesus é muito especial para Jeová. Por quê? Primeiro, porque Jesus é “o primogênito de toda a criação”. O que isso quer dizer? Que ele foi o primeiro a ser criado. Jeová criou Jesus antes de criar qualquer outra pessoa ou outra coisa. (Colossenses 1:15). Segundo, Jesus é muito especial porque ele é o “Filho unigênito”. O que isso quer dizer? Que ele foi o único ser criado só por Jeová. (João 3:16). Terceiro, Jesus ajudou Jeová a criar todas as outras coisas. (Colossenses 1:16). Quarto, Jeová usou Jesus também para dar orientações e mensagens para os anjos e humanos. Por isso, Jesus é chamado de “a Palavra”. João 1:14. Alguns acreditam que Jesus e Deus são a mesma pessoa, mas não é isso que a Bíblia ensina. A Bíblia diz que Jesus foi criado. Então, Jesus teve um começo. Mas Jeová, que criou todas as coisas, sempre existiu. (Salmo 90:2). Jesus nunca pensou ser Deus porque ele é o Filho de Deus. A Bíblia deixa claro que o Pai é maior do que o Filho. (Leia João 14:28; 1Co 11:3.). Só Jeová é “o Deus Todo-Poderoso”. (Gênesis 17:1). Jeová é a pessoa mais importante e poderosa do Universo.[2]

 

Todavia, a Tradução do Novo Mundo, aponta que, Jesus, é Senhor Jeová. Acompanhemos com atenção. Em Romanos 16:20 é dito:

     O Deus que dá a paz, por sua parte, esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés.”

            E ao lado desse versículo, a TNM, conecta (Gênesis 3:15) e (Hebreus 2:14), ou seja, conecta-o com outros textos proféticos nos quais tratam do nascimento e da Vitória do Senhor Jesus sobre o diabo.

E, em (2Tessalonicenses 3:12,16), podemos ver contextualmente quem é o Senhor de Paz lá de (Romanos 16:20). Vejamos:

As tais pessoas damos a ordem e a exortação, no Senhor Jesus Cristo, que, por trabalharem com sossego, comam o alimento que eles mesmos ganham.

O próprio Senhor da Paz vos dê agora constantemente a paz, de toda maneira. O Senhor seja com todos vós.

Isto é, a TNM diz que Jesus é O Senhor, O Javé, O Jeová.

No que diz respeito às duas afirmações que dizem: Jeová sempre existiu, e Jesus teve um começo, grifadas na citação, a Bíblia vai na contramão da última.

Por exemplo: 

Em (Isaías 44.6) nos é mostrado que Deus é o Primeiro e o Último ou o Princípio e o Fim, e que fora dEle não há outro Deus. Porém, em (Apocalipse 1.8, 2.8, 21.6 e 22.13) também é mostrado que o cordeiro (Jesus), é o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim.

Noutras palavras, Jesus, no Novo Testamento, tem a mesma atribuição Divina que Jeová recebeu no Antigo Testamento. Logo, quando as Testemunhas de Jeová indicam o (Salmo 90:2) fazendo referência à Eternidade de Jeová, sem incluir Jesus, cometem um equívoco de concatenação de Textos, ou seja, de Hermenêutica.  

Corroborando ainda a respeito da TNM dizer que Jesus é Jeová, leiamos (Lucas 1:76) no qual diz que João Batista iria de antemão na frente de Jeová para aprontar os seus caminhos:

Mas, quanto a ti, menino, serás chamado de profeta do Altíssimo, pois irás de antemão na frente de Jeová para aprontar os seus caminhos,”

Há alguma dúvida de quem seja esse Jeová o qual João foi enviado antes dele? Se há, deixemos a TNM dizer quem É em (João 1:26,27,29,30):

João respondeu-lhes, dizendo: “Eu batizo em água. No meio de vós está parado um a quem não conheceis, o que vem atrás de mim, não sendo eu nem digno de desatar o cordão de suas sandálias. [...] No dia seguinte viu Jesus aproximar-se dele e disse: Eis aí o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Este é aquele a respeito de quem eu disse: Atrás de mim vem um homem que avançou na minha frente, porque existiu antes de mim.

Já à afirmação de que Jesus nunca pensou ser Deus, a Bíblia também discorda ao apresentar o motivo pelo qual os judeus queriam apedrejar Jesus (João 10:33):

Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo.” (ACF)[3]

Como pôde ser observado, os judeus quiseram assassinar o Senhor e Salvador Jesus Cristo porque Ele se apresentou como Deus. Esse é o detalhe que incomodou os estudiosos da Torre e os levou a trocar, Deus por um deus, na Tradução do Novo Mundo:

Os judeus responderam-lhe: “Nós te apedrejamos não por uma obra excelente, mas por blasfêmia, sim, porque tu, embora seja um homem se fazes um deus.

Ora, se Jesus tivesse se apresentando apenas como um deus qualquer ou apenas como o Filho de Deus ou o Filho do Homem (Mateus 26:64), jamais os judeus iriam apedrejá-lo, conforme mandava a Lei (Levítico 24:16), pois, eles, além de nunca condenarem a expressão Filho do Homem relacionada ao profeta Ezequiel (Ez 2:1), sabiam que o Messias profetizado pelos profetas seria: o Filho do Homem (Salmo 2:7; Daniel 7:13-14) e que nasceria duma virgem em Belém da Judéia no ano 29 (Isaías 7:14; Daniel 9:25; Miquéias 5:2),[4] isto é, uma pessoa comum.

Portanto, se houve tamanho ódio, houve porque Jesus dizia ser Deus, conforme vemos ainda no episódio no qual fez uso da expressão Eu Sou de (Êxodo 3:14), contida em (João 8:58, 18:5-6). Aliás, quando Jesus disse Eu Sou, no mesmo instante, os que ouviram a declaração caíram por terra, o que de forma incontestável nos revela sua Divindade.

Vale ainda salientar que, diferente do que pensam as amigas da Sociedade Torre do Vigia, não são apenas os evangélicos da atualidade que têm certeza que Jesus é Senhor (κύριος) e Deus (θεὸς), pois há milênios essa crença existe nos autores do Antigo Testamento, por exemplon no (Salmo 110:1) e nos do Novo Testamento, por exemplo, nos apóstolos Pedro e Tomé, apesar de crerem que só existiam um Único Senhor (Deuteronômio 6:4).

Simão Pedro disse-lhe: Senhor, não só os meus pés, mas também as minhas mãos e a minha cabeça.” (João 13:9 TNM)

Em resposta, Tomé disse-lhe: “Meu Senhor e meu Deus” (João 20:28 TNM)

 

Observação: Na tradução da Septuaginta[5], tanto a palavra κύριος/kyrios (Senhor) quanto θεὸς/Theós (Deus), estão contidas em (Gênesis 3:14), se referindo a Jeová:

καὶ εἶπεν κύριοςθεὸς τῷ ὄφει ὅτι ἐποίησας τοῦτο ἐπικατάρατος σὺ ἀπὸ πάντων τῶν κτηνῶν καὶ ἀπὸ πάντων τῶν θηρίων τῆς γῆς ἐπὶ τῷ στήθει σου καὶ τῇ κοιλίᾳ πορεύσῃ καὶ γῆν φάγῃ πάσας τὰς ἡμέρας τῆς ζωῆς σου

E Jeová Deus passou a dizer à serpente. Por que fizeste isso, maldita és dentre todos os animais domésticos e dentre todos os animais selváticos do campo. Sobre seu ventre andarás e pós é o que comerás todos os dias da tua vida.” (TNM).

Por Cristo,

Itard Víctor



[1] Tradução da versão Inglesa de 1984. Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Rodovia SP-141, km 43, Cesário Lange, SP, 18285-901, Brasil. Capa de cor Preta. (Grifos nossos).

[2] Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, Cesário Lange, São Paulo, Brasil. Edição de fevereiro de 2016. p. 44-45. (Grifos nossos).

[3] Almeida Corrigida Fiel.

[4] As testemunhas de Jeová reconhecem que “muitos já se perguntavam quem iria ser o Messias” (Você Pode Entender a Bíblia. p. 41-42).

[5] Septuaginta é a tradução do Antigo Testamento Hebraico para o Grego, feita antes de Cristo por judeus versados em Hebraico e Grego. Ela foi usada pelos gregos e judeus de Tessalônica (Atos 17:11).

        

domingo, 26 de julho de 2020

Vale a pena acreditar em Ellen G. White?



 

                                                                               Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                         Cri, por isso falei

Como é do conhecimento dos que estudam Heresiologia, os adventistas têm a profetisa, Ellen Gould White, como uma mulher que recebeu revelações da parte de Deus e que escreveu sob inspiração Divina. Assim eles já declararam:

Os testemunhos orais ou escritos da Sra. White preenchem plenamente este requisito, no fundo e na forma. Tudo quanto disse e escreve foi puro, elevado, cientificamente correto e profeticamente exato.[..] A Sra. White é uma mulher de mentalidade singularmente bem equilibrada. Predominam em seus traços a benevolência, a espiritualidade, a conscienciosidade e o idealismo.[1]

Somos gratos a Deus por nos conceder não somente as Santas Escrituras, mas também a manifestação do dom de profecia para os últimos dias na vida e obra de Ellen G. White.[2]

 

Contudo, a profetisa escreveu algo que muito nos chamou a atenção.

Ela escreveu que, o Senhor Jesus, aos prantos, rejeitou o pedido de perdão da parte do diabo que havia se rebelado.  Segundo White, Jesus fez isso depois de Deus ter dado várias oportunidades de arrependimento a satanás e por temer que o Reino Celestial fosse contaminado. Assim ela escreveu:

Satanás treme ao contemplar sua obra. Ele está sozinho, meditando sobre o passado, o presente e o futuro de seus planos. Sua poderosa estrutura vacila como numa tempestade. Um anjo do Céu está passando. Ele o chama e suplica uma entrevista com Cristo. Isto lhe é concedido. Então, relata ao Filho de Deus que está arrependido de sua rebelião e deseja voltar ao favor divino. Está disposto a tomar o lugar que previamente Deus lhe designara e sujeitar-se a Seu sábio comando. Cristo chorou ante o infortúnio de Satanás mas disse-lhe, como pensamento de Deus, que ele jamais poderia ser recebido no Céu. O Céu não devia ser colocado em perigo. Se fosse recebido de volta, todo o Céu seria manchado pelo pecado e rebelião originados com ele. […] A lei de Deus podia condenar mas não podia perdoar.

Deus, em Sua grande misericórdia, suportou longamente a Satanás. Este não foi imediatamente degradado de sua posição elevada, quando a princípio condescendeu com o espírito de descontentamento, nem mesmo quando começou a apresentar suas falsas pretensões diante dos anjos fiéis. Muito tempo foi ele conservado no Céu. Reiteradas vezes lhe foi oferecido o perdão, sob a condição de que se arrependesse e submetesse.[3]

 

Com base nisso, deixarei duas questões para reflexão:

1ª- Foi observado que White disse que Deus ofereceu várias oportunidades de arrependimento ao diabo, mas que ao mesmo tempo temia que o céu fosse contaminado com sua presença. Afinal, Deus desejava ou temia que o diabo retornasse ao seu lugar de posição original? Deus É Presciente?

2.ª- Essa revelação pode ser corroborada pela Bíblia? 


Por Cristo, Itard Víctor


[1] CHRISTIANINI, Arnaldo B. Subtilezas do Erro. 2ª edição Revista e Ampliada.

[2] Tratado de Teologia Adventista.p. 703.

[3] (História da Redenção, p. 26, grifo nosso). (O Grande Conflito, p. 495-496, grifo nosso). Disponível em: < http://www.ellenwhitebooks.com/> . Acesso em 26/07. 2020.


quarta-feira, 22 de julho de 2020

Onde estava Daniel quando os três jovens foram lançados na fornalha?




Segundo conta a história bíblica, Nabucodonosor ergueu uma estátua para que todos se encurvassem a ela. Todo aquele que não procedesse desta maneira seria severamente punido, e foi o que aconteceu com Hananias, Misael e Azarias. Pela própria Bíblia nós sabemos que Daniel não foi lançado na fornalha. E com base nesta afirmação somos levados a fazer ainda dois questionamentos antes de apresentarmos a resposta: o fato de Daniel não ter sido lançado na fornalha significa que ele não estava no dia em que a estátua foi consagrada? Ou, já que o profeta não foi para a fornalha, significa que ele se prostrou perante o ídolo?  

Resposta:

Bem, a Bíblia nos fornece algumas razões para que cheguemos à conclusão de que Daniel estava presente no dia da inauguração da estátua de Nabucodonosor. Vejamos:

Em primeiro lugar, devemos ter em mente que o simples fato de a Bíblia não dizer de forma ipsis litteris que Daniel estava ou não estava na consagração da imagem, não é o melhor argumento para negar sua presença no referido evento.  

Em segundo lugar, a informação contida em (Dn 2:48), diz que Daniel ocupou o cargo de governador de toda a província de Babilônia e de chefe supremo de todos os sábios de Babilônia. Dessa forma, Daniel teria que estar no dia da inauguração da estátua, pois todas as demais autoridades que haviam sido convocadas pelo rei, não só estavam no local, mas estavam diante da imensa imagem de acordo com (Dn 3:1-3).

Em terceiro lugar, o fato de Daniel estar no evento pagão não fazia com que ele fosse ordenado a se prostrar perante o ídolo. Com relação à última observação, é possível que você, amado leitor, esteja fazendo a seguinte indagação: se o rei havia prometido punir quem não se prostrasse perante a estátua (Dn 3:6), por que Daniel estaria isento desse momento? Acerca dessa questão, o Pastor Elias Soares traz um comentário que nos ajuda a entender que Daniel embora estivesse perante a estátua, não a adorou:   

Que ele não se curvou é possível afirmarmos pelo simples fato de conhecermos, biblicamente, a sua conduta e caráter como homem e profeta de Deus. [...] Quando ainda jovem rejeitou os manjares da mesa do rei porque sabia que eram alimentos consagrados às divindades babilônicas. Em outra ocasião, quando os 120 presidentes, através de um plano macabro, fizeram o rei aprovar um decreto para punir Daniel, homem de oração, com a pena de ser lançado na cova dos leões, ele preferiu ser lançado aos leões a deixar de orar três vezes ao dia ao seu Deus.  [...] Diferente de todos os demais governadores, Daniel era visto de maneira muito diferente por Nabucodonosor. Antes do episódio da consagração da imagem o rei teve um sonho o qual foi esquecido por ele. E, em todo o império, é importante lembrarmos de que Daniel foi o único que pode desvendar o sonho e o seu significado para o rei. Após haver interpretado o sonho e apresentar o significado do mesmo a Nabucodonosor este se curvou perante Daniel, o adorou e lhe ofereceu sacrifícios (Dn 2:46).[1]  

Isto é, Daniel era uma pessoa que tinha um testemunho de um verdadeiro servo de Deus. Com base em tudo o que foi exposto, podemos concluir que Daniel estava no local do culto pagão. E tudo ainda nos leva a pensar que Daniel tinha uma espécie de “imunidade parlamentar” dada por Nabucodonosor que o isentava de se prostrar perante o ídolo do império babilônico, haja vista o respeito que o rei tinha por ele.

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[1] Perguntas Difíceis de Responder. Vol 3. p. 263-267.


sábado, 11 de julho de 2020

João Calvino e sua estranha correlação de Deus com Queda do homem.








                                                                      Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                       Cri, por isso falei  



“Deus não só viu de antemão a queda do primeiro homem e nela a ruína de sua posteridade, mas também por seu próprio prazer a ordenou.”[1]

“Embora sua perdição de tal maneira dependa da predestinação divina, a causa e a substância dela (perdição) estão ambas neles (homens) […]. Portanto, o homem cai porque assim o ordenou a providência de Deus; no entanto, cai por falha sua.”[2]

Por outro lado, o teólogo holandês, Jacó Armínio, especialista no assunto, contra argumentou  concluindo:

"Mas a culpa desse pecado não pode, de modo algum, ser transferida para Deus, seja como uma causa eficiente, seja como uma causa deficiente. (1) Não como uma causa eficiente. Porque ele não perpetrou esse crime através do homem, nem empregou contra o homem qualquer ação, interna ou externa, pela qual Ele poderia incitá-lo a pecar (Sl 5.5; Tg 1.13). (2) Não como uma causa eficiente. Porque não negou nem retirou qualquer coisa que fosse necessária para evitar esse pecado e cumprir a lei, mas Ele o havia dotado suficientemente com todas as coisas necessárias para esse propósito, e o preservou depois que foi assim revestido”.[3]

"Adão não caiu pelo decreto de Deus, nem por ter sido ordenado a cair, nem por deserção, mas pela mera permissão de Deus, que é colocada na subordinação a nenhuma predestinação, seja à salvação ou à morte, mas que cabe à providência, na medida em que ela é distinguida como oposição à predestinação".[4]

"Uma teoria pela qual Deus é considerado, necessariamente, o autor do pecado deve ser repudiada por todos os cristãos e, na verdade, por todos os homens, pois nenhum homem pensa que o ser a quem considera divino é mau- no entanto, segundo a teoria de Calvino e Beza, Deus é, necessariamente, considerado o autor do pecado- portanto, essa teoria deve ser repudiada ". [5]

 Por Cristo,
 Itard Víctor



[1] Institutas da Religião Cristã. Livro III, Cap. XXIII, Seção VII. grifo nosso.
[2] Ibid Seção VIII.
[3] Obras. Vol 1. P. 436.
[4] Obras. Vol. 2. P. 424. grifo nosso.
[5] Obras. Vol. 3. P. 96-97. grifo nosso.

Quantos gigantes Davi matou, um ou cinco?








                                                                         Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                       Cri, por isso falei  


Sem qualquer sombra de dúvidas Davi matou o gigante Golias. Contudo, de acordo com  (2Sm 21:22), outros gigantes morreram também pela mão de Davi:

“Estes quatro nasceram dos gigantes em Gate; e caíram pela mão de Davi e pela mão de seus homens.” (ARA)

Resposta:

Se lermos os versículos anteriores, fica claro que, além de Golias, outros gigantes foram mortos: Lami (1Cr 20:5), Isbi-Benobe (2Sm 21:16), Safe ou Sipai (2Sm 21:18; 1Cr 20:4) e um outro cujo nome não foi mencionado (2Sm21:20-21;1Cr.20:6-8). Dessa forma, respondemos que cinco gigantes foram mortos, um diretamente por Davi, e quatro sob a sua liderança.


Por Cristo,
Itard Víctor

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Como conciliar (At 9:7) com (At 22:9)?







                                                                   Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                       Cri, por isso falei  


Na primeira narrativa, o autor nos mostra os acompanhantes de Saulo ouvindo a voz do Senhor Jesus, a qual perguntava por que ele o perseguia: 

“E os varões, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém.” (At 9:7ARC)

Na segunda, é-nos dito que eles não ouviram a voz:

“E os que estavam comigo viram, em verdade, a luz, e se atemorizaram muito; mas não ouviram a voz daquele que falava comigo.”  (At 22:9 ARC)

Resposta:
A resposta está relacionada ao tipo de tradução em que lemos, pois, ao lermos o último texto citado anteriormente, em outra versão, a questão é elucidada:

Os que me acompanhavam viram a luz, mas não entenderam a voz daquele que falava comigo.” (At 22:9 NVI).

Isto é, em (At 9:7), os companheiros de Saulo ouviram apenas o som ou o barulho da voz de Jesus, mas não tiveram compreensão alguma do que era dito por Ele.[1]


Por Cristo, 
Itard Víctor





[1]A NVI segue a mesma linha de raciocínio: At 9:7 lê "eles ouviram o som, mas não viram ninguém"; 22:9 "meus companheiros vira a luz, mas não entenderam a voz.” Na gramática de Wallace temos o seguinte: "O campo de significado para ambos ἀκούω (ouvir, entender) e φωνή (som, voz), conjugado com a mudança de casos (gen., acus.), pode ser apelado para harmonizar estas duas narrativas. (Gramática Grega. p. 133. EBR). Ver também o significado do verbo ouvir - ἀκούω - na nota 32.1 do Léxico Grego-Português do Novo Testamento baseado em domínios semânticos. SBB).


quinta-feira, 14 de maio de 2020

Será que ele vai matar-se?






                                                                      Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                       Cri, por isso falei  

  
Qual localidade veio às mentes dos judeus ao ouvirem Jesus dizer que iria para um lugar no qual eles não poderiam ir, a ponto de pensarem que Cristo cometeria suicídio, na passagem de (Jo 8.22)?

Não é difícil elucidar esta pergunta se levarmos em conta que, para o judaísmo do séc I, cometer suicídio era ganhar uma passagem para o Hades. Isto é, para os judeus, em especial os fariseus os quais se consideravam hiper santos (Lc 18.8-14) só havia um lugar para o qual não poderiam ir senão via suicídio, o Hades.

O sacerdote, Flávio Josefo, procurando convencer os soldados judeus a se entregarem ao romanos, no afã de dissuadi-los do suicídio em massa programado por estes, disse o seguinte: 

Agora, o suicídio é um crime mais distante da natureza comum de todos os animais e um exemplo de impiedade contra Deus, nosso Criado [...] Os corpos dos homens são mortais, pois são feitos de uma matéria frágil e corruptível; mas nossas almas são imortais e participam de algum modo da natureza de Deus. [...] E se alguém quiser fazê-lo, poderá se iludir em ocultar aos olhos de Deus a ofensa que lhe faz? Todos estão de acordo em que é justo castigar um escravo que foge de seu senhor, embora esse senhor seja mau e nós julgaremos poder sem crime abandonar a Deus que não somente é nosso senhor, mas um senhor soberanamente bom? Não sabeis que Ele difunde suas bênçãos sobre a posteridade daqueles, que depois de ter chamado para junto de si, entregaram em suas mãos, a vida, que, segundo as leis da natureza, Ele lhes deu e que suas almas voam puras para o céu, para lá viverem felizes e voltar, no correr dos séculos, a animar corpos que sejam puros como elas e que, ao contrário, as almas dos ímpios, que por uma loucura criminosa dão a morte a si mesmos são precipitadas nas trevas do Hades? E que Deus, o Pai de todos os homens, vinga as ofensas dos pais nos filhos? Foi por isso que o nosso sábio legislador, conhecendo o horror de tal crime, determinou que os corpos dos que se matam, voluntariamente, fiquem sem sepultura até o pôr-do-sol, embora seja permitido enterrar antes os que foram mortos na guerra. Há nações que cortam as mãos dos assassinos que se mataram a si mesmos, porque julgam justo separá-las de seus corpos, como estão separados seus corpos de suas almas.[1]

            Ademais, a crença daqueles judeus também poderia estar baseada no “Não Matarás” ou no “Não Assassinarás” contido na Torah ou Lei (Ex 20.13) entendendo o suicídio como um auto homicídio que, uma vez praticado, deixaria o agente da ação impossibilitado de se arrepender, obviamente por estar morto, sobrando-lhe apenas a condenação eterna. Talvez por isto o judeu/espanhol, Rambam/Maimônides, disse que o suicida é culpado de assassinato, será responsabilizado na Corte Celestial e não terá participação no mundo vindouro.[2]
           
                                                                                                                                    Itard Víctor


[1] Wars of the Jews 3: 369-378. Tradução nossa.
[2] <https://www.chabad.org/library/article_cdo/aid/4372311/jewish/Suicide-in-Judaism.htm>.