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domingo, 16 de junho de 2019
sexta-feira, 14 de junho de 2019
Calvino, um pré-arminiano?
Até o presente momento, há um típico
discurso vindo da ótica calvinista que valentemente afirma que a regeneração ou
o arrependimento precede a Fé.
Isto é, Deus regenera o pecador antes deste crer. Isso mesmo. O
pecador é regenerado sem primeiro crer.
Dentre os muitos adeptos dessa filosofia, queremos destacar o testemunho
do já falecido teólogo R. C. Sprol que, em seu livro, O Mistério do Espírito
Santo[1],
conta uma experiência do tempo de seminário pela qual demonstra como essa
filosofia entrou em sua vida:
Um
dos momentos mais dramáticos em minha vida, na formação de minha teologia,
ocorreu em uma sala de aula de um seminário. Um de meus professores foi ao
quadro negro e escreveu estas palavras em letras garrafais:
A REGENERAÇÃO
PRECEDE A FÉ
Aquelas
palavras foram um choque para o meu sistema. Eu tinha entrado no seminário
crendo que a obra principal do homem para efetivar o novo nascimento era a fé.
Eu pensava que nós tínhamos que primeiro crer em Cristo, para então nascermos
de novo. Eu uso as palavras "para então" aqui por uma razão. Eu
estava pensando em termos de passos que deviam ocorrer em uma certa seqüência.
Eu colocava a fé no princípio. A ordem parecia algo mais ou menos assim:
"Fé
- novo nascimento -justificação."
Eu não tinha pensado sobre esse assunto com muito cuidado. Nem
tinha atentado cuidadosamente às palavras de Jesus a Nicodemus. Eu presumia que
mesmo sendo um pecador, uma pessoa nascida da carne e vivendo na carne, eu
ainda tinha uma pequena ilha de justiça, um pequeno depósito de poder
espiritual remanescente em minha alma para me capacitar a responder ao
Evangelho sozinho. Possivelmente eu tinha sido confundido pelo ensino da Igreja
Católica Romana. Roma, e muitos outros ramos do Cristianismo, tem ensinado que
a regeneração é graciosa; ela não pode acontecer aparte da ajuda de Deus. [...]
Uma
obra monergística é uma obra produzida por uma única pessoa. O prefixo mono
significa um. A palavra erg refere-se a uma unidade de trabalho. Palavras como
energia são construídas com base nessa raiz. Uma obra sinergística é uma que
envolve cooperação entre duas ou mais pessoas ou coisas. O prefixo sun
significa "juntamente com".
Eu
faço esta distinção por um razão. O debate entre Roma e Lutero foi travado
sobre este simples ponto. A questão era esta: A regeneração é uma obra
monergística de Deus ou uma obra sinergística que requer cooperação entre homem
e Deus? Quando meu professor escreveu "A regeneração precede a fé" no
quadro negro, ele estava claramente tomando o lado da resposta monergística.
Depois de uma pessoa ser regenerada, esta pessoa coopera pelo exercício de sua
fé e confiança. Mas o primeiro passo é a obra de Deus e de Deus tão-somente.
A
razão pela qual não cooperamos com a graça regeneradora antes dela agir sobre
nós e em nós é que nós não podemos. Não podemos porque estamos mortos
espiritualmente. Não podemos assistir o Espírito Santo na vivificação de nossas
almas para a vida espiritual, da mesma forma que Lázaro não podia ajudar Jesus
a ressuscitá-lo dos mortos.
Quando
comecei a lutar com o argumento do Professor, fiquei surpreso ao descobrir que
o estranho som de seu ensino não era novidade. Agostinho, Martinho Lutero, João
Calvino, Jonathan Edwards, George Whitefield - até o grande teólogo medieval Tomás
de Aquino ensinaram esta doutrina. Tomás de Aquino é o Doctor Angelicus da
Igreja Católica Romana. Por séculos seu ensino teológico era aceito como dogma
oficial pela maioria dos Católicos. Então, ele era a última pessoa que eu
esperava sustentar tal visão da regeneração. Todavia Aquino insistiu que a
graça regeneradora é uma graça operante, e não uma graça cooperativa. Aquino
falou da graça preveniente, mas ele falou de uma graça que vem antes da fé, que
é a regeneração.
Todavia,
ao ler que Sproul citou Calvino, nos assustamos, pois há uma exposição do referido teólogo francês a qual soa bem
diferente:
O
próximo passo, porém, nos será da fé ao arrependimento, porque,
conhecido adequadamente esse ponto, melhor se evidenciará como somente pela
fé e puro perdão o homem é justificado; contudo, a graciosa imputação de
justiça não é separada, por assim dizer, da real santidade de vida. Entretanto,
deve estar fora de controvérsia que o arrependimento não apenas segue de
contínuo a fé, mas inclusive nasce dela. Ora, uma vez que pela
pregação do evangelho é oferecido perdão e remissão para que o pecador,
liberado da tirania de Satanás, do jugo do pecado e da mísera servidão dos
vícios, seja transportado ao reino de Deus, por certo que ninguém pode abraçar
a graça do evangelho a não ser que se afaste dos erros da vida e tome a via
reta, e aplique todo seu esforço à prática do arrependimento. Mas, os que pensam
que o arrependimento precede à fé e não é produzida por ela, como o
fruto de sua árvore, estes jamais souberam no que consiste sua
propriedade e natureza, e, ao pensar assim, se apoiam num fundamento sem
consistência. [...]
Contudo,
quando atribuímos à fé a origem do arrependimento, não sonhamos algum
espaço de tempo no qual se lhe dê à luz; ao contrário, queremos pôr à mostra que
o homem não pode aplicar-se seriamente ao arrependimento, a não ser que reconheça
ser de Deus. Mas, ninguém é verdadeiramente persuadido de que é de Deus, salvo
aquele que haja antes reconhecido sua graça. Estas coisas, porém, serão mais
lucidamente discutidas no próprio andamento da exposição. Talvez os tenha enganado
o fato de que muitos são quebrantados de sobressaltos de consciência ou afeiçoados
à obediência antes que sejam imbuídos do conhecimento da graça; com efeito,
antes mesmo que tenham sentido o gosto. E é este o chamado temor inicial que
alguns contam entre as virtudes, já que o vêem como muito parecido com verdadeira
e justa obediência. Aqui, porém, não se trata de quão variadamente Cristo nos atraia
a si, ou nos prepare para o cultivo da piedade: estou apenas afirmando que não
se pode achar retidão alguma onde não reina esse Espírito que Cristo recebeu para
que o comunicasse a seus membros[2].
Calvino
realmente estava ensinando o Calvinismo que conhecemos?
Não seria Calvino um pré-arminiano?
[1]Disponível
em: < http://www.monergismo.com/textos/regeneracao/regeneracao_precede_fe.htm>.
[2] As
Institutas da Religião. Vol 3. Cap III.
Tradução Bíblica / Biblical Translation
Traduzir
significa transferir e, no caso de uma mensagem escrita, significa passar de
uma língua para outra. No caso da Bíblia, por não conhecer as línguas originais
(hebraico, aramaico e grego), o leitor precisa recorrer a um tradutor. O
tradutor faz a mediação ou passagem de uma língua para outra. Em sua tarefa, o
tradutor tem basicamente duas opções, descritas de forma um tanto lapidar pelo
erudito alemão F. Schleiermacher, em 1813: “Ou o tradutor deixa o escritor
quieto no seu canto, levando, na medida do possível, o leitor até ele; ou deixa
o leitor em paz e, na medida do possível,
traz o escritor até ele”.
O tradutor que
deixa o escritor quieto no seu canto, levando o leitor até ele, faz uma
tradução dita “formal”. Respeita a forma do texto original, conservando a ordem
das palavras, traduzindo verbos por verbos, substantivos por substantivos e
assim por diante. Traduções como Reina-Valera, King James e Almeida são
traduções formais. Além de serem formais, tendem para a linguagem erudita, de
difícil compreensão para as pessoas mais simples. Pode-se dizer que, num caso
assim, o processo de tradução não está de todo concluído, pois solicita uma
grande contribuição do leitor. Por exemplo, uma tradução literal como “cingindo
os lombos do vosso entendimento” (1Pedro 1.13, ARC) requer do leitor o seguinte
processamento: cingir os lombos significa, num contexto oriental, passar uma
tira de pano ou um cinto na altura dos lombos (ou dos rins), para erguer um
pouco e firmar a longa túnica que dificulta os movimentos do homem, com vistas
a maior liberdade de ação, no trabalho; cingir os lombos do entendimento é
fazer, de maneira figurada, a mesma coisa com a mente; portanto, trata-se de
preparar a mente para agir.
O tradutor que
deixa o leitor em paz, trazendo, na medida do possível, o escritor até ele, faz
uma tradução dita “dinâmica” ou “funcional”. Produz uma tradução que soa
natural na língua alvo (no nosso caso, o português). Abre mão da “consistência
cega”, deixando de traduzir um termo do original sempre pela mesma palavra em
português, pois leva em conta o contexto e o significado que a palavra tem em
cada contexto. (Esta maleabilidade justifica o uso da expressão “tradução
dinâmica”.) Entende que uma mesma mensagem pode ser expressa de diferentes
maneiras, sem perda significativa. Procura ser fiel ao leitor, perguntando
sempre se ele entende o que texto que tem diante de si. A Bíblia na Linguagem
de Hoje é o melhor exemplo de tradução dinâmica.
Num caso como o
de 1Pedro 1.13, traduções dinâmicas expressam o significado de forma direta,
dispensando o processo reflexivo do leitor e garantindo que ele entenda a
mensagem de forma imediata e correta. Uma tradução de equivalência dinâmica
como A Bíblia para Todos (Portugal, 2009) diz, em 1Pe 1.13: “tenham o espírito
preparado para a ação”. A Nova Tradução na Linguagem de Hoje, entendendo que o
espírito ou a mente não age sem a pessoa, diz de forma direta: “estejam prontos
para agir”.
Na prática, é
difícil encontrar uma tradução que seja 100% formal ou 100% dinâmica. A King
James Version é, segundo estudos feitos, apenas 95% formal (expressões
idiomáticas, por exemplo, pouco ou nada significam, em tradução literal); e
traduções como a Bíblia na Linguagem de Hoje apresentam uma tradução dinâmica
em apenas 85% do texto (o que significa que, em 15% do texto, fazem uma
tradução formal ou literal).
Fonte: <http://www.sbb.org.br/a-biblia-sagrada/principios-de-traducao/>.
segunda-feira, 10 de junho de 2019
Filo e Qumran dizem que o Messias é o arcanjo Miguel?
Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα
Cri, por isso falei
Por falta de uma pesquisa séria em Filo de Alexandria ou sobre quem
pesquisou neste, alguns advogam que esse judeu cria claramente que o Messias
que ele esperava (Filo nasceu antes de Cristo) era o arcanjo Miguel. Eles tem
por ideia as seguintes citações do pensador de Alexandria:
“E mesmo que ainda não haja alguém que seja digno de ser chamado de
filho de Deus, trabalhe diligentemente para ser adornado de acordo com sua
primeira palavra, o mais velho de seus anjos, como o grande arcanjo de muitos.
nomes; porque ele é chamado, a autoridade e o nome de Deus, e a Palavra, e o
homem segundo a imagem de Deus, e aquele que vê a Israel”. (De Confusione
Linguarum XXVIII 146)
“Mas o sonho também representava o arcanjo, ou seja, o próprio
Senhor, firmemente plantado na escada; pois devemos imaginar que o Deus vivo
está acima de todas as coisas, como o cocheiro de uma carruagem ou o piloto de
um navio; isto é, acima dos corpos e acima das almas, e acima de todas as
criaturas, e acima da terra, e acima do ar, e acima do céu, e acima de todos os
poderes dos sentidos externos, e acima das naturezas invisíveis, acima todas as
coisas, visíveis ou invisíveis; por ter feito o todo depender de si mesmo, ele
governa e toda a vastidão da natureza”. (De Sominis XXV. 157)
Todavia, nos escritos de Filo de Alexandria como naqueles
encontrados em Qumram (manuscritos do Mar Morto), não há qualquer declaração
clara a qual indique o arcanjo com o Messias. Acompanhemos as conclusões de Darrel
D. Hannah, uma autoridade no assunto:
Em
Filo
Tradução
livre:
Tudo
isso certamente indica que Filo se sentia à vontade para usar tradições sobre
Miguel e outros anjos principais da literatura judaica (por exemplo, Metatron)
enquanto formulava sua doutrina do Logos. No entanto, não deve ser esquecido
que Filo nunca identifica explicitamente o Logos com Miguel e teria sido
prejudicial para essa posição geral se ele tivesse feito isso; a concepção de
Filo do Logos difere significativamente das várias tradições relativas a
Miguel. Como vimos, Filo entendeu o Logos como a Mente de Deus e, às vezes,
como hipóstase. Para ele, o Logos era um agente da criação e o elo que unia o
universo. O Logos era a imagem de Deus e seu filho primogênito. Não há
paralelos com estes que existem nas tradições sobre Miguel. Portanto, as
especulações de Miguel podem ter servido a Filo como modelos para sua
compreensão do Logos, mas Filo não assume simplesmente essas tradições. Ele as
transforma interpretando-as à luz de sua compreensão de Platão e Estóicos. Além
disso, a doutrina Logos de Filo demonstra a fluidez das principais tradições
angélicas. Embora Miguel seja geralmente considerado o mais alto dos arcanjos,
um judeu como Filo poderia transformar, e transformou, as tradições para seus
próprios propósitos.
Todavia, não é apenas em Filo que os adeptos da crença no jesus-miguel
se agarram, mas nos antigos e chamados Manuscritos do Mar Mortos. Porém, tal
apego é também sem sucesso. Deixemos mais uma vez Hannah falar:
Em
Qumram
Tradução
livre:
As
tradições de Michael nos escritos de Qumram, então, são muito semelhantes ao
que encontramos na literatura apocalíptica judaica. Ele continua sendo o
campeão angélico de Israel, embora os sectários definam "Israel"
muito mais estreitamente. Ele é claramente o mais importante dos anjos, bem
como o comandante-chefe dos exércitos celestiais. Finalmente, se a
identificação de Melquisedeque é sólida e se Newson está certo de que o nome do
anjo principal no sábado Shirot era Melquisedeque, então os deveres de sumo
sacerdote eram também atribuídos a Michael. Mais importante ainda para a tese
deste trabalho, Michael/Melquisedeque parece ter sido considerado o equivalente
celestial dos Messias terrestres. O triunfo de Michael no War Scroll coincide
com a vitória messiânica, e Melchizedek serve como uma figura escatológica de
redenção. No entanto, os sectários não parecem ter dado o passo de identificar
Miguel/Melquisedeque com qualquer um dos messias”.
Por
Cristo, Itard Víctor
(HANNAH,
Darrell D. Michael and Christ: Michael Tradition and Angel Christology in Early
Christianity. 1999. P. 75, 90).
Ellen White acerca da Porta Fechada
Cri, por isso falei
Logo após a suposta visão que Ellen White teve sobre a entrada de
Cristo no santuário celestial, ela completou essa “visão” afirmando que Cristo
não só tinha entrado no santuário, mas também a porta da graça havia sido
fechada por Ele.
O ensino da "porta fechada" se baseava na parábola das
dez virgens de Mateus 25. De acordo com a parábola, alguém através de um clamor
avisa que o Esposo, que representa a Jesus, vem à festa das bodas (Mt:25:6). Muitos
adventistas decepcionados com os erros de Miller quanto à volta de Jesus, se
deixaram levar por essa nova “revelação” vinda da parte de Ellen White, que por
muito tempo ensinou que Jesus não estava mais salvando nenhum pecador, uma vez
que Ele havia fechado a tal porta do céu.
Os seguidores da “porta fechada” ensinavam que o Esposo veio à
"ceia das bodas" em 22 de outubro de 1844 baseados no texto de (Mt
25:10). Esse ensino esteve em evidência durante sete anos.
De 1844
a 1851 o grupo ensinou a doutrina da "porta fechada", com base na
parábola de Jesus sobre as dez virgens. Quem não aceitou a mensagem adventista
no momento em que Jesus entrou no Santo dos Santos estaria excluído
permanentemente, assim como as cinco virgens loucas. Cortado do Noivo, eles não
podiam juntar-se aos adventistas ou ter alguma esperança de vida eterna. Ellen
White não só aprovou e ensinou esta doutrina, como a sua experiência da
primeira visão foi a grande responsável pela doutrina ter sido recebida pelo
grupo adventista.(Brinsmead, Robert, D., Judged by the Gospel: A Review of
Adventism, pp. 130–33).
Testemunhas da época desta “visão”
relataram o seguinte sobre Ellen Gould White:
Também
Tiago e Ellen White eram ardentes partidários da doutrina da porta fechada. De
fato, em 1845, Ellen recebeu visões (não esqueça isto) que mostravam que a
porta da salvação estava fechada. Lucinda Burdick, também do Maine, diz:
"Ouvi falar pela primeira vez da Srta. Ellen G. Harmon (depois Sra. Ellen
G. White) em princípios do Inverno (Janeiro ou Fevereiro) de 1845, quando meu
tio Josiah Little veio à casa de meu pai e informou que havia visto uma tal
Ellen Harmon no ato de ter visões que ela assegurava receber de Deus. Meu tio
disse que ela afirmava que Deus lhe havia revelado que a porta da misericórdia
tinha-se fechado para sempre, e que de agora em diante não havia mais salvação
para os pecadores. Isto me causou grande inquietude e angústia mental, porque
eu não havia sido batizada e meu jovem coração se preocupou muito pelo que
sucederia com a minha salvação se a porta da misericórdia estivesse realmente
fechada." Carta de Lucinda Burdick, Bridgeport, Connecticut, 26 de set. de
1908. Ela recorda que: "Ellen estava tendo o que se conhecia como visões:
Dizia que Deus lhe havia mostrado em visão que Cristo Jesus se levantou no dia
décimo do sétimo mês de 1844 e fechou a porta da misericórdia; que havia
abandonado para sempre o trono mediador; que o mundo inteiro estava condenado e
perdido, e que jamais se salvaria qualquer outro pecador." Miles Grant, An Examination of Mrs. Ellen White's Visions, Boston:
Advent Christian Publication Society, 1877. […] O ministro adventista Isaac Wellcome
recorda o seguinte: "Amiúde, estive em reuniões com Ellen G. Harmon e
Tiago White em 1844 e 1845. Várias vezes a sustive enquanto caía ao solo - às
vezes quando desmaiava durante uma visão. Ouvi-a relatar suas visões destas
datas. Várias foram publicadas em panfletos, dizendo que todos os que não apoiavam
o movimento de 1844 estavam perdidos [...],Ibid.
Vejamos o que o teólogo adventista, Alberto
R. Timm, escreveu sobre essa teoria:
À
semelhança de outros movimentos religiosos, os adventistas do sétimo dia surgiram
com características sectárias. Na tentativa de justificar sua existência,
grande ênfase era colocada sobre os elementos distintivos da fé adventista,
relegando os componentes básicos da fé evangélica a um plano secundário. Além
disso, os primeiros adventistas sabatistas criam até o início da década de
1850, na teoria da “porta fechada (Mt 25:10).
Depois de passar anos pregando a mensagem da “porta fechada” mais
tarde ela reconheceu seu gravíssimo erro e com um jeito astuto e dissimulado
disse:
Por
algum tempo depois da decepção de 1844, mantive, juntamente com o corpo do
advento, que a porta da graça estava para sempre fechada para o mundo. Este
ponto de vista foi adotado antes de minha primeira visão. Foi a luz a mim
concedida por Deus que corrigiu nosso erro, e habilitou-nos a ver a verdadeira
atitude. Creio ainda na teoria da porta fechada, mas não no sentido em que
empregávamos a princípio o termo ou em que ele é empregado por meus oponentes (Mensagens
Escolhidas-vol 1, p. 63).
O interessante é que ela disse que só errou porque ainda não tinha
um ministério de visões uma vez que a mesma é apontada como a mulher das duas
mil visões. Mas o pior de tudo é que ela usou o nome de Deus em vão durante
vários anos para apoiar aquilo que lhe agradava, independentemente desse ensino
estar ou não na Bíblia, contrariando o terceiro e nono mandamento contidos na “LEI”,
que adverte o homem a não usar o nome de Deus em vão, e nem dar falso testemunho.
Cabe aqui fazer uma pergunta: Quem usava o nome do Senhor em vão para
profetizar o que quisesse, senão os falsos profetas?
“Sabe que, quando esse profeta falar em nome do SENHOR, e a
palavra dele se não cumprir, nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o
SENHOR não disse; com soberba, a falou o tal profeta; não tenhas temor dele”
(Dt 18:22).
Por Cristo, Itard Víctor
Do livro: Uma Resposta
Exegética À Crença Adventista. 2015. p. 176-180
sexta-feira, 7 de junho de 2019
Quanto à Teologia defino-me
Επίστευσα, διὸ
ἐλάλησα
Cri, por isso falei
Na Teontologia-Cristologia-Pneumatologia
(Teísta;
Trinitário; Pentecostal-Carismático);
Na Soteriologia-Hamartiologia
(Arminiano
Clássico que não flerta com seitas);
Na Bibliologia
(Inerrantista que equilibra o texto eclético e
o recebido);
Na
Eclesiologia
(Imersionista
que não vê problema no aspercionismo desde que praticado por salvos; dizimista;
episcopalista e congregacionista que entende que a Ceia é pra quem confessou
que creu no Senhor da Ceia);
Na Escatologia
(Pré-Milenista
com um mix de Pré e Meso quanto ao arrebatamento).
Por
Cristo, Itard Víctor
quarta-feira, 5 de junho de 2019
Vale a Pena Reler de Novo
Επίστευσα, διὸ
ἐλάλησα
Cri, por isso
falei
Hoje, passeando pelo vasto “mundo da internet” encontramos uns
comentários os quais fizemos numa rede social há alguns anos a respeito do
Criador Jesus Cristo. Então, depois de lê-los, logo veio o desejo de
reproduzi-lo, uma vez que achamos ser produtivo para os que tem interesse em
saber a verdade sobre o que foi tratado.
Bem, após escrevermos que nem a Bíblia, nem os estudiosos sérios do
meio cristão, nem a literatura judaica ensinam que o Senhor Jesus Cristo ou o
Messias é o arcanjo Miguel, um certo personagem do mundo virtual (o qual não
citaremos o nome, já que ele insinuou, na época, que poderia nos processar
juridicamente) se direcionou a nós numa naquela rede, insinuando que não líamos
nada em relação à crença judaica sobre o arcanjo e sua suposta semelhança com o
Criador. Daí em diante, com ar de dominador do conhecimento e desprezo à nossa
pessoa, assim teclou:
Personagem:
“Gente
que não lê: é fogo. No judaismo de Qunrã, Miguel é chamado de Princípe da
Congregação e este prínciep da congregação é chamado de Messias, Raiz de Davi
em 4Q285 Fr.4,5. Além disto, em 2 Enoque 33, Miguel é chamado de Intercessor ou
mediador diante D-us, E no Testamento de Dan 6:1-5 e no testamnto de Abraão
1:4, Ele é chamado de mediador.
No
rolo da guerra, Miguel é mencionado como o Príncipe celestial em 1QM 17:7–8,
que cito aqui em aramaico, já que o Itard bem conhece o idioma:
להאיר בשמחה ברית ישראל שלום וברכה לגורל אל
להרים באלים משרת מיכאל וממשלת
Em
outras palavras, havia SIM dentro judaismo, grupos que identificavam Miguel com
o esperado Messias".
Contudo, fomos pesquisar para então termos a certeza de que o
personagem estava, de fato, reproduzindo o que dizia. Então, após um certo
irmão ter nos ajudado em alguns pontos, assim replicamos:
Nós:
As
obras que você mencionou não condiz com o que você pensa.
(1)
Quanto a 4Q285, Fr.4,5, tal texto encontra-se bastante fragmentado, sendo
bastante difícil e questionável a sua reconstrução. (Para uma discussão sobre a
dificuldade acerca da reconstrução e do significado de 4Q285, veja: HANNAH,
Darrell D. Michael and Christ: Michael Traditions and Angel Christology in
Early Christianity. Tübingen, Mohr Siebeck, 1999, p.66). Além disso, "no
Rolo da Guerra, o agente da libertação de Deus é o arcanjo Miguel, ao invés do
Messias". (Cf. COLLINS, John J. The Son of God Text From Qumran. In: BOER,
Martinus C. De. [Ed.]. From Jesus to John: Essays on Jesus and New Testament
Christology in Honour of Marinus de Jonge. Sheffield,
JSOT Press, 1993, p.79).
(2)
No que diz respeito a 2 Enoque 33:11, Testamento de Dan 6:1-5 e Testamento de
Abraão 1:4, o fato destes textos chamarem o arcanjo Miguel de "mediador
[de Deus]", não o qualifica ou o identifica necessariamente com o Messias.
Ele é "mediador" simplesmente no sentido de que realiza a vontade de
Deus entre os homens, apenas isso. Além do mais, deve-se acrescentar que no
Primeiro livro de Adão e Eva, 29:6,8; 31:5, Miguel é chamado claramente de
"anjo". No Livro da Ascensão de Isaías 3:16, Miguel é denominado
apenas "arcanjo". No Testamento de Abraão, Cap.1, Miguel é chamado
tanto de "arcanjo" quanto de "príncipe", demonstrando aqui
que este "príncipe" dos anjos era somente mais um "anjo".
Aliás, esta mesma lógica atravessa todo o restante do Testamento de Abraão. No
Livro de Enoque, 71:2, Miguel é chamado simplesmente de "o Anjo Miguel, um
dos arcanjos". E, por fim, no Apocalipse de Moisés, Miguel é chamado
novamente de "arcanjo". Inferir que Miguel seja mais do que um
arcanjo em todos estes textos é simplesmente ir além do que os textos dizem e
impor-lhes um significado que eles não pretendem transmitir.
(3)
Finalmente, no que se refere a 1QM 17:7-8, tal texto não identifica Miguel em
momento algum com o "Messias". Aliás, segundo o contexto imediato
(1QM17:6), Miguel é chamado apenas de "anjo majestoso". Além do mais,
há uma certa semelhança entre 1QM17:5-7 e Apocalipse 12:7-9, texto este que
narra a batalha entre "[o arcanjo] Miguel e os seus anjos (...) contra o
dragão" (Ap 12:7). Some-se a estes dados ainda o fato de 1QM9:14-16 (no
contexto anterior de 1QM 17:7-8) relacionar o anjo Miguel com outros anjos,
Sariel, Rafael e Gabriel. Portanto, não há absolutamente nada nestes contextos
que identifique claramente Miguel com o Messias.
Não satisfeito com nossa apresentação, o personagem revidou ao seu
estilo:
Personagem:
“Amigo,
vamos lá:
1)
Muito embora o texto do Sefer Ha- Milhama seja fragmentado, ahá elementos que
permitem reconstruir a leitura na qual Miguel é o Príncipe da congregação. A
linha 2 do fragmento 5, NÃO ESTÁ FRAGMENTADA quando se referen a raiz de Jessé.
Você deveria ter ido olhar no manuscrito. O מגזע ישי é o נשיא העדה. E este é o Priíncipe de
Israel, na linha 2 do fragmento 10. Este príncipe, de acordo com Daniel 12 é
Miguel. Logo, contrário a J.J. Collins, é segura a identificação da Raiz de
Davi no Sefer, como Miguel.
2)
Eu me recordo que o Novo Testamento afirma que HÁ APENAS UM MEDIADOR ENTRE D-US
E O HOMEM. Logo, seu primeiro argumento é o do desespero. E ser chamado de anjo
ou arcanjo não significa que Ele seja criado, uma vez que Malachim em hebraico
e Angelos em grego são termos funcionais, como uma olhadinha em qualquer
dicionário bíblico ajuda.
Tchau
Samechá!!”
Então,
novamente e pela última vez, trouxemos outra explicação:
Nós:
Mais
uma vez sua fala não te ajudou. Vejamos:
(1)
A referência à raiz de Jessé está clara nos fragmentos. Contudo, esta figura
messiânica chamada "príncipe da congregação" não é identificada com
"Miguel" em 4Q285. Aliás, Miguel nem mesmo é citado em 4Q285. Além
disso, 4Q285, no fragmento 5, linhas 1 e 2, cita (conforme a reconstrução do
texto) Isaías 10:34 e Isaías 11:1, textos estes claramente messiânicos, mas não
menciona em momento algum Daniel 12, não tendo, portanto, nenhuma ligação com
esse texto. Além do mais, cabe ressaltar que o mesmo Miguel que é chamado em
Daniel 12:1 de "o grande príncipe", foi chamado antes, em Daniel
10:13, de "UM DOS primeiros príncipes", tradução esta confirmada pelo
Tanakh publicado pela Jewish Publication Society (JPS), que traz:
"Michael, ONE OF THE chief princes" e também pela Bíblia Hebraica da
Sêfer, que diz: "Mihael, UM DOS mais destacados representantes
celestes". Portanto, identificar "Miguel" com "a raiz de
Davi" no Sêfer Ha-Milhama é algo estranho.
(2)
Sim, "há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo,
HOMEM (ἄνθρωπος, e não ἄγγελος ou ἀρχαγγέλος)" (1 Timothy 2:5). Jesus é o
único mediador salvífico entre Deus e os homens (cf. 1 Tm 2:5; Hb 8:6; 9:15;
12:24). Aliás, "o Filho" (Jesus) (cf. Hebreus 1:1) foi "feito
tanto MAIS EXCELENTE DO QUE OS ANJOS, quanto herdou mais excelente nome do que
eles" (Hebreus 1:4). Além disso, "a qual dos anjos [Deus] disse
jamais: Assenta-te à minha destra, até que ponha os teus inimigos por escabelo
de teus pés?" (Hebreus 1:13). Deus disse isso a Miguel alguma vez? É claro
que não. Tais "anjos", diferentemente do "Jesus Cristo,
homem", são "ESPÍRITOS MINISTRADORES, enviados para servir a favor
daqueles que hão de herdar a salvação" (Hebreus 1:14). Diante desses
dados, confundir Jesus com um "anjo" é algo bastante herético.
Depois
daqui o personagem não nos rebateu mais. Antes, debochou e se foi.
Por Cristo, Itard Víctor
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