sexta-feira, 14 de junho de 2019

Calvino, um pré-arminiano?






                                                   
            Até o presente momento, há um típico discurso vindo da ótica calvinista que valentemente afirma que a regeneração ou o arrependimento precede a Fé.

Isto é, Deus regenera o pecador antes deste crer. Isso mesmo. O pecador é regenerado sem primeiro crer.

Dentre os muitos adeptos dessa filosofia, queremos destacar o testemunho do já falecido teólogo R. C. Sprol que, em seu livro, O Mistério do Espírito Santo[1], conta uma experiência do tempo de seminário pela qual demonstra como essa filosofia entrou em sua vida:

Um dos momentos mais dramáticos em minha vida, na formação de minha teologia, ocorreu em uma sala de aula de um seminário. Um de meus professores foi ao quadro negro e escreveu estas palavras em letras garrafais:

                                             A REGENERAÇÃO PRECEDE A FÉ

Aquelas palavras foram um choque para o meu sistema. Eu tinha entrado no seminário crendo que a obra principal do homem para efetivar o novo nascimento era a fé. Eu pensava que nós tínhamos que primeiro crer em Cristo, para então nascermos de novo. Eu uso as palavras "para então" aqui por uma razão. Eu estava pensando em termos de passos que deviam ocorrer em uma certa seqüência. Eu colocava a fé no princípio. A ordem parecia algo mais ou menos assim:

                                  "Fé - novo nascimento -justificação."

Eu não tinha pensado sobre esse assunto com muito cuidado. Nem tinha atentado cuidadosamente às palavras de Jesus a Nicodemus. Eu presumia que mesmo sendo um pecador, uma pessoa nascida da carne e vivendo na carne, eu ainda tinha uma pequena ilha de justiça, um pequeno depósito de poder espiritual remanescente em minha alma para me capacitar a responder ao Evangelho sozinho. Possivelmente eu tinha sido confundido pelo ensino da Igreja Católica Romana. Roma, e muitos outros ramos do Cristianismo, tem ensinado que a regeneração é graciosa; ela não pode acontecer aparte da ajuda de Deus. [...]

Uma obra monergística é uma obra produzida por uma única pessoa. O prefixo mono significa um. A palavra erg refere-se a uma unidade de trabalho. Palavras como energia são construídas com base nessa raiz. Uma obra sinergística é uma que envolve cooperação entre duas ou mais pessoas ou coisas.  O prefixo sun significa "juntamente com".

Eu faço esta distinção por um razão. O debate entre Roma e Lutero foi travado sobre este simples ponto. A questão era esta: A regeneração é uma obra monergística de Deus ou uma obra sinergística que requer cooperação entre homem e Deus? Quando meu professor escreveu "A regeneração precede a fé" no quadro negro, ele estava claramente tomando o lado da resposta monergística. Depois de uma pessoa ser regenerada, esta pessoa coopera pelo exercício de sua fé e confiança. Mas o primeiro passo é a obra de Deus e de Deus tão-somente.
A razão pela qual não cooperamos com a graça regeneradora antes dela agir sobre nós e em nós é que nós não podemos. Não podemos porque estamos mortos espiritualmente. Não podemos assistir o Espírito Santo na vivificação de nossas almas para a vida espiritual, da mesma forma que Lázaro não podia ajudar Jesus a ressuscitá-lo dos mortos.

Quando comecei a lutar com o argumento do Professor, fiquei surpreso ao descobrir que o estranho som de seu ensino não era novidade. Agostinho, Martinho Lutero, João Calvino, Jonathan Edwards, George Whitefield - até o grande teólogo medieval Tomás de Aquino ensinaram esta doutrina. Tomás de Aquino é o Doctor Angelicus da Igreja Católica Romana. Por séculos seu ensino teológico era aceito como dogma oficial pela maioria dos Católicos. Então, ele era a última pessoa que eu esperava sustentar tal visão da regeneração. Todavia Aquino insistiu que a graça regeneradora é uma graça operante, e não uma graça cooperativa. Aquino falou da graça preveniente, mas ele falou de uma graça que vem antes da fé, que é a regeneração.

Todavia, ao ler que Sproul citou Calvino, nos assustamos, pois há uma exposição  do referido teólogo francês a qual soa bem diferente:

O próximo passo, porém, nos será da fé ao arrependimento, porque, conhecido adequadamente esse ponto, melhor se evidenciará como somente pela fé e puro perdão o homem é justificado; contudo, a graciosa imputação de justiça não é separada, por assim dizer, da real santidade de vida. Entretanto, deve estar fora de controvérsia que o arrependimento não apenas segue de contínuo a fé, mas inclusive nasce dela. Ora, uma vez que pela pregação do evangelho é oferecido perdão e remissão para que o pecador, liberado da tirania de Satanás, do jugo do pecado e da mísera servidão dos vícios, seja transportado ao reino de Deus, por certo que ninguém pode abraçar a graça do evangelho a não ser que se afaste dos erros da vida e tome a via reta, e aplique todo seu esforço à prática do arrependimento. Mas, os que pensam que o arrependimento precede à fé e não é produzida por ela, como o fruto de sua árvore, estes jamais souberam no que consiste sua propriedade e natureza, e, ao pensar assim, se apoiam num fundamento sem consistência. [...]

Contudo, quando atribuímos à fé a origem do arrependimento, não sonhamos algum espaço de tempo no qual se lhe dê à luz; ao contrário, queremos pôr à mostra que o homem não pode aplicar-se seriamente ao arrependimento, a não ser que reconheça ser de Deus. Mas, ninguém é verdadeiramente persuadido de que é de Deus, salvo aquele que haja antes reconhecido sua graça. Estas coisas, porém, serão mais lucidamente discutidas no próprio andamento da exposição. Talvez os tenha enganado o fato de que muitos são quebrantados de sobressaltos de consciência ou afeiçoados à obediência antes que sejam imbuídos do conhecimento da graça; com efeito, antes mesmo que tenham sentido o gosto. E é este o chamado temor inicial que alguns contam entre as virtudes, já que o vêem como muito parecido com verdadeira e justa obediência. Aqui, porém, não se trata de quão variadamente Cristo nos atraia a si, ou nos prepare para o cultivo da piedade: estou apenas afirmando que não se pode achar retidão alguma onde não reina esse Espírito que Cristo recebeu para que o comunicasse a seus membros[2].

Calvino realmente estava ensinando o Calvinismo que conhecemos? 

Não seria Calvino um pré-arminiano?





[1]Disponível em: < http://www.monergismo.com/textos/regeneracao/regeneracao_precede_fe.htm>.
[2] As Institutas da Religião. Vol 3. Cap III.

Tradução Bíblica / Biblical Translation





Traduzir significa transferir e, no caso de uma mensagem escrita, significa passar de uma língua para outra. No caso da Bíblia, por não conhecer as línguas originais (hebraico, aramaico e grego), o leitor precisa recorrer a um tradutor. O tradutor faz a mediação ou passagem de uma língua para outra. Em sua tarefa, o tradutor tem basicamente duas opções, descritas de forma um tanto lapidar pelo erudito alemão F. Schleiermacher, em 1813: “Ou o tradutor deixa o escritor quieto no seu canto, levando, na medida do possível, o leitor até ele; ou deixa o leitor em paz e, na medida do possível,  traz o escritor até ele”.

O tradutor que deixa o escritor quieto no seu canto, levando o leitor até ele, faz uma tradução dita “formal”. Respeita a forma do texto original, conservando a ordem das palavras, traduzindo verbos por verbos, substantivos por substantivos e assim por diante. Traduções como Reina-Valera, King James e Almeida são traduções formais. Além de serem formais, tendem para a linguagem erudita, de difícil compreensão para as pessoas mais simples. Pode-se dizer que, num caso assim, o processo de tradução não está de todo concluído, pois solicita uma grande contribuição do leitor. Por exemplo, uma tradução literal como “cingindo os lombos do vosso entendimento” (1Pedro 1.13, ARC) requer do leitor o seguinte processamento: cingir os lombos significa, num contexto oriental, passar uma tira de pano ou um cinto na altura dos lombos (ou dos rins), para erguer um pouco e firmar a longa túnica que dificulta os movimentos do homem, com vistas a maior liberdade de ação, no trabalho; cingir os lombos do entendimento é fazer, de maneira figurada, a mesma coisa com a mente; portanto, trata-se de preparar a mente para agir.

O tradutor que deixa o leitor em paz, trazendo, na medida do possível, o escritor até ele, faz uma tradução dita “dinâmica” ou “funcional”. Produz uma tradução que soa natural na língua alvo (no nosso caso, o português). Abre mão da “consistência cega”, deixando de traduzir um termo do original sempre pela mesma palavra em português, pois leva em conta o contexto e o significado que a palavra tem em cada contexto. (Esta maleabilidade justifica o uso da expressão “tradução dinâmica”.) Entende que uma mesma mensagem pode ser expressa de diferentes maneiras, sem perda significativa. Procura ser fiel ao leitor, perguntando sempre se ele entende o que texto que tem diante de si. A Bíblia na Linguagem de Hoje é o melhor exemplo de tradução dinâmica.

Num caso como o de 1Pedro 1.13, traduções dinâmicas expressam o significado de forma direta, dispensando o processo reflexivo do leitor e garantindo que ele entenda a mensagem de forma imediata e correta. Uma tradução de equivalência dinâmica como A Bíblia para Todos (Portugal, 2009) diz, em 1Pe 1.13: “tenham o espírito preparado para a ação”. A Nova Tradução na Linguagem de Hoje, entendendo que o espírito ou a mente não age sem a pessoa, diz de forma direta: “estejam prontos para agir”.

Na prática, é difícil encontrar uma tradução que seja 100% formal ou 100% dinâmica. A King James Version é, segundo estudos feitos, apenas 95% formal (expressões idiomáticas, por exemplo, pouco ou nada significam, em tradução literal); e traduções como a Bíblia na Linguagem de Hoje apresentam uma tradução dinâmica em apenas 85% do texto (o que significa que, em 15% do texto, fazem uma tradução formal ou literal).

Fonte: <http://www.sbb.org.br/a-biblia-sagrada/principios-de-traducao/>.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Filo e Qumran dizem que o Messias é o arcanjo Miguel?




                                                                                                                   Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα
                                                                                                                        Cri, por isso falei   


Por falta de uma pesquisa séria em Filo de Alexandria ou sobre quem pesquisou neste, alguns advogam que esse judeu cria claramente que o Messias que ele esperava (Filo nasceu antes de Cristo) era o arcanjo Miguel. Eles tem por ideia as seguintes citações do pensador de Alexandria:
“E mesmo que ainda não haja alguém que seja digno de ser chamado de filho de Deus, trabalhe diligentemente para ser adornado de acordo com sua primeira palavra, o mais velho de seus anjos, como o grande arcanjo de muitos. nomes; porque ele é chamado, a autoridade e o nome de Deus, e a Palavra, e o homem segundo a imagem de Deus, e aquele que vê a Israel”. (De Confusione Linguarum XXVIII 146)

“Mas o sonho também representava o arcanjo, ou seja, o próprio Senhor, firmemente plantado na escada; pois devemos imaginar que o Deus vivo está acima de todas as coisas, como o cocheiro de uma carruagem ou o piloto de um navio; isto é, acima dos corpos e acima das almas, e acima de todas as criaturas, e acima da terra, e acima do ar, e acima do céu, e acima de todos os poderes dos sentidos externos, e acima das naturezas invisíveis, acima todas as coisas, visíveis ou invisíveis; por ter feito o todo depender de si mesmo, ele governa e toda a vastidão da natureza”. (De Sominis XXV. 157)

Todavia, nos escritos de Filo de Alexandria como naqueles encontrados em Qumram (manuscritos do Mar Morto), não há qualquer declaração clara a qual indique o arcanjo com o Messias. Acompanhemos as conclusões de Darrel D. Hannah, uma autoridade no assunto:

Em Filo

Tradução livre:

Tudo isso certamente indica que Filo se sentia à vontade para usar tradições sobre Miguel e outros anjos principais da literatura judaica (por exemplo, Metatron) enquanto formulava sua doutrina do Logos. No entanto, não deve ser esquecido que Filo nunca identifica explicitamente o Logos com Miguel e teria sido prejudicial para essa posição geral se ele tivesse feito isso; a concepção de Filo do Logos difere significativamente das várias tradições relativas a Miguel. Como vimos, Filo entendeu o Logos como a Mente de Deus e, às vezes, como hipóstase. Para ele, o Logos era um agente da criação e o elo que unia o universo. O Logos era a imagem de Deus e seu filho primogênito. Não há paralelos com estes que existem nas tradições sobre Miguel. Portanto, as especulações de Miguel podem ter servido a Filo como modelos para sua compreensão do Logos, mas Filo não assume simplesmente essas tradições. Ele as transforma interpretando-as à luz de sua compreensão de Platão e Estóicos. Além disso, a doutrina Logos de Filo demonstra a fluidez das principais tradições angélicas. Embora Miguel seja geralmente considerado o mais alto dos arcanjos, um judeu como Filo poderia transformar, e transformou, as tradições para seus próprios propósitos.

Todavia, não é apenas em Filo que os adeptos da crença no jesus-miguel se agarram, mas nos antigos e chamados Manuscritos do Mar Mortos. Porém, tal apego é também sem sucesso. Deixemos mais uma vez Hannah falar:

Em Qumram

Tradução livre:

As tradições de Michael nos escritos de Qumram, então, são muito semelhantes ao que encontramos na literatura apocalíptica judaica. Ele continua sendo o campeão angélico de Israel, embora os sectários definam "Israel" muito mais estreitamente. Ele é claramente o mais importante dos anjos, bem como o comandante-chefe dos exércitos celestiais. Finalmente, se a identificação de Melquisedeque é sólida e se Newson está certo de que o nome do anjo principal no sábado Shirot era Melquisedeque, então os deveres de sumo sacerdote eram também atribuídos a Michael. Mais importante ainda para a tese deste trabalho, Michael/Melquisedeque parece ter sido considerado o equivalente celestial dos Messias terrestres. O triunfo de Michael no War Scroll coincide com a vitória messiânica, e Melchizedek serve como uma figura escatológica de redenção. No entanto, os sectários não parecem ter dado o passo de identificar Miguel/Melquisedeque com qualquer um dos messias”.

Por Cristo, Itard Víctor

(HANNAH, Darrell D. Michael and Christ: Michael Tradition and Angel Christology in Early Christianity. 1999. P. 75, 90).


Ellen White acerca da Porta Fechada






                                                                                                Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                                     Cri, por isso falei   



Logo após a suposta visão que Ellen White teve sobre a entrada de Cristo no santuário celestial, ela completou essa “visão” afirmando que Cristo não só tinha entrado no santuário, mas também a porta da graça havia sido fechada por Ele.

O ensino da "porta fechada" se baseava na parábola das dez virgens de Mateus 25. De acordo com a parábola, alguém através de um clamor avisa que o Esposo, que representa a Jesus, vem à festa das bodas (Mt:25:6). Muitos adventistas decepcionados com os erros de Miller quanto à volta de Jesus, se deixaram levar por essa nova “revelação” vinda da parte de Ellen White, que por muito tempo ensinou que Jesus não estava mais salvando nenhum pecador, uma vez que Ele havia fechado a tal porta do céu. 

Os seguidores da “porta fechada” ensinavam que o Esposo veio à "ceia das bodas" em 22 de outubro de 1844 baseados no texto de (Mt 25:10). Esse ensino esteve em evidência durante sete anos.

De 1844 a 1851 o grupo ensinou a doutrina da "porta fechada", com base na parábola de Jesus sobre as dez virgens. Quem não aceitou a mensagem adventista no momento em que Jesus entrou no Santo dos Santos estaria excluído permanentemente, assim como as cinco virgens loucas. Cortado do Noivo, eles não podiam juntar-se aos adventistas ou ter alguma esperança de vida eterna. Ellen White não só aprovou e ensinou esta doutrina, como a sua experiência da primeira visão foi a grande responsável pela doutrina ter sido recebida pelo grupo adventista.(Brinsmead, Robert, D., Judged by the Gospel: A Review of Adventism, pp. 130–33).

Testemunhas da época desta “visão” relataram o seguinte sobre Ellen Gould White:

Também Tiago e Ellen White eram ardentes partidários da doutrina da porta fechada. De fato, em 1845, Ellen recebeu visões (não esqueça isto) que mostravam que a porta da salvação estava fechada. Lucinda Burdick, também do Maine, diz: "Ouvi falar pela primeira vez da Srta. Ellen G. Harmon (depois Sra. Ellen G. White) em princípios do Inverno (Janeiro ou Fevereiro) de 1845, quando meu tio Josiah Little veio à casa de meu pai e informou que havia visto uma tal Ellen Harmon no ato de ter visões que ela assegurava receber de Deus. Meu tio disse que ela afirmava que Deus lhe havia revelado que a porta da misericórdia tinha-se fechado para sempre, e que de agora em diante não havia mais salvação para os pecadores. Isto me causou grande inquietude e angústia mental, porque eu não havia sido batizada e meu jovem coração se preocupou muito pelo que sucederia com a minha salvação se a porta da misericórdia estivesse realmente fechada." Carta de Lucinda Burdick, Bridgeport, Connecticut, 26 de set. de 1908. Ela recorda que: "Ellen estava tendo o que se conhecia como visões: Dizia que Deus lhe havia mostrado em visão que Cristo Jesus se levantou no dia décimo do sétimo mês de 1844 e fechou a porta da misericórdia; que havia abandonado para sempre o trono mediador; que o mundo inteiro estava condenado e perdido, e que jamais se salvaria qualquer outro pecador." Miles Grant, An Examination of Mrs. Ellen White's Visions, Boston: Advent Christian Publication Society, 1877. […] O ministro adventista Isaac Wellcome recorda o seguinte: "Amiúde, estive em reuniões com Ellen G. Harmon e Tiago White em 1844 e 1845. Várias vezes a sustive enquanto caía ao solo - às vezes quando desmaiava durante uma visão. Ouvi-a relatar suas visões destas datas. Várias foram publicadas em panfletos, dizendo que todos os que não apoiavam o movimento de 1844 estavam perdidos [...],Ibid.

Vejamos o que o teólogo adventista, Alberto R. Timm, escreveu sobre essa teoria:

À semelhança de outros movimentos religiosos, os adventistas do sétimo dia surgiram com características sectárias. Na tentativa de justificar sua existência, grande ênfase era colocada sobre os elementos distintivos da fé adventista, relegando os componentes básicos da fé evangélica a um plano secundário. Além disso, os primeiros adventistas sabatistas criam até o início da década de 1850, na teoria da “porta fechada (Mt 25:10).
Depois de passar anos pregando a mensagem da “porta fechada” mais tarde ela reconheceu seu gravíssimo erro e com um jeito astuto e dissimulado disse:

Por algum tempo depois da decepção de 1844, mantive, juntamente com o corpo do advento, que a porta da graça estava para sempre fechada para o mundo. Este ponto de vista foi adotado antes de minha primeira visão. Foi a luz a mim concedida por Deus que corrigiu nosso erro, e habilitou-nos a ver a verdadeira atitude. Creio ainda na teoria da porta fechada, mas não no sentido em que empregávamos a princípio o termo ou em que ele é empregado por meus oponentes (Mensagens Escolhidas-vol 1, p. 63).

O interessante é que ela disse que só errou porque ainda não tinha um ministério de visões uma vez que a mesma é apontada como a mulher das duas mil visões. Mas o pior de tudo é que ela usou o nome de Deus em vão durante vários anos para apoiar aquilo que lhe agradava, independentemente desse ensino estar ou não na Bíblia, contrariando o terceiro e nono mandamento contidos na “LEI”, que adverte o homem a não usar o nome de Deus em vão, e nem dar falso testemunho. Cabe aqui fazer uma pergunta: Quem usava o nome do Senhor em vão para profetizar o que quisesse, senão os falsos profetas?

“Sabe que, quando esse profeta falar em nome do SENHOR, e a palavra dele se não cumprir, nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o SENHOR não disse; com soberba, a falou o tal profeta; não tenhas temor dele” (Dt 18:22).

Por Cristo, Itard Víctor

Do livro: Uma Resposta Exegética À Crença Adventista. 2015. p. 176-180

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Quanto à Teologia defino-me






                                                                                                     Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα
                                                                                                         Cri, por isso falei   

Na Teontologia-Cristologia-Pneumatologia

(Teísta; Trinitário; Pentecostal-Carismático);

Na Soteriologia-Hamartiologia

(Arminiano Clássico que não flerta com seitas);

Na Bibliologia

 (Inerrantista que equilibra o texto eclético e o recebido);

Na Eclesiologia

(Imersionista que não vê problema no aspercionismo desde que praticado por salvos; dizimista; episcopalista e congregacionista que entende que a Ceia é pra quem confessou que creu no Senhor da Ceia);

Na Escatologia

(Pré-Milenista com um mix de Pré e Meso quanto ao arrebatamento).

Por Cristo, Itard Víctor

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Vale a Pena Reler de Novo





                                                                                                                 Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα
                                                                                                                    Cri, por isso falei   



Hoje, passeando pelo vasto “mundo da internet” encontramos uns comentários os quais fizemos numa rede social há alguns anos a respeito do Criador Jesus Cristo. Então, depois de lê-los, logo veio o desejo de reproduzi-lo, uma vez que achamos ser produtivo para os que tem interesse em saber a verdade sobre o que foi tratado.

Bem, após escrevermos que nem a Bíblia, nem os estudiosos sérios do meio cristão, nem a literatura judaica ensinam que o Senhor Jesus Cristo ou o Messias é o arcanjo Miguel, um certo personagem do mundo virtual (o qual não citaremos o nome, já que ele insinuou, na época, que poderia nos processar juridicamente) se direcionou a nós numa naquela rede, insinuando que não líamos nada em relação à crença judaica sobre o arcanjo e sua suposta semelhança com o Criador. Daí em diante, com ar de dominador do conhecimento e desprezo à nossa pessoa, assim teclou:

Personagem:

“Gente que não lê: é fogo. No judaismo de Qunrã, Miguel é chamado de Princípe da Congregação e este prínciep da congregação é chamado de Messias, Raiz de Davi em 4Q285 Fr.4,5. Além disto, em 2 Enoque 33, Miguel é chamado de Intercessor ou mediador diante D-us, E no Testamento de Dan 6:1-5 e no testamnto de Abraão 1:4, Ele é chamado de mediador.
No rolo da guerra, Miguel é mencionado como o Príncipe celestial em 1QM 17:7–8, que cito aqui em aramaico, já que o Itard bem conhece o idioma:
להאיר בשמחה ברית ישראל שלום וברכה לגורל אל להרים באלים משרת מיכאל וממשלת
Em outras palavras, havia SIM dentro judaismo, grupos que identificavam Miguel com o esperado Messias".

Contudo, fomos pesquisar para então termos a certeza de que o personagem estava, de fato, reproduzindo o que dizia. Então, após um certo irmão ter nos ajudado em alguns pontos, assim replicamos:

Nós:

As obras que você mencionou não condiz com o que você pensa.

(1) Quanto a 4Q285, Fr.4,5, tal texto encontra-se bastante fragmentado, sendo bastante difícil e questionável a sua reconstrução. (Para uma discussão sobre a dificuldade acerca da reconstrução e do significado de 4Q285, veja: HANNAH, Darrell D. Michael and Christ: Michael Traditions and Angel Christology in Early Christianity. Tübingen, Mohr Siebeck, 1999, p.66). Além disso, "no Rolo da Guerra, o agente da libertação de Deus é o arcanjo Miguel, ao invés do Messias". (Cf. COLLINS, John J. The Son of God Text From Qumran. In: BOER, Martinus C. De. [Ed.]. From Jesus to John: Essays on Jesus and New Testament Christology in Honour of Marinus de Jonge. Sheffield, JSOT Press, 1993, p.79).

(2) No que diz respeito a 2 Enoque 33:11, Testamento de Dan 6:1-5 e Testamento de Abraão 1:4, o fato destes textos chamarem o arcanjo Miguel de "mediador [de Deus]", não o qualifica ou o identifica necessariamente com o Messias. Ele é "mediador" simplesmente no sentido de que realiza a vontade de Deus entre os homens, apenas isso. Além do mais, deve-se acrescentar que no Primeiro livro de Adão e Eva, 29:6,8; 31:5, Miguel é chamado claramente de "anjo". No Livro da Ascensão de Isaías 3:16, Miguel é denominado apenas "arcanjo". No Testamento de Abraão, Cap.1, Miguel é chamado tanto de "arcanjo" quanto de "príncipe", demonstrando aqui que este "príncipe" dos anjos era somente mais um "anjo". Aliás, esta mesma lógica atravessa todo o restante do Testamento de Abraão. No Livro de Enoque, 71:2, Miguel é chamado simplesmente de "o Anjo Miguel, um dos arcanjos". E, por fim, no Apocalipse de Moisés, Miguel é chamado novamente de "arcanjo". Inferir que Miguel seja mais do que um arcanjo em todos estes textos é simplesmente ir além do que os textos dizem e impor-lhes um significado que eles não pretendem transmitir.

(3) Finalmente, no que se refere a 1QM 17:7-8, tal texto não identifica Miguel em momento algum com o "Messias". Aliás, segundo o contexto imediato (1QM17:6), Miguel é chamado apenas de "anjo majestoso". Além do mais, há uma certa semelhança entre 1QM17:5-7 e Apocalipse 12:7-9, texto este que narra a batalha entre "[o arcanjo] Miguel e os seus anjos (...) contra o dragão" (Ap 12:7). Some-se a estes dados ainda o fato de 1QM9:14-16 (no contexto anterior de 1QM 17:7-8) relacionar o anjo Miguel com outros anjos, Sariel, Rafael e Gabriel. Portanto, não há absolutamente nada nestes contextos que identifique claramente Miguel com o Messias.

Não satisfeito com nossa apresentação, o personagem revidou ao seu estilo:

Personagem:

“Amigo, vamos lá:
1) Muito embora o texto do Sefer Ha- Milhama seja fragmentado, ahá elementos que permitem reconstruir a leitura na qual Miguel é o Príncipe da congregação. A linha 2 do fragmento 5, NÃO ESTÁ FRAGMENTADA quando se referen a raiz de Jessé. Você deveria ter ido olhar no manuscrito. O מגזע ישי é o נשיא העדה. E este é o Priíncipe de Israel, na linha 2 do fragmento 10. Este príncipe, de acordo com Daniel 12 é Miguel. Logo, contrário a J.J. Collins, é segura a identificação da Raiz de Davi no Sefer, como Miguel.

2) Eu me recordo que o Novo Testamento afirma que HÁ APENAS UM MEDIADOR ENTRE D-US E O HOMEM. Logo, seu primeiro argumento é o do desespero. E ser chamado de anjo ou arcanjo não significa que Ele seja criado, uma vez que Malachim em hebraico e Angelos em grego são termos funcionais, como uma olhadinha em qualquer dicionário bíblico ajuda.
Tchau Samechá!!”


           Então, novamente e pela última vez, trouxemos outra explicação:

Nós:

Mais uma vez sua fala não te ajudou. Vejamos:

(1) A referência à raiz de Jessé está clara nos fragmentos. Contudo, esta figura messiânica chamada "príncipe da congregação" não é identificada com "Miguel" em 4Q285. Aliás, Miguel nem mesmo é citado em 4Q285. Além disso, 4Q285, no fragmento 5, linhas 1 e 2, cita (conforme a reconstrução do texto) Isaías 10:34 e Isaías 11:1, textos estes claramente messiânicos, mas não menciona em momento algum Daniel 12, não tendo, portanto, nenhuma ligação com esse texto. Além do mais, cabe ressaltar que o mesmo Miguel que é chamado em Daniel 12:1 de "o grande príncipe", foi chamado antes, em Daniel 10:13, de "UM DOS primeiros príncipes", tradução esta confirmada pelo Tanakh publicado pela Jewish Publication Society (JPS), que traz: "Michael, ONE OF THE chief princes" e também pela Bíblia Hebraica da Sêfer, que diz: "Mihael, UM DOS mais destacados representantes celestes". Portanto, identificar "Miguel" com "a raiz de Davi" no Sêfer Ha-Milhama é algo estranho.

(2) Sim, "há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, HOMEM (ἄνθρωπος, e não ἄγγελος ou ἀρχαγγέλος)" (1 Timothy 2:5). Jesus é o único mediador salvífico entre Deus e os homens (cf. 1 Tm 2:5; Hb 8:6; 9:15; 12:24). Aliás, "o Filho" (Jesus) (cf. Hebreus 1:1) foi "feito tanto MAIS EXCELENTE DO QUE OS ANJOS, quanto herdou mais excelente nome do que eles" (Hebreus 1:4). Além disso, "a qual dos anjos [Deus] disse jamais: Assenta-te à minha destra, até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés?" (Hebreus 1:13). Deus disse isso a Miguel alguma vez? É claro que não. Tais "anjos", diferentemente do "Jesus Cristo, homem", são "ESPÍRITOS MINISTRADORES, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação" (Hebreus 1:14). Diante desses dados, confundir Jesus com um "anjo" é algo bastante herético.

Depois daqui o personagem não nos rebateu mais. Antes, debochou e se foi.



Por Cristo, Itard Víctor

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