sábado, 11 de julho de 2020

Quantos gigantes Davi matou, um ou cinco?








                                                                         Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                       Cri, por isso falei  


Sem qualquer sombra de dúvidas Davi matou o gigante Golias. Contudo, de acordo com  (2Sm 21:22), outros gigantes morreram também pela mão de Davi:

“Estes quatro nasceram dos gigantes em Gate; e caíram pela mão de Davi e pela mão de seus homens.” (ARA)

Resposta:

Se lermos os versículos anteriores, fica claro que, além de Golias, outros gigantes foram mortos: Lami (1Cr 20:5), Isbi-Benobe (2Sm 21:16), Safe ou Sipai (2Sm 21:18; 1Cr 20:4) e um outro cujo nome não foi mencionado (2Sm21:20-21;1Cr.20:6-8). Dessa forma, respondemos que cinco gigantes foram mortos, um diretamente por Davi, e quatro sob a sua liderança.


Por Cristo,
Itard Víctor

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Como conciliar (At 9:7) com (At 22:9)?







                                                                   Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                       Cri, por isso falei  


Na primeira narrativa, o autor nos mostra os acompanhantes de Saulo ouvindo a voz do Senhor Jesus, a qual perguntava por que ele o perseguia: 

“E os varões, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém.” (At 9:7ARC)

Na segunda, é-nos dito que eles não ouviram a voz:

“E os que estavam comigo viram, em verdade, a luz, e se atemorizaram muito; mas não ouviram a voz daquele que falava comigo.”  (At 22:9 ARC)

Resposta:
A resposta está relacionada ao tipo de tradução em que lemos, pois, ao lermos o último texto citado anteriormente, em outra versão, a questão é elucidada:

“Os que me acompanhavam viram a luz, mas não entenderam a voz daquele que falava comigo.” (At 22:9 NVI).

Isto é, em (At 9:7), os companheiros de Saulo ouviram apenas o som ou o barulho da voz de Jesus, mas não tiveram compreensão alguma do que era dito por Ele.[1]


Por Cristo, 
Itard Víctor





[1]A NVI segue a mesma linha de raciocínio: At 9:7 lê "eles ouviram o som, mas não viram ninguém"; 22:9 "meus companheiros vira a luz, mas não entenderam a voz.” Na gramática de Wallace temos o seguinte: "O campo de significado para ambos ἀκούω (ouvir, entender) e φωνή (som, voz), conjugado com a mudança de casos (gen., acus.), pode ser apelado para harmonizar estas duas narrativas. (Gramática Grega. p. 133. EBR). Ver também o significado do verbo ouvir - ἀκούω - na nota 32.1 do Léxico Grego-Português do Novo Testamento baseado em domínios semânticos. SBB).


quinta-feira, 14 de maio de 2020

Será que ele vai matar-se?






                                                                      Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα

                                                                                                       Cri, por isso falei  

  
Qual localidade veio às mentes dos judeus ao ouvirem Jesus dizer que iria para um lugar no qual eles não poderiam ir, a ponto de pensarem que Cristo cometeria suicídio, na passagem de (Jo 8.22)?

Não é difícil elucidar esta pergunta se levarmos em conta que, para o judaísmo do séc I, cometer suicídio era ganhar uma passagem para o Hades. Isto é, para os judeus, em especial os fariseus os quais se consideravam hiper santos (Lc 18.8-14) só havia um lugar para o qual não poderiam ir senão via suicídio, o Hades.

O sacerdote, Flávio Josefo, procurando convencer os soldados judeus a se entregarem ao romanos, no afã de dissuadi-los do suicídio em massa programado por estes, disse o seguinte: 

Agora, o suicídio é um crime mais distante da natureza comum de todos os animais e um exemplo de impiedade contra Deus, nosso Criado [...] Os corpos dos homens são mortais, pois são feitos de uma matéria frágil e corruptível; mas nossas almas são imortais e participam de algum modo da natureza de Deus. [...] E se alguém quiser fazê-lo, poderá se iludir em ocultar aos olhos de Deus a ofensa que lhe faz? Todos estão de acordo em que é justo castigar um escravo que foge de seu senhor, embora esse senhor seja mau e nós julgaremos poder sem crime abandonar a Deus que não somente é nosso senhor, mas um senhor soberanamente bom? Não sabeis que Ele difunde suas bênçãos sobre a posteridade daqueles, que depois de ter chamado para junto de si, entregaram em suas mãos, a vida, que, segundo as leis da natureza, Ele lhes deu e que suas almas voam puras para o céu, para lá viverem felizes e voltar, no correr dos séculos, a animar corpos que sejam puros como elas e que, ao contrário, as almas dos ímpios, que por uma loucura criminosa dão a morte a si mesmos são precipitadas nas trevas do Hades? E que Deus, o Pai de todos os homens, vinga as ofensas dos pais nos filhos? Foi por isso que o nosso sábio legislador, conhecendo o horror de tal crime, determinou que os corpos dos que se matam, voluntariamente, fiquem sem sepultura até o pôr-do-sol, embora seja permitido enterrar antes os que foram mortos na guerra. Há nações que cortam as mãos dos assassinos que se mataram a si mesmos, porque julgam justo separá-las de seus corpos, como estão separados seus corpos de suas almas.[1]

            Ademais, a crença daqueles judeus também poderia estar baseada no “Não Matarás” ou no “Não Assassinarás” contido na Torah ou Lei (Ex 20.13) entendendo o suicídio como um auto homicídio que, uma vez praticado, deixaria o agente da ação impossibilitado de se arrepender, obviamente por estar morto, sobrando-lhe apenas a condenação eterna. Talvez por isto o judeu/espanhol, Rambam/Maimônides, disse que o suicida é culpado de assassinato, será responsabilizado na Corte Celestial e não terá participação no mundo vindouro.[2]
           
                                                                                                                                    Itard Víctor


[1] Wars of the Jews 3: 369-378. Tradução nossa.
[2] <https://www.chabad.org/library/article_cdo/aid/4372311/jewish/Suicide-in-Judaism.htm>.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

O Cristão e a Ansiedade







                                                                          Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα
                                                                                                       Cri, por isso falei   


A presente leitura tem como intuito trazer um genérico esclarecimento a respeito duma palavra que tem ganhado notoriedade neste século, Ansiedade. Essa palavra tem levado escritores de variadas áreas a separar parte do seu tempo para discorrer sobre.

Se levarmos em conta o que dizem a Ciência e a Bíblia, podemos afirmar que,  no mínimo, há três tipos de ansiedades. Sendo elas: ansiedade vital, patológica e a ansiedade da fé
.
Ansiedade Vital: Também chamada de ansiedade benéfica, ela é quem está por trás dos nossos planos de: entrar numa universidade; casar e termos filhos; comprarmos ou construirmos uma casa; passarmos em um concurso. Ela nos conduz aos objetivos reais e necessários da vida, sem nos causar sofrimento.

Ansiedade Patológica: Diferente da Vital, esta é a causadora de muitos males mentais e físicos. Assim como a Depressão que, diga-se de passagem, andam de mãos dadas em alguns transtornos mentais e físicos, essa patologia pode ser desencadeada por fatores genéticos e/ou sociais.
Quanto à área genética, o indivíduo pode nascer com predisposição caso nasça com alterações químicas no cérebro como uma diminuição dos neurotransmissores Serotonina, Dopamina, Noradrenalina os quais estão relacionados ao equilíbrio do nosso humor[1].

Quanto à área social, o uso excessivo do smartphone, do videogame, da televisão; as muitas horas paradas nos engarrafamentos; o complexo de inferioridade e superioridade; o egocentrismo/egolatrismo; a autocobrança; o excesso de cobranças no trabalho, na universidade, no relacionamento conjugal, na instituição religiosa; a obsessão por ganhar dinheiro, por exemplo, torna a pessoa uma candidata com chances fortes e claras à eleição dum quadro de transtorno mental. O sistema mundial está a 1000km/h.

Atualmente, mais de 3 bilhões de pessoas poderão desenvolver algum transtorno psiquiátrico no decorrer de suas vidas[2], sobretudo Ansiedade Patológica.

Pessoas que portam essa patologia, não sofrem por uma simples impaciência ou por desejarem algo para o agora. Não se trata de imediatismo. Quem é vítima dessa doença têm preocupações desequilibradas e excessivas com o futuro. Apresentam sintomas do tipo: insônia; tensão muscular; sensação de sufocamento; nó na garganta; respiração ofegante; sudorese; tremores; dor no peito; batimentos cardíacos acelerados; falta de desejo sexual; muita ou nenhuma vontade de se alimentar; alterações no intestino e estômago como gastrite, refluxo, úlcera; dificuldades com pessoas lentas, calvice; medos irracionais de fracassar, sobretudo medos relacionados a câncer e infarto. Tais sintomas, podem se manifestar sempre em situações de estresse.  É por isso que algumas pessoas têm comportamentos diferentes diante dos momentos conflitantes. Em suma, esta patologia nada mais é do que o sofrimento presente pelo futuro inexistente. (o pleonasmo foi intencional).

No entanto, com relação às preocupações da enfermidade em foco, 90% delas não se tornam reais; as equivalentes aos 10% que restaram se tornam reais; mas com uma roupagem diferente da que temos “certeza” que virão vestidas[3]. Um exemplo muito comum dentro dos 90%:

uma pessoa sente algumas pontadas no lado esquerdo do peito e imediatamente é atacada por uma excessiva preocupação ladeada por uma “certeza” de que está infartando quando, na verdade, após ir à urgência dum hospital, descobre que o incômodo foi causado tão somente por gases produzidos por uma má digestão.

É oportuno ainda acrescentar que medos excessivos e irracionais também podem ser diagnosticados em pessoas que têm os denominados Transtornos de Ansiedade, a saber, Síndrome do Pânico; Transtorno Obsessivo Compulsivo; Transtorno Pós-Traumático. Na Esquizofrenia também ocorrem medos sem fundamentos. 

            Não obstante, para essa doença há tratamento eficaz. Porém, nem sempre é aceitável pelo público teísta e ateu. Por quê?
Porque há um tabu quando o assunto é a procura por um profissional da saúde da mente devido à abundância de desinformação e preconceito, principalmente entre muitos dos que professam algum tipo de fé, uma vez que não aceitam a ideia de estarem doentes ou de ter que tomar medicação pelo resto da vida, mesmo isto não sendo uma regra aplicada a todos os pacientes.

Lembro-me de ter lido num livro o relato de um líder espiritual que muito sofreu por ter sido acometido por um transtorno mental e resistido durante meses à ideia de procurar ajuda profissional, pois temia ser substituído ainda que temporariamente da denominação a qual cuidava com dedicação. Ele usou todo tipo de saída que lhe estava à disposição com intuito de se livrar do tormento: orava em casa e no monte, jejuava vários dias no mês, determinava em nome de Jesus a cura sobre si, mas a doença só crescia e a cada dia lhe amassava como se amassa um copo descartável. Chegou um momento, graças a Deus, que o líder se rendeu e humildemente decidiu procurar ajuda médica e consequentemente a doença o deixou.

Em oposição à parte negligente da história relatada, afirmamos que é dever nosso aceitar que adoecer, seja de qual parte do corpo for, infelizmente, faz parte da vida do ser humano, já que a humanidade está sujeita, incluindo os que tem Fé em Deus, conforme podemos ver nos relatos sobre, Paulo, homem de fé, o qual orou para Deus levantar um paralítico (At 14:10), o que ocorreu; e noutra oportunidade deixou Trófimo, seu amigo, doente em Mileto (2Tm 4:20). E, ainda noutro momento, recomendou medicação ao hipoteticamente ansioso, Timóteo, para, provavelmente, tratar duma úlcera estomacal, gastrite ou esofagite (1Tm 5:23). Se o líder anteriormente citado tivesse entendido o que Timóteo entendeu, no aparecer dos primeiros sintomas, teria evitado o agravo do seu transtorno.

Não negamos que a cura duma doença pode vir, sem dúvidas, pelas mãos divinas de Deus. Mas é irrefragável que a cura também vem pelas mãos e mentes humanas de um médico ou de um Psicólogo os quais são instrumentos dEle, conforme bem escreveu o   médico, historiador e escritor do Novo Testamento, Lucas, ao narrar as palavras de Jesus Cristo :

                           “Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes” (5.31).

Qualquer pessoa que sente desconforto nos rins, coração, ossos, procura, sem hesitar, um Nefrologista; Cardiologista. Do mesmo modo, quem tem Ansiedade Patológica deve procurar um Psiquiatra, um Psicólogo e um Nutricionista, já que os alimentos têm papéis importantíssimos quanto à melhora dos transtornos[4].  Assim, todo preconceito sobre se tratar profissionalmente deve ser aniquilado.
A respeito da hipotética certeza de tomar medicação por longo ou indefinido período, não deveria ser tabu, pois, há pessoas hipertensas e diabéticas que precisam fazer uso contínuo de remédios, não por serem pessoas fracas mentalmente (sentido pejorativo) ou porque o médico quis deixá-las “dependente”, mas porque essa é, cientificamente, a melhor e confiável forma de trazer a estes pacientes a melhora dos sintomas que antes os incomodava e os ameaçava à vida. Desse modo, não procurar ajuda profissional é desprezar a orientação de Cristo e trazer uma piora do quadro e acarretar mais sintomas pelo restante do corpo (Pv 17.22).

Ansiedade da Fé: Esta ansiedade, embora não seja desencadeada por doença, pode causar alterações negativas no humor por causa da falta de confiança naquilo que Deus garantiu à Sua Igreja. Vejamos o que o Novo Testamento fala a sobre Ansiedade.

Mas, antes, por que afirmamos que essa ansiedade não é a vital nem a patológica, se ela causa preocupação e negatividade? Porque, conforme veremos, Deus não repreende quem está no centro da sua vontade nem quem adoece, sobretudo por questões genéticas, haja vista conhecer as mentes dos homens (1Cr 28.9; Sl 103. 14; Is 55.8; Hb 4.15).

Bem, o substantivo geralmente traduzido no Novo Testamento por Ansiedade deriva de μέριμνα (gr. merimna)[5]. Ele tem o sentido de expectação, dedicação, preocupação, (Mt 6. 25; Lc 10.41, 12.26; 1Co 7.34 ; 2Co 11:28; Fp 4.6; 1Pe 5.7). Dentre os versos extraídos destacamos (Mt 6.25; Fp 4.6; 1Pe 5.7) os quais indicam repreensão aos que não estavam confiando em Deus como deveriam. Certa feita Jesus advertiu pessoas as quais estavam muito preocupadas com o que havia de comer e vestir. Seguindo a mesma ideia, Paulo exortou os filipenses a não se preocupar com coisa alguma e, quando desejasse algo, pedisse a Deus em oração e com ações de graça. E Pedro, por fim, recomendou lançar toda preocupação desnecessária sobre o Senhor.

É bem verdade que os textos vetero/neotestamentários não são empecilhos para que possamos tomar decisões para suprir as necessidades do presente e do futuro (Pv 6. 6; 2Ts 3.10), pois, como já expomos, eles reprovam a preocupação desenfreada a qual revela a falta de fé no cuidado Paternal de Deus (Gn 22. 8-13; Sl 104. 14-15; Is 49.16; Mt 28.20). Cabe-nos aqui, porém, orientarmos o cristão que a sua confiança em Deus deve ser moderada ou à Luz da Bíblia, pois muitos abandonaram a fé por terem depositado em Deus uma confiança com fins de bençãos materiais as quais o Senhor não as garantiu dar, principalmente quando e como esses as exigiram. O Senhor nos orienta a pedir, mas só nos dá o que estiver no centro da Sua vontade (Mt 21.22; Lc 11.9; Tg 4.3; 1Jo 5.14).  Não devemos nos aproximar primariamente de Deus por aquilo que Ele dá, mas pelo o que já deu, quero dizer, a salvação da alma e a oportunidade de sermos moradores da Cidade Celestial (Mt 6.33; Jo 3.16; 6.26-27).
Por Cristo, Itard Víctor




[1] De acordo com o Psiquiatra Marcos Abud. Em:< https://www.youtube.com/watch?v=tn0zqVKo0CM> . Acesso em 24 de fevereiro de 2020.
[2] CURY, Augusto. Ansiedade 2. 2018. p.102. BENVIRÁ.
[3] CURY, Augusto. Ansiedade. p. 135. SARAIVA.
[4] SAVIOLI, Gisela. Estresse, Ansiedade e Depressão. Como prevenir e tratar através da nutrição. 2019. CANÇÃO NOVA.
[5] LOUW, Johanes, NIDA, Eugene. Lexical semantics of the Greek New Testament.
KITTEL, Gerhard. Theological Dictionary of the New Testament (TDNT).
BAUER, Walter; DANKER, Frederick; ARNDT, William F; GINGRICH, F. Wilbur, A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG).

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Depressão e o Cristão - Janeiro Branco






                                                                                               Επίστευσα, διὸ ἐλάλησα
                                                                                                                     Cri, por isso falei   



                                    Depressão e o Cristão


O intuito deste texto é trazer consciência a respeito da saúde da mente, sobretudo entre os que professam fé em especial aos cristãos. 

Aproveitando que chegamos ao mês de Janeiro, mês este no qual  ocorre a campanha denominada de Janeiro-Branco cujo objetivo é a saúde da mente, abordaremos aqui acerca de um dos maiores problemas da atualidade o qual, juntamente com a Ansiedade, sem piedade, tem atingido todos os tipos de públicos e causado muitos sofrimentos, a Depressão.

Na atualidade, 300 milhões de pessoas sofrem de depressão. Esta enfermidade é duas vezes mais comuns em mulheres do que em homens. A faixa etária desta está entre 25 e 40 anos, embora ocorra entre crianças e idosos[1].

As causas dessa enfermidade podem ser tanto biológicas, emocionais quanto espirituais.

Causas biológicas:

Quando Adão e Eva pecaram, herdamos deles não apenas uma natureza espiritual pecaminosa, mas genes fora do padrão anterior à Queda, isto é, um DNA Enfermo. Assim, algumas pessoas quando nascem podem trazer uma predisposição em suas células a qual pode ou não contribuir para o desencadeamento duma doença vinda de um parente distante ou próximo. De acordo com o Psiquiatra, Ismael Sobrinho:

Pessoas cujos parentes de primeiro grau têm depressão possuem um risco, em média, três a quatro vezes maior de desenvolver a doença. As chances estão entre 25% a 30%, enquanto as famílias sem história de depressão a percentagem está em torno de 5%[2].

Ainda sobre as desconexões que herdamos, há pessoas que nascem com níveis abaixo do normal de Serotonina, Dopamina e Noradrenalina, os quais são neurotransmissores que estão ligados à Depressão e a outros transtornos da mente. Os baixos níveis dos hormônios sexuais masculino (testosterona) e feminino (estrogênio) também causam depressão[3]. A Depressão também pode ser desencadeada através dos chamados Transtornos de Ansiedade tais como a Síndrome do Pânico, Estresse Pós-traumático, o Transtorno Obsessivo Compulsivo (T.O.C)[4].


Causas Emocionais

         Pessoas que tem maior dificuldade em lidar com: a realidade de ser um portador duma doença; a perda de um ente querido; os traumas da infância causados por uma violência sexual ou com a separação dos pais; um ato humilhante; a perda de emprego e dinheiro, injustiças sociais, por exemplo, estão mais propícias a terem depressão, sobretudo se tiverem uma predisposição genética.

É oportuno darmos o exemplo, embora não seja de um quadro claramente depressivo, mas psicotorturante, do personagem bíblico, o profeta João Batista, o qual passou por um momento opressor devido sua prisão injusta e que lhe causou dúvida quanto a Cristo ser o Messias que o mesmo João havia batizado e dito que Ele era o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Lc 7 19-22; Jo 1 29-37), algo que não ocorreu com os encarcerados Paulo e Silas (At 16.23-34).

No Antigo Testamento temos um outro exemplo, a saber, o do profeta Elias que, após estar sob ameaça de morte, abalou-se emocionalmente a ponto de desejar a morte, um típico pensamento externado por alguns depressivos (1Rs 19). Vale ainda acrescentar os momentos de choro diários\anuais de Ana, mulher oprimida por Penina a qual lhe passava em rosto sua incapacidade de ter filhos (1 Sm 1-8).

Provavelmente João,Elias e Ana tinham uma predisposição à depressão e até à ansiedade (patológica), o que os enquadra no texto bíblico que diz:

          “... a opressão faz o sábio delirar.” (Ec 7.7)

Causas Espirituais:

         A Bíblia, Único Manual de Regra, Fé e Prática do cristão, contém informações de que algumas doenças podem ser de cunho espiritual.

         Pois bem, em (Mt 12.22, 9.32; Mc 9 17-27) temos pessoas possessas por demônios os quais faziam com que ficassem surdas e mudas e até agindo semelhante a quem tem epilepsia. Já no Evangelho de Lucas há um relato duma mulher que há 18 anos andava curvada por estar possessa por um espírito de doença (13 11-13). Todavia, na mesma Bíblia há exemplos de doenças “naturais” as quais foram expulsas dos seus portadores sem a necessidade de haver exorcismo, como, por exemplo, o homem que há 38 anos era paralítico (Jo 5); a mulher que há 12 anos sofria de uma menstruação contínua (Lc 8 43-48); os dez portadores de hanseníase (Lc 17 11-19); a sogra do apóstolo Pedro que estava com febre (Mt 8 14-15), o que reforça a ideia de que doenças podem ou não ter influências diretamente espirituais.   

         Além das citadas anteriormente, temos indícios de depressão por pecados não confessados, por perseguição, conforme citamos anteriormente o episódio do profeta Elias, como também de doenças advindas da participação negligenciada na Ceia.
Bem, entre os Salmos de Davi podemos ver seus lamentos em meio às orações depois de ter cometido adultério (Sl 51). E, nessas orações, por escrito, Davi disse que, enquanto não confessou seu pecado, além de chorar todo o dia, seus ossos e corpo definhavam (Sl 32 3-4). Noutro salmo Davi disse que as suas lágrimas lhes serviam de alimento dia e noite (Sl 42). Ainda noutro salmo ele pede para Deus sara-lhe porque além de estar sem forças, fraco, impotente por causa da opressão inimiga, sua cama está banhada de lágrimas (Sl 6 1-7). No Novo testamento temos o relato de pessoas que participavam da Ceia do Senhor sem qualquer compromisso ou temor e que tal comportamento lhes causaram fraquezas, doenças e até morte (1 Co 11 27-30).

Sintomas da Depressão:

       a)    Humor -

.Tristeza acima do normal que dura 15 dias ou mais e que interfere no funcionamento do comportamento social, profissional e acadêmico, perda de prazer naquilo que antes achava interessante;

     b)    Pensamentos -

.Autocrítica do tipo: “sou um fracasso; “sou um inútil”; “só erro”.
.Culpa: sentimento de culpa por coisas que não dão certo no dia a dia, mesmo que não esteja na responsabilidade da pessoa.
.Desesperança/Pessimismo: sem perspectiva que as coisas deem certo ou tenha fins positivos.
.Diminuição na concentração e na velocidade de raciocínio.

      c)     Físicos -

.Diminuição da energia física: mais fadiga, cansaço, sensibilidade às dores no corpo;
.Alterações no sono: muito ou pouco sono;
. Alterações no Apetite: muito ou pouco apetite;
. Alterações na Libido: pouco interesse por sexo.

       d)    Inter Social -

.Insatisfação nos relacionamentos;
.Sentimento de solidão e Isolamento[5].

Tratamento/Cura da Depressão:

         Graças ao avanço da ciência, a depressão pode chegar à zona de remissão e de cura. É importante que a pessoa que esteja tendo alguns dos sintomas citados anteriormente procure um profissional da mente, a saber, um Psiquiatra e um Psicólogo.
         Temos conhecimento, porém, de que há ainda um tabu quando o assunto é a procura por um profissional da saúde da mente devido à falta de informação e a abundância de preconceito, principalmente entre muitos dos que professam algum tipo de fé, uma vez que não aceitam a ideia de estarem doentes ou de ter que tomar medicação pelo resto da vida, mesmo isto não sendo uma regra aplicada a todos os pacientes.   
         Todavia, é indispensável termos em mente que adoecer, seja de qual parte do corpo for, infelizmente, faz parte da vida do ser humano, já que a humanidade está sujeita, incluindo os que tem Fé em Deus. Citaremos um um exemplo pertinente:

Certa vez, o apóstolo Paulo, homem de fé, orou para que Deus levantasse um paralítico (At 14:10), o que ocorreu. Numa outra oportunidade, Paulo deixou Trófimo, seu amigo, doente em Mileto (2Tm 4:20). E ainda noutro momento, recomendou medicação a Timóteo para, provavelmente tratar duma úlcera estomacal, gastrite ou esofagite (1Tm 5:23). Isto é, a cura duma doença pode vir, sem dúvidas, pelas mãos divinas de Deus. Mas também pelas mãos e mentes humanas de um médico ou um Psicólogo os quais são instrumentos dEle, conforme bem escreveu o   médico Lucas ao narrar as palavras de Jesus Cristo:

“Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes” (5.31).

Toda pessoa que sente desconforto nos rins, coração, ossos, procura, sem hesitar, um Nefrologista; Cardiologista; Ortopedista. A mesma busca segue para com o Dermatologista; Reumatologista; Urologista; Infectologista; Oftalmologista; Otorrinolaringologista; Gastroenterologista; Endocrinologista; Oncologista; Dentista; Proctologista; Nutricionista; Nutrólogo etc.

A respeito da hipotética certeza de tomar medicação por longo ou indefinido período, não deveria ser tabu, pois, há pessoas hipertensas e diabéticas que precisam fazer uso contínuo de remédios, não por serem pessoas fracas mentalmente (sentido pejorativo) ou porque o médico quis deixá-las “dependente”, mas porque essa é, cientificamente, a melhor e confiável forma de trazer a estes pacientes a melhora dos sintomas que antes os incomodava e os ameaçava à vida. Desse modo, não procurar ajuda profissional é desprezar a orientação de Cristo e trazer uma piora do quadro depressivo a ponto de acarretar mais sintomas pelo restante do corpo (Pv 17.22).

 Prevenção:

  Há algumas maneiras de prevenir a depressão mesmo para aqueles que nascem com predisposição, desde que estes pratiquem exercícios físicos e mantenham uma alimentação saudável.

 Todavia, do mesmo modo que há preconceito na busca de ajuda psiquiátrica e psicológica por parte dos cristãos os quais são o nosso alvo neste singelo artigo, infelizmente, também há quanto à prática de atividades físicas por causa duma má interpretação ao texto em que o apóstolo Paulo disse que o exercício físico para pouco proveito tem (1Tm 4.8).

  Mas, teria, Paulo, de fato, proibido o cristão da sua época “suar  a camisa” ? De maneira alguma! Paulo, em nenhum momento fez qualquer tipo de objeção ao exercício físico ou a quem o pratica, ele apenas enfatizou, de acordo com o contexto, que é secundário em relação à piedade. Pois a Timóteo disse pouco proveito e não nenhum proveito.

Ademais, palavras que estão ligadas a quem pratica alguma atividade física como: atleta, prêmio ou coroa serviram a Paulo de analogia à nossa carreira cristã (1Co 9:24-25; Fp 3:14; 2Tm 2:5). Lembremos ainda que o médico Lucas (Cl 4:14), acompanhou Paulo durante boa parte das suas viagens missionárias (2 Tm 4:11), o que nos força a apostar tanto na possibilidade de Lucas ter sido a pessoa que prescreveu a medicação a Timóteo através da “pena” de Paulo, quanto de ter ministrado algumas aulas sobre saúde física e mental ao apóstolo. Logo, não há nenhuma hipótese de que há algum tipo de proibição no texto paulino.

Portanto, ninguém deve se privar dos exercícios físicos, pois, quem não pratica nem ao menos uma caminhada, é sedentário, e um forte candidato a ter outros problemas de saúde como hipertensão, diabetes, obesidade os quais podem causar ataques cardíacos que, em muitas vezes, levam a pessoa à morte.

"Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma" (3Jo 2 ).

Quanto à boa alimentação, apresentaremos uma lista com alguns itens que promovem um bem estar à mente.
 Obs: a lista apresentada não substitui o planejamento alimentar passado por um nutricionista ou nutrólogo.

"Vitaminas do Complexo B

Vegetais, como espinafre, brócolis, nabos, cenoura e beterraba são ricos em vitaminas B. A única exceção é o B-12, que só pode ser encontrado em produtos de origem animal, como peixe, carne, leite e ovos. Se você é vegano, considere tomar suplementos de vitamina B-12.

A Vitamina B6

A serotonina é o principal químico cerebral responsável por fazer com uma pessoa se sinta feliz, relaxada e confiante. Ela também desempenha um papel importante no sono, no desejo sexual e na saúde digestiva. A teoria mais prevalente da depressão é que ela é causada pela falta de serotonina.
É por isso que os antidepressivos mais comumente prescritos são inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) que funcionam aumentando os níveis de serotonina no cérebro. Normalmente, a serotonina é criada no cérebro e no corpo a partir do triptofano, um aminoácido comumente encontrado em carne, aves, peixe e produtos lácteos.

O triptofano fornece os blocos de construção básicos utilizados para sintetizar a serotonina, mas certos co-fatores – vitamina B6, ácido fólico, vitamina C, ferro (fe), magnésio (mg), cálcio (ca) e zinco (zn) – precisam estar presentes para que a reação completa ocorra.

Selênio

O selênio não só é ótimo para o sistema imunológico – seguramente um dos antioxidantes mais importantes, mas também atua contra a inflamação e favorece o suporte para uma boa função cognitiva.

As castanhas existentes no Brasil, em especial a Castanha do Pará, têm a maior concentração de selênio do que qualquer outra fonte de alimento. Uma castanha do Pará possui entre 68-91 mcg de selênio por castanha.  Isso significa que um pessoa só precisa ingerir uma ou duas castanhas do Pará para alcançar seus requisitos diários de selênio de 200 mg por dia. Estudos têm demonstrado que baixos níveis de selênio, particularmente em jovens, colocam aumentam o risco de depressão. Níveis de selênio muito altos também renderam resultados negativos. Em outro estudo, mulheres grávidas que tinham selênio suficiente em sua dieta estavam em menor risco de desenvolver depressão pós-parto.

Vitamina D

A vitamina D é conhecida como a vitamina ” do sol”. É um nutriente essencialmente solúvel em gordura. Isso ajuda a manter os ossos saudáveis e fortes, ajuda o crescimento celular e beneficia a função imunológica. Nosso corpo absorve vitamina D principalmente através da exposição ao sol, embora os suplementos dietéticos e certos alimentos também sejam fontes do nutriente.

A vitamina D é vital para manter nossa saúde mental. Uma deficiência nessa vitamina pode contribuir para a chamada depressão de inverno – uma queda no humor durante os meses de inverno.

A deficiência de vitamina D tem sido associada à depressão e outras doenças mentais, por isso é correto dizer que é muito importante assegurarmos a quantidade suficiente para o bom funcionamento do nosso organismo. Garantindo os níveis adequados de Vitamina D, também estamos cuidando da mente.

Todos sabemos que a melhor fonte de vitamina D é o sol. Infelizmente, nem sempre o astro rei está presente, especialmente durante os meses de inverno. Se um indivíduo não é capaz de absorver os raios do sol da maneira natural, é importante incluir a Vitamina D como um suplemento em sua dieta. É possível comprar suplementos de vitamina D em lojas de produtos naturais e farmácias. Muitos pães, cereais e leite são agora fortificados com vitamina D para garantir que a nutrição adequada e eficiente.

Magnésio

O magnésio é importante para muitos aspectos diferentes da nossa saúde. Ele é responsável por ativar mais de 300 reações enzimáticas diferentes do nosso corpo. É crucial para transmissão nervosa, contração muscular, coagulação sanguínea, produção de energia, metabolismo de nutrientes e formação de osso e células. O estresse, por exemplo, pode ser causado por uma deficiência de magnésio. A falta de magnésio tende a ampliar a reação do estresse, agravando o problema. Em estudos, adrenalina e cortisol, subprodutos da reação “luta ou fuga” associada ao estresse e à ansiedade, foram associados à diminuição do magnésio.

Estudos realizados em países ocidentais, como os EUA, França e Canadá, descobriram que pelo menos 50% da população são deficientes em magnésio, que podem ser encontrados em quantidades adequadas em espinafre, couve, acelga, sementes de abóbora, iogurte e amêndoa. O valor diário recomendado é de 400 a 420 miligramas.

Cúrcuma

A curcumina, um dos inúmeros ingredientes ativos do açafrão, possui potentes habilidades anti-inflamatórias. Ela recebeu atenção substancial na comunidade médica por suas propriedades benéficas. Foi comparado com alguns dos medicamentos farmacêuticos mais eficazes para a inflamação.

O açafrão tem uma série de benefícios nutricionais e de saúde. Contém compostos bioativos com propriedades medicinais poderosas, bem como cúrcuma – um composto anti-inflamatório natural. Na medicina antiga, o açafrão foi utilizado para aumentar a concentração e melhorar a retenção de memória, e seus benefícios na potencialização das funções cerebrais são continuamente reconhecidos na ciência moderna.

Muitos distúrbios cerebrais, incluindo a doença de Alzheimer, estão ligados a um nível reduzido de um hormônio cerebral chamado Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro, ou BDNF. Simplificando, a curcumina na cúrcuma aumenta os níveis de BDNF no cérebro, atrasando e às vezes até reverter os sintomas desses distúrbios cerebrais.

Açafrão e DHA

Pesquisas recentes revelaram que comer açafrão aumenta a biodisponibilidade do DHA (esse é o suplemento que você vê nas prateleiras das farmácias e lojas de suplementos). DHA é uma grande gordura estrutural encontrada no cérebro que é crucial para seu funcionamento. Isso é certo: a açafrão faz seu cérebro funcionar melhor. Imagine o que esses gênios poderiam ter feito se tivessem incluído a açafrão em sua dieta!

O açafrão foi considerado um tratamento eficaz para depressão, ansiedade, mudanças de humor e TDAH. Os efeitos do consumo de açafrão já foram comparados com os do antidepressivo Prozac. Ele pode ser comprado na forma de raiz, como um pó para usar em temperos, curry ou sopas, ou como um chá – então não há desculpa para não ingerir o suficiente!”[6]

"Porque ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja,..." (Ef 5:29)

Dia a Dia com Deus

  A ciência já concorda que princípios da fé, por exemplo, o ato de perdoar e se perdoar, podem ajudar tanto na prevenção quanto no tratamento dos transtornos mentais. Assim, vai umas dicas a serem colocadas em prática:

1- Ore todos os dias;

2- Medite na Palavra de Deus;

3- Ouça e cante louvores;

4- Ajude um necessitado;

5- Perdoe;

6- Afaste-se daquilo que não soma positivamente na sua vida;

7- Aprenda a dizer - Não;

8- Pratique exercícios físicos todos os dias ao menos 1 hora;

9- Se alimente de forma saudável;

10- Leia bons livros.
                                                                                   Itard Víctor







[1] Depressão O que Todo Cristão Precisa Saber. p. 31. 2019. VIDA.
[2] Op. cit. p. 64.
[3]  Op. cit. p. 66-67.
[4] CURY, Augusto. Ansiedade. Como Enfrentar o Mal do Século. p . 99. 2014. SARAIVA.
 ____________.  O Mestre da Sensibilidade. Jesus, o maior especialista no território da emoção. p. 105. 2012. SEXTANTE.
[5] Os sintomas foram apresentados pelo Psiquiatra Marco Antonio Abud Torquato Jr. no seu canal do Youtube em:<https://www.youtube.com/watch?v=bXbf_sfA8yE>. Acesso em 02 de janeiro de 2020.